O segundo dia da seleção brasileira em Nova Jersey foi de contato com o público. Contrapartida que todos os participantes da Copa do Mundo precisam dar, o treino de ontem contou com convidados escolhidos pela administração local: integrantes de projetos sociais, crianças de uma escolinha e outros. Algumas dezenas de pessoas que acompanharam a atividade ganharam autógrafos e fotos com os jogadores no fim e, claro, também deixaram sua dose de carinho e apoio. Mas foi uma exceção em relação ao que serão os próximos dias.
Se a convocação de Carlo Ancelotti teve forte apelo midiático, com a presença de famosos e muita badalação, a passagem da seleção por Nova Jersey tende a seguir o caminho oposto. O foco da CBF está em garantir a privacidade e um ambiente sem qualquer tipo de distração. Uma blindagem que chamou a atenção nos primeiros dias.
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Com exceção dos poucos escolhidos para acompanhar a atividade desta quarta, jogadores e torcedores só terão contato nos estádios. A CBF reservou o hotel The Ridge, em Basking Ridge, exclusivamente para si. Não há como torcedores chegarem perto sequer da portaria, já que policiais impedem qualquer aproximação. O máximo que eles conseguem é ficar na beira de uma estrada, sem nenhum contato visual sequer com a fachada. Logo, aquelas tradicionais cenas em que a delegação chega no hotel sendo tietada e acarinhada pelo público não serão vistas neste Mundial.
O mesmo ocorre no centro de treinamento do New York Red Bulls, em Morristown. Um forte esquema policial impede que carros e pedestres sequer subam a ladeira que dá acesso à entrada principal do CT. Nem mesmo de longe eles podem ver a seleção.
No pé dessa ladeira, a área verde que beira a estrada principal (e até onde os policiais permitem a aproximação) virou um ponto de encontro de brasileiros da região. Eles vão até lá na esperança de acenar para o ônibus. O grupo de cerca de 20 que foi no primeiro dia virou uma centena no seguinte. Na maioria, são pessoas que não compraram ingressos para os jogos devido aos preços e que sonham ver a seleção ao menos por um instante.
— Fomos até o hotel e não deixaram a gente chegar perto. Soubemos que o ônibus ainda estava lá e viemos para cá (o CT). Só que até agora eles não chegaram (na verdade, entraram por outro acesso) — contou Teresa Assunção, que vive em Springfield, a 25 minutos de Morristown. — Amanhã, se Deus quiser, estaremos aqui de novo. Os ingressos estão muito caros, então vamos tentar vê-los nos treinos mesmo.
A CBF afirma não ter envolvimento no excesso de rigor no isolamento do hotel e do CT, já que a responsabilidade é da polícia local. Mas, de fato, a entidade priorizou a privacidade na escolha da região.
Barsking Ridge, onde fica o hotel, é um bairro de moradores com alto poder aquisitivo. Não há vizinhos próximos, já que as casas ficam afastadas e cercadas por muita área verde. Não se vê comércio nem pessoas andando nas ruas — até porque quase não há calçadas.
Já Morristown, que abriga o CT, é mais urbana, mas longe de ser agitada. Com 20 mil habitantes, a cidade se destaca pela importância histórica. É um local que serviu de refúgio às tropas de George Washington durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Casas sem muros, de arquitetura típica dos subúrbios americanos (daquelas famosas em filmes e séries) compõem um cenário de calmaria e muitas homenagens a heróis do passado — além de ao menos uma bandeira americana exibida por quarteirão.
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Se a localização facilita na privacidade, tão importante durante a Copa, a falta de contato com o público impede que os jogadores recebam o calor humano, que igualmente faz diferença. Como o que ganharam nesta quarta, excepcionalmente.
— Foi uma aposta da comissão e do estafe, e que vocês estão sendo testemunhas do quanto a gente está bem amparado aqui. Por outro lado, acabamos ficando um pouquinho distantes também. Tem que colocar algumas coisas na balança, e a gente tenta realmente fazer o melhor que pode — comentou o capitão Marquinhos. — Vai muito também da nossa energia em campo. Por experiência, acho que o que conecta realmente com o torcedor é o momento do time. É o que a gente entrega dentro de campo.

