Entre congestionamentos, ônibus lotados, longos deslocamentos e uma cidade que diariamente testa a paciência de quem precisa se locomover, o metrô parece ser o queridinho dos cariocas. Pelo menos é o que mostra uma enquete realizada pelo GLOBO em seu canal de WhatsApp. Dos 1.175 votos registrados, 328 escolheram o metrô como meio de transporte favorito, deixando para trás táxis e carros por aplicativo (180), ônibus e carro próprio (146 cada), BRT (99), VLT (60) e trem (54). A preferência, no entanto, convive com uma realidade conhecida pelos passageiros: enquanto o sistema aposta em tecnologia, acessibilidade e novas formas de integração, antigos desafios, como a expansão da rede e projetos como a Linha 3, que ligaria Rio e Niterói, continuam sem sair do papel.
- Metrô — 328 votos
- Táxi ou carro por aplicativo — 180 votos
- Ônibus e carro próprio — empatados com146 votos
- BRT — 99 votos
- VLT — 60 votos
- Trem — 54 votos
- Moto por aplicativo — 42 votos
- Bicicleta — 39 votos
- Moto própria — 32 votos
- Barcas — 25 votos
- Van/Fretado — 24 votos
O resultado ajuda a explicar por que, mesmo cercado por debates históricos sobre expansão, integração e capacidade operacional, o sistema segue ocupando uma posição privilegiada na mobilidade do Rio. Inaugurado em 1979, o metrô carioca soma hoje 54,4 quilômetros de extensão, 41 estações e uma média de 670 mil passageiros transportados por dia útil. Desde que a concessão passou para o MetrôRio, em 1998, mais de 4,7 bilhões de embarques já foram realizados.
Segundo o MetrôRio, o auge da demanda ocorreu durante os Jogos Olímpicos de 2016, quando o sistema registrou o recorde de 1,1 milhão de embarques em um único dia.
Quase cinco décadas depois da inauguração da primeira linha, o metrô continua convivendo com antigos desafios, especialmente os relacionados à expansão da malha e à integração metropolitana, mas também tem buscado modernizar a experiência dos passageiros por meio de investimentos em tecnologia, acessibilidade e serviços digitais.
Uma das iniciativas mais recentes foi a inclusão de recursos voltados para pessoas com deficiência visual no aplicativo do MetrôRio. A ferramenta passou a oferecer compatibilidade com os sistemas Voice Over, dos aparelhos iPhone, e TalkBack, do Android. Com isso, passageiros com baixa visão ou cegueira podem receber informações em áudio sobre a localização dos trens, o tempo de espera e a situação operacional das linhas em tempo real.
O recurso também conta com alertas por vibração e foi desenvolvido pelas equipes de tecnologia da concessionária em parceria com professores e estudantes do Instituto Benjamin Constant (IBC), referência nacional em educação para pessoas com deficiência visual.
A novidade permite que usuários planejem melhor suas viagens e tenham mais autonomia para utilizar o sistema. Além dessa funcionalidade, o aplicativo também permite recarga dos cartões Giro por Pix ou cartão de crédito, consulta de extratos e acesso a informações sobre deslocamentos pela cidade.
A digitalização tem sido uma das principais apostas do sistema nos últimos anos. O MetrôRio foi o primeiro modal de transporte da América Latina a implantar o pagamento por aproximação (NFC) em toda a sua rede. A tecnologia passou a funcionar em abril de 2019 nas 41 estações e, desde então, já ultrapassou a marca de 81 milhões de transações.
Hoje, basta aproximar um cartão bancário, celular ou relógio inteligente para acessar o sistema, sem necessidade de bilhete físico.
Sonho da expansão continua
Enquanto melhorias operacionais avançam em diferentes frentes, um velho tema permanece no horizonte: a expansão da rede. Nos últimos meses, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram os avanços do Projeto Prisma-RJ, iniciativa que reúne estudos técnicos voltados para a futura implantação da Linha 3 do Metrô, prometida diversas vezes sem nunca ter saído do papel. A ligação é prevista entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, integrada ao sistema de transporte do Rio. Embora ainda esteja distante da execução, a proposta é vista por especialistas em mobilidade como uma das intervenções mais importantes para integrar a Região Metropolitana.
