O caminho da seleção brasileira até o Hexa ainda é desconhecido. Mas é certo que o roteiro para o título da Copa do Mundo de 2026, que terá jogos nos Estados Unidos, no México e no Canadá, terá que passar pelos arranha-céus de Nova York, as ruas cheias de História da Filadélfia e o luxo tropical de Miami. Três cidades-sede das partidas do Brasil na primeira fase do torneio e que, mesmo sem o Mundial da Fifa, já formariam um roteiro campeão.
Nova York/Nova Jersey
O pontapé inicial será justamente em Nova York. Ou melhor, na pouco conhecida East Rutherford, no estado de Nova Jersey, onde fica o MetLife Stadium, palco não apenas da estreia do Brasil (contra o Marrocos, dia 13 de junho) como também da final da Copa, em 19 de julho. Concentrado em Basking Ridge e treinando em Morristown, duas localidades em Nova Jersey, o “escrete canarinho” não chegará a cruzar o Rio Hudson. Mas é certo que muitos torcedores que viajarem para acompanhar a seleção escolherão a maior cidade do país como base. E, claro, não faltará o que fazer quando a bola não estiver rolando.
A começar pelo básico: não se pode ir a Nova York e deixar de fora os mirantes de alguns dos mais altos prédios de Manhattan. O mais recente deles é o One Times Square, o prédio que é o ponto de convergência do Réveillon novaiorquino. Aberto em novembro de 2025, o mirante permite uma visão de 360° da Times Square, e abriga atrações interessantes, como a visita à bola de cristais que desce do topo, marcando a virada do ano, e um espaço para crianças, que recria Nova York com uma perspectiva infantil, combinando coleta de doces (é possível sair com um baldinho cheio) e cenários altamente instagramáveis.
Em termos de likes e views, poucos lugares na cidade superam o Summit One Vanderbuilt. Não bastasse a vista deslumbrante a mais de 350 metros acima do nível da rua, este observatório que ocupa os 91º, 92º e 93º andares do quarto prédio mais alto de Nova York oferece ambientes que impressionam por si só. Como o salão de dois andares coberto por espelhos, nas paredes, no piso e no teto, que desafiam a noção de espaço. Ou o repleto de balões prateados, que transformam todos em criança. Há ainda a caixa de vidro, com piso transparente, que se projeta para fora do prédio, e dá a sensação de flutuar sobre Manhattan.
Não menos fotogênico é o Top of the Rock, o observatório no alto do Rockefeller Center, um clássico que se renovou nos últimos anos, com a inclusão de duas atrações. Uma delas é o Skylift, uma plataforma que se ergue a nove metros de altura a partir do observatório do 70º andar, oferecendo uma vista de 360°.
A outra é The Beam e Skylift, que simula a viga de metal da clássica foto de 1932, eternizada ao mostrar operários que trabalhavam na construção do prédio numa pausa para o almoço a cerca de 250 metros de altura. Na versão moderna, os visitantes se instalam na plataforma no 69º andar, que sobe alguns metros e rende imagens ótimas.
O ingresso para as duas atrações, além do mirante principal, está incluído no novo tour VIP em português lançado pelo Rockefeller Center, que acontece sempre às 10h, e conta com cerca de duas horas de duração e uma imersão completa no complexo comercial e cultural, repleto de histórias e peças de arte que muitas vezes passam despercebidas pelos visitantes.
A praça central do Rockfeller Center, aliás, será um dos cinco palcos escolhidos pela prefeitura de Nova York para receber as fan fests da Copa na cidade. De 6 a 19 de julho, além de um telão para assistir aos jogos, os visitantes encontrarão experiências interativas, uma exposição imersiva num museu temporário dedicado à história da Fifa e estandes temáticos com os países que já levantaram a taça, como Brasil, França, Argentina e Alemanha.
