Uma equipe funerária foi atacada, e 11 pacientes com Ebola fugiram de unidades do isolamento na República Democrática do Congo (RDC) à medida em que o surto, decretado emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), continua a se espalhar pelo país.
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Profissionais que tentavam realizar o enterro seguro de uma vítima de Ebola, procedimento importante pois o contato com fluidos do corpo pode disseminar o vírus, foi atacada na cidade de Katana, em Kivu do Sul.
O ataque obrigou os trabalhadores a abandonarem o caixão, permitindo que moradores da comunidade manuseassem o corpo da vítima. Autoridades de saúde alertaram que o incidente pode desencadear novas cadeias de transmissão do Ebola.
Enquanto isso, na província de Ituri, epicentro do surto no país, 11 pacientes escaparam de unidades de isolamento, também ampliando as chances de disseminação do vírus no país.
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A situação é agravada pelo cenário instável de segurança em partes da província, onde grupos armados continuam limitando o acesso humanitário. Segundo um relatório desta quarta-feira, uma nova zona de saúde, Rimba, foi afetada pelo Ebola, demonstrando “transmissão comunitária ativa”, diz o documento.
Os acontecimentos ressaltam os desafios enfrentados pelas equipes de resposta à medida que o surto adquire uma dimensão internacional crescente, e os esforços para contê-lo dentro da RDC continuam frágeis.
Autoridades de saúde enfrentam dificuldades para rastrear contatos, conter infecções e construir confiança junto às comunidades — mesmo enquanto países vizinhos ampliam medidas de preparação, e a OMS investiga a disseminação transfronteiriça ligada a um viajante infectado que visitou os Emirados Árabes Unidos e Uganda.
— O surto teve uma grande vantagem inicial e ainda estamos atrás, mas, sob a liderança do governo da RDC, estamos recuperando terreno — disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na quarta-feira, após retornar de uma visita ao epicentro. — A chave para encerrar este surto não é biomédica. É liderança, apropriação, parceria e confiança.
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Rastreamento de contatos
A RDC já registrou 363 infecções confirmadas por Ebola e 62 mortes causadas pela espécie Bundibugyo do vírus, segundo o relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública do país. Dezenove novos casos confirmados foram registrados em 2 de junho.
Mais de 4,2 mil contatos estão sendo monitorados nas três províncias afetadas, embora menos da metade de todos que deveriam estar sendo acompanhados tenha sido alcançada pelas equipes de vigilância nas 24 horas anteriores.
A taxa de rastreamento de contatos melhorou ligeiramente para 46%, mas ainda permanece abaixo da meta de 95%, segundo o relatório. O documento afirma que o rastreamento insuficiente de contatos, os ataques às equipes funerárias e a resistência das comunidades continuam entre os principais obstáculos para controlar o surto.
A capacidade laboratorial apresentou resultados mistos. Todas as 70 amostras coletadas em Ituri foram analisadas, sem acúmulo de exames pendentes, embora 42 resultados ainda aguardassem processamento em Kivu do Norte devido a atrasos superiores a cinco dias. Cerca de 27% das amostras testadas em Ituri tiveram resultado positivo para Ebola.
Além da RDC, Uganda confirmou 15 casos, incluindo uma morte, e a OMS informou na quarta-feira que um viajante congolês infectado visitou os Emirados Árabes Unidos antes de seguir para Uganda.

