Uma espécie de anfíbio considerada invasora e perigosa está sendo monitorada em Florianópolis, Santa Catarina, por seus reflexos no meio ambiente local. A rã-touro, de nome científico Aquarana catesbeiana, tem características particulares que podem impactar a fauna nativa brasileira. Uma delas é seu tamanho maior, o que dá vantagem na disputa por alimentos, colocando-a como uma grande predadora.
Além de monitoramento, a cidade quer fazer o controle com ajuda da população. A Prefeitura de Florianópolis tem acompanhado casos de aparecimento de espécimes, e o Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis (LEAR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pede o apoio das pessoas para relatarem avistamentos.
Rã-touro ‘muge’ e é considerada perigosa e invasora no Brasil; Florianópolis está monitorando a espécie
Felipe Sterzling / PMF / Divulgação
Uma das formas de identificar a espécie é pelo som característico que emite. A vocalização da rã-touro é ressonante e assemelha-se ao mugido de um touro, o que acabou por influenciar seu nome. Mas apenas os machos emitem esse canto característico, que pode ocorrer tanto de dia como à noite. (Ouça abaixo)
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Esse som, caso uma pessoa se depare com uma espécime, deve ser gravado e o animal fotografado, quando possível. Esse material deve ser enviado para a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM), por meio do WhatsApp (48) 3237-5660, contendo ainda endereço do local do avistamento, com coordenadas para facilitar, assim como data e hora do registro.
O LEAR tem divulgado informações sobre como identificar a rã-touro. Entre as características para diferenciá-la de espécies nativas estão:
rã-touro macho: grande porte, tímpanos grandes em relação aos olhos, membranas entre os dedos das patas traseiras
rã-touro fêmea: grande porte, tímpanos menores que os olhos, membranas entre os dedos das patas traseiras
girino: grande porte, presentes em lagoas
Os indivíduos podem ultrapassar 20 centímetros de comprimento e pesar até 680 gramas, segundo a National Geographic. Os girinos já podem apresentar tamanho avantajado, atingindo cerca de 17 centímetros. O tamanho dá a eles vantagem na alimentação, incluindo na dieta peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte. Originária da América do Norte, em ambiente natural, podem ser encontradas em lagoas de água doce, lagos e pântanos.
De acordo com os órgãos, a rã-touro foi introduzida no Brasil para criação em ranários, em 1935. Por escape ou por soltura intencional, a espécie se dispersou e estabeleceu populações em ambiente natural, tornando-se invasora em diversas regiões do país. Em 2025 foi registrada pela primeira vez em Florianópolis. De acordo com o LEAR, o mesmo aconteceu em outros países, transformando-a em uma das piores espécies invasoras do mundo.
Um dos principais riscos é de a espécie poder ser portadora de doenças que afetam tanto anfíbios nativos quanto peixes e répteis. Para realizar seu controle, foram iniciados trabalhos de captura com equipes especializadas para tentar conter e acompanhar o crescimento da população de anfíbios em Florianópolis.