Outros distritos de Nova York receberão fan fests durante a Copa. O primeiro será no Billie Jean King National Tennis Center, no Queens (11 a 27 de junho). Depois começam os do Bronx, no Terminal Market, ao sul do estádio do New York Yankees (13 e 14 de junho); do Brooklyn, no Brooklyn Bridge Park (13 de junho a 19 de julho); e Staten Island, no Staten Island University Hospital Park (29 de junho a 2 de julho). Todos os eventos terão entrada gratuita.
Apesar de a cidade atualmente suspirar especialmente pela campanha do New York Knicks no mata-mata da NBA, é esperado que o clima de Copa do Mundo de soccer se espalhe pela cidade a partir da próxima semana. Especialmente nos inúmeros bares de esportes espalhados pela cidade, desses cheios de televisões ligadas em competições das mais variadas modalidades e vasto cardápio com bons drinques e pratos para compartilhar, como o Stout Penn Station, o Mustang Harry’s e o The Joyce Public House, todos em Midtown.
Dá para separar também um tempinho para a programação cultural. No clima esportivo, vale a pena visitar a exposição “For the win: objects of sports excellence”, em cartaz na ala dedicada aos minerais do Museu de História Natural — sim, aquele dos dinossauros, em frente ao Central Park. A mostra reúne mais de 70 itens que representam premiações esportivas, com destaque para as medalhas de ouro vencida pelo corredor norte-americano Jesse Owens nas Olimpíadas de 1936, em Berlim.
Filadélfia
Se quiser ter uma experiência turística completa na Filadélfia, coloque seus tênis mais confortáveis, faça um bom alongamento e tente subir numa só corrida os 72 degraus que levam ao pátio de entrada do Museu de Arte da Filadélfia cantarolando “Eye of the tiger” (mentalmente, para não perder o fôlego). Uma vez lá em cima, erga os braços em direção ao skyline da cidade, cenário da saga de Rocky Balboa, e palco da proclamação da independência dos Estados Unidos, que completa 250 anos em 2026. E que, em 19 de junho, receberá a segunda partida do Brasil no Mundial, contra o Haiti.
A partida será uma das seis realizadas no Lincoln Financial Center, um gigante de 70 mil lugares, casa do time de futebol americano Philadelphia Eagles. Os cinco primeiros serão na fase de grupos. Já o sexto acontecerá pelas oitavas-de-final (no lado da chave sem o Brasil), e cairá justamente em 4 de julho, o dia da independência americana.
— Serão semanas movimentadas por aqui. E logo depois, ainda em julho, receberemos o All Stars Game da MLB (que reúne os principais jogadores da liga nacional de beisebol) — conta a secretária de turismo da Pensilvânia, Anne Ryan. — Sei que não somos tão populares entre os brasileiros como Nova York e Miami, mas tenho certeza de que os que vierem para acompanhar os jogos da seleção vão se surpreender com o que a cidade tem a oferecer.
Parte da surpresa, garante Anne, será a fan fest, realizada em Lemon Hill, um espaço dentro do Fairmount Park, um dos maiores parques urbanos no país. Serão 39 dias seguidos de eventos, de 11 de junho a 19 de julho, com apresentações musicais, barraquinhas de comida e food trucks, mercado de produtores locais, ativações de marcas e, claro, telões para transmissões dos jogos. O acesso será gratuito, mas é preciso retirar tíquetes pela internet (visitphilly.com).
Com mais de 800 hectares e cortado pelo Rio Schuylkill, o Fairmount Park abriga bosques, trilhas, áreas para práticas esportivas, zoológico, jardim botânico e um parque de esculturas praticamente anexo ao terreno do Museu de Arte da Filadélfia aquele dos degraus do filme “Rocky, um lutador” e que é parada obrigatória na cidade.
