A pergunta costuma surgir sempre que um grande acidente aéreo ganha repercussão: existe um assento mais seguro dentro de um avião?
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Apesar de teorias populares e de análises baseadas em acidentes específicos, especialistas em aviação afirmam que não há consenso científico capaz de indicar uma posição infalível dentro da cabine.
Uma das crenças mais difundidas sustenta que os passageiros acomodados na parte traseira da aeronave teriam maiores chances de sobreviver em caso de desastre. No entanto, profissionais do setor alertam que a dinâmica de cada acidente é diferente e pode alterar completamente o desfecho para os ocupantes.
Steve Scheibner, piloto aposentado da American Airlines com 38 anos de carreira, classificou essa ideia como um mito durante seu quadro Ask The Captain.
Segundo ele, fatores como o local do impacto, a velocidade da colisão e o ângulo da batida influenciam diretamente as consequências para os passageiros, tornando impossível apontar uma região do avião como universalmente mais segura.
Scheibner citou como exemplo o voo 171 da Air India, no qual o único sobrevivente ocupava o assento 11A. Para o especialista, o caso demonstra justamente como circunstâncias específicas podem determinar resultados distintos.
Embora rejeitem a ideia de um “assento milagroso”, alguns especialistas reconhecem que determinadas características estruturais podem conferir vantagens em situações específicas.
R. John Hansman, professor de aeronáutica e astronáutica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirma que a parte dianteira da aeronave pode funcionar como uma espécie de zona de absorção em colisões frontais.
Nesse contexto, passageiros localizados mais atrás poderiam ter uma vantagem teórica.
Uma simulação realizada em 2012 reforçou parcialmente essa hipótese. No experimento, um Boeing 727 foi submetido a um teste real de impacto.
Segundo o estudo, os manequins posicionados na parte traseira apresentaram menos danos, enquanto aqueles instalados na primeira classe sofreram consequências críticas. Os resultados foram associados à forma como ocorreu a ruptura da fuselagem durante a colisão.
Ainda assim, os próprios especialistas destacam que esses achados não permitem generalizações.
Estar perto da saída pode fazer diferença
Para Cary Grant, professor assistente da Faculdade de Aviação da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle e ex-chefe de segurança da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), outro fator merece mais atenção dos passageiros.
— Se existisse um assento mais seguro, estar perto de uma saída de emergência aumentaria as chances de deixar a aeronave mais rapidamente — afirmou.
Segundo ele, a rapidez na evacuação pode representar uma vantagem importante em determinadas situações, especialmente quando há fumaça na cabine, desorientação dos ocupantes ou dificuldades para se deslocar até as saídas.
Especialistas concordam que o fator tempo costuma ser decisivo durante emergências a bordo.
O que fazer para aumentar a segurança durante o voo
As recomendações dos profissionais da área passam menos pela escolha de uma fileira específica e mais pela preparação dos passageiros.
Trisha Ferguson, diretora-executiva do The Interaction Group, orienta que, ao se acomodar na poltrona, a pessoa faça uma inspeção visual da cabine, identifique as duas saídas de emergência mais próximas e conte quantas fileiras a separam delas.
O objetivo é criar um “mapa mental” que possa ser utilizado caso seja necessário abandonar a aeronave rapidamente, inclusive em situações de baixa visibilidade.
Outras medidas consideradas importantes incluem prestar atenção às instruções fornecidas pela tripulação, acompanhar a demonstração de segurança realizada antes da decolagem e ler o cartão de orientações disponível no bolso da poltrona.
Segundo os especialistas, cada modelo de aeronave possui configurações próprias de evacuação, o que torna essas informações particularmente relevantes.
Apesar do debate sobre os assentos, a aviação comercial continua sendo o meio de transporte mais seguro do mundo.
Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) apontam que, em 2025, foi registrado um acidente para cada 759.646 voos.
A conclusão dos especialistas é que a segurança a bordo não depende de uma poltrona específica. Mais importante do que escolher entre a frente ou o fundo do avião é estar atento às orientações da tripulação, conhecer a localização das saídas de emergência e saber como agir caso uma evacuação se torne necessária.