No ano passado, durante uma apresentação do plano de expansão do modal feita pela Secretaria de Estado de Transportes, foram previstos três novos trechos com 31 novas estações, mais 44 quilômetros de trilhos e um túnel dentro da Baía de Guanabara até 2032. Os investimento previstos são na ordem de R$ 28,8 bilhões que poderão ser via Parceria Público-Privada (PPP) ou Cepacs (Certificado de Potencial Adicional de Construção).
A Linha 3 prevê a ligação entre a Praça Quinze, no Centro do Rio, até Guaxindiba, em São Gonçalo, com parada em Niterói, na Praça Arariboia. Esse novo trecho terá 21,7 km de extensão, sendo 3 km deles passarão debaixo da Baía de Guanabara, através de um túnel que será cavado entre a Praça 15 e a Cantareira, em Niterói. A concretização da obra representará a primeira ligação metroviária direta entre a capital e a Região Metropolitana e deve consumir investimento de R$ 14,6 bilhões.
O plano anunciado pelo secretário prevê ainda a extensão da Linha 2, com investimentos na ordem de R$ 4,4 bilhões e terá uma ampliação de 3,7 km, ligando o Estácio à Praça Quinze; e a Linha 4 compreendendo um trecho de 19km entre o Jardim Oceânico e o Recreio, com investimentos previstos de R$ 9, 8 bilhões.
Fim do Metrô na Superfície
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Outra mudança importante ocorreu após o encerramento do chamado Metrô na Superfície, serviço que durante mais de duas décadas fez a ligação entre estações da Zona Sul e bairros como Gávea, Humaitá e Jardim Botânico. Desde julho de 2024, a integração passou a ser feita por linhas regulares de ônibus. Neste ano, no entanto, passageiros voltaram a enfrentar incertezas após a prefeitura lacrar as garagens de empresas responsáveis por parte dessas linhas, interrompendo alguns dos serviços utilizados na integração.
Depois de negociações entre o município e o MetrôRio, uma nova lista de linhas foi oficializada para garantir a continuidade do benefício tarifário. Atualmente, a integração é realizada pelas linhas 319, SV319, 536, 539, 583 e 584, conectando as estações Botafogo e Antero de Quental a regiões como Leblon, Rocinha, Cosme Velho, Jardim Botânico e Gávea.
Segundo cálculos do próprio MetrôRio, cerca de 3 mil passageiros utilizam diariamente esse modelo de integração.
Transporte dos grandes eventos
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Se a expansão continua no papel, o sistema consolidou nos últimos anos o papel de principal corredor de acesso aos grandes eventos da cidade. De partidas no Maracanã e no Nilton Santos aos desfiles de carnaval, passando por festivais de música, grandes shows, o Rock in Rio, o Todo Mundo no Rio e o réveillon de Copacabana, o metrô tornou-se a principal alternativa para quem busca evitar congestionamentos. Segundo a concessionária, mais de 13,2 milhões de passageiros utilizaram o sistema para chegar a grandes eventos entre 2024 e o primeiro semestre de 2026.
Movido por energia elétrica renovável, o metrô também aparece cada vez mais nas discussões sobre sustentabilidade. Uma única composição, formada por seis vagões, pesa cerca de 240 toneladas, pode transportar até 1,8 mil passageiros e circula com velocidade média de 70 quilômetros por hora.
De acordo com o MetrôRio, a utilização do sistema evitou a emissão de aproximadamente 172 mil toneladas líquidas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) nos últimos dois anos, quando comparada a deslocamentos realizados por meios de transporte rodoviários.
As estações também têm sido utilizadas para ações de cidadania e prestação de serviços. Em parceria com órgãos públicos e instituições, o MetrôRio promove campanhas de vacinação, mutirões de emprego, ações de conscientização e prestação de serviços à população. Uma das iniciativas mais recentes resultou na aplicação de mais de 27 mil doses de vacinas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.
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Há ainda curiosidades que muitos passageiros desconhecem. Desde 2011, por exemplo, a concessionária desenvolve um projeto de identidade sonora próprio. A tradicional trilha tocada nos ambientes do sistema virou marca registrada do metrô carioca, ganhou versões criadas por usuários nas redes sociais durante a pandemia e, em 2025, recebeu até uma letra comemorativa pelos 15 anos do projeto.