Mas não fique apenas na estátua instalada no topo da escadaria, que representa a célebre pose do boxeador interpretado por Sylvester Stalone nos cinemas há exatos 50 anos. O museu, instalado numa imponente construção neoclássica, abriga uma das principais coleções do país, com mais de 240 mil itens. Obras-primas de Monet, Picasso, Van Gogh e Dalí costumam atrair a maioria dos olhares, e merecem destaque. Mas vale percorrer os quatro andares do prédio atrás de tesouros menos conhecidos, como os reunidos na exposição “A nation artists”, montada como parte das comemorações do 250º aniversário do país, e que pode ser visitada até julho de 2027.
O Museu de Arte da Filadélfia fica na ponta de uma larga avenida arborizada, a Benjamin Franklin Parkway, que convida à caminhada e leva a outros atrativos como o Museu Rodin, com o maior número de obras do artista fora de Paris; o Franklin Institute, dedicado à ciência; e a Barnes Foundation, dona de uma das maiores coleções de arte impressionista e expressionista do planeta. A caminhada pelo bulevar termina na praça do City Hall, a sede da prefeitura da Filadélfia que já foi o prédio mais alto do mundo entre 1894 e 1908. No topo de sua torre de 167 metros, a estátua de bronze de William Penn, o peregrino quaker que fundou o estado da Pensilvânia, pode ser vista de diversas partes da cidade.
A figura de Penn lembra que Filadélfia é também a cidade dos “pais fundadores” do país, o grupo de empresários, donos de terras e pensadores que assinaram a declaração que separou as então 13 colônias americanas do Império Britânico em 4 de julho de 1776. Se o espírito patriótico já domina a cidade normalmente, em 2026 ele está ainda mais intenso, com um número ainda maior de turistas (domésticos, especialmente) visitando o conjunto de museus e monumentos históricos muito bem preservado ao redor do Independence National Historical Park.
Quem se interessa por História pode passar um dia inteiro caminhando pela região antiga da cidade, repleta de ruas arborizadas, jardins e prédios de tijolinhos avermelhados. É possível ver o local onde a declaração de independência foi assinada, o sino que rachou de tanto tocar para avisar do momento em que a América se tornou livre dos ingleses, a casa onde viveu Benjamin Franklin, o lugar que foi o endereço oficial dos primeiros presidentes americanos e até o material de costura usado para bordar a primeira bandeira dos EUA.
Essa região da cidade é também rica em ótimos restaurantes. Mas nenhuma experiência gastronômica se compara ao Reading Terminal Market, o mercado central com mais de 80 lojas, lanchonetes e restaurantes, onde é possível comprar queijos produzidos por comunidades amish e doces típicos de países asiáticos. E, claro, o tradicional cheesesteak, o sanduíche-símbolo de Filadélfia, com carne picada, queijo e outros temperos.
Miami
Fechando a sua participação na primeira fase da Copa, o Brasil enfrentará a Escócia em Miami, em 24 de junho. E, não será exagero dizer que jogará em casa. Não apenas pelo calor tropical da Flórida, ainda mais forte em pleno verão, mas pelo fato de a cidade ser um dos destinos preferidos dos brasileiros no exterior, seja para viver ou para visitar.
E mesmo os que já são velhos conhecidos da cidade podem aproveitar o Mundial para explorar regiões pouco frequentes em roteiros turísticos. É o caso de Miami Gardens, o bairro onde fica o Hard Rock Stadium, mais um estádio de futebol americano (no caso, do Miami Dolphins) que receberá sete partidas da Copa: quatro na fase de grupos, uma nas oitavas-de-final, uma nas quartas-de-final (que poderá ter o Brasil, caso a seleção se classifique em primeiro no grupo e avance até lá), e a disputa pelo terceiro lugar.
Bem distante dali, em Downtown Miami, a agitação se concentrará no belo Bayfront Park, um parque à beira-mar cercado por prédios altos e espelhados que receberá a fan fest de Miami. Assim como as de Nova York e Filadélfia, terá entrada gratuita mediante retirada antecipada de ingresso pela internet. Durante 23 dias consecutivos, de 13 de junho a 5 de julho, o lugar terá telões transmitindo os jogos, opções gastronômicas e experiências “imersivas” de futebol. O destaque será a programação musical, com DJs, cantores e conjuntos que representarão o caldeirão sonoro que é o sul da Flórida, com hip-hop, country, rock, ritmos latinos do tango ao reggaeton e até blocos carnavalescos brasileiros.
Como o nome já indica, o parque fica em frente à Baía de Biscayne, uma das regiões mais bonitas da orla da cidade, marcada por iates de luxo atracados em marinas próximas e pelos meganavios de cruzeiros que partem do porto turístico mais importante dos EUA, logo ali do lado, para roteiros pelo Caribe. Outros atrativos que estão a uma curta caminhada (ou uma viagem rápida a bordo do Metro Mover, o monorail gratuito que circula pela região central) são o Bayside Marketplace, com muitas opções de bares, restaurantes e lojas, e Freedom Tower, um marco histórico e cultural de Miami.
Inaugurado em 1925 como sede do jornal “The Miami New”, ele se converteu, na década de 1960, como centro para receber refugiados da Revolução Cubana. Já nos anos 1990 passou a funcionar como centro cultural e museu, preservando a história da migração da ilha caribenha, tão importante para a formação da cidade.
Também em Downtown Miami, vale reservar um tempo para o Maurice A. Ferré Park, conhecido como Museum Park por abrigar o Perez Art Museum, dedicado a arte contemporânea, e ao Philip & Patricia Frost Museum of Science, ótimo programa para quem viaja com crianças.
Outros bairros que merecem ser explorado na porção “continental” de Miami são Wynwood, com seus murais coloridos e bares hipsters; Brickell, para compras e gastronomia; e o Design District, um centro de moda onde se pode tropeçar em instalações de arte contemporânea nas ruas.
Num dos lugares do planeta onde mais “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” pode ser notada, é interessante saber que há maneiras para circular pela cidade sem gastar nada (além do tempo de espera, é claro). Além do Metro Mover, há pequenos ônibus que cumprem rotas tanto na região central de Miami quanto na orla. E também linhas de barco que conectam Downtown a Miami Beach, a partir do Venetian Marina & Yacht Club, de segunda a sexta.
Os jogos da Copa serão em Miami Gardens, as festas dos torcedores acontecerão em Downtown Miami, mas é em Miami Beach que está a cidade que todo mundo quer ver. E há razões de sobra para isso. Não há cartão-postal mais poderoso que os postos de salva-vidas com cores vibrantes espalhados pela imensa faixa de areia branca, de frente para o azul claro do Atlântico.
Esse é o cenário típico de South Beach, o bairro mais famoso e charmoso da cidade. Não apenas pela orla, com calçadão e pequenos parques que convidam a um dia inteiro à beira-mar. Mas pelo conjunto de prédios e casarões que contrastam com os paredões de aço e vidro tão frequentes no restante da cidade.
A região preserva exemplares dos três estilos arquitetônicos que moldaram a identidade da cidade como um destino tropical moderno. Nos casarões mais antigos, é possível identificar o neomediterrâneo, com inspiração na arquitetura colonial espanhola. Nos mais contemporâneos, o estilo arrojado do Miami Modernism (MiMo). E entre os dois, o art déco, movimento que completou cem anos em 2025 e encontrou em Miami um terreno fértil para ganhar cores mais vibrantes do que as encontradas em Paris ou Nova York.
Uma boa maneira de experimentar essas variações arquitetônicas é se hospedando na região, em endereços como o Shelborn by Proper, um hotel-butique remanescente da primeira onda Art Déco da cidade e que, após uma longa renovação, ganhou ares mais modernos. Assim como vizinhos da elegante Collins Avenue, tem saída direta para a praia.
Eduardo Maia viajou a convite do Brand USA.

