Nem sempre as seleções que saem badaladas das Eliminatórias Europeias correspondem às expectativas quando chegam à Copa do Mundo. Na verdade, as decepções costumam ser mais frequentes nesses casos. Mas toda a empolgação em torno da Noruega parece fazer sentido.
Afinal, a melhor geração da história do país, que tem o atacante Erling Haaland, do Manchester City, como principal símbolo, estreou goleando o Iraque por 4 a 1 e, agora, terá pela frente dois desafios à altura no Grupo I, o “da morte”: Senegal e França. O primeiro deles será hoje, contra os senegaleses, às 21h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Sem disputar um Mundial há 28 anos e uma competição grande desde a Eurocopa de 2000, os noruegueses não estão, obviamente, entre os favoritos, mas chamaram atenção na caminhada até a Copa. Com desempenho irretocável nas eliminatórias, classificaram-se com aproveitamento de 100%, somando 37 gols em oito vitórias, dos quais 16 foram marcados por Haaland. Isso tudo no mesmo grupo da Itália, que precisou ir para a repescagem e acabou ficando fora pela terceira vez consecutiva.
Não há dúvidas de que Haaland brigará pela artilharia da Copa, principalmente se a Noruega fizer jus à badalação. Na estreia contra o Iraque, o atacante abriu a contagem com dois gols no primeiro tempo. Mas a seleção norueguesa não deposita suas fichas apenas nele. Outro destaque dessa geração de ouro é o meia Martin Odegaard, do Arsenal, que conseguiu se recuperar a tempo após passar por problemas físicos (lesão no ligamento colateral medial do joelho esquerdo e contusões musculares) na última temporada europeia.
Se Haaland e Odegaard são as referências técnicas da equipe comandada pelo norueguês Stale Solbakken, ela também chama a atenção dentro de campo por outro fator: a estatura. O jogador do City, por exemplo, mede 1,94 m, e tem ao seu lado no ataque outra “torre”, até um pouco mais alta que ele: Alexander Sorloth, do Atlético de Madrid-ESP, com 1,95 m.
Com uma média de altura de 1,87 m, a seleção norueguesa é conhecida justamente pelo vigor físico em todos os setores do campo. A dupla de zaga formada por Kristoffer Ajer (1,96 m), do Brentford-ING, e Torbjorn Heggem (1,92 m), do Bologna-ITA, é praticamente uma muralha para bloquear os cruzamentos na área. Por outro lado, a bola parada ofensiva vira automaticamente um perigo para a marcação adversária.
A força da seleção norueguesa se reflete em jogadores que atuam no alto escalão da Europa. Dos 26 convocados, apenas quatro jogam em ligas alternativas, sendo três deles (Patrick Berg, Fredrik Bjorkan e Jens Petter Hauge) justamente no campeonato nacional pelo Bodo/Glimt. O clube foi a sensação da última Champions League ao eliminar a Inter de Milão-ITA nos playoffs e vencer o City e o Atlético de Madrid na primeira fase.
Diante disso, há um movimento para que a Noruega volte a figurar entre as principais seleções do cenário internacional. Assim como ocorreu com a Bélgica nos últimos anos, as categorias de base passaram a receber mais atenção, com incentivo para que os clubes não vendam seus talentos precocemente e regras de empréstimo voltadas a dar mais minutagem aos jovens jogadores.
Como resultado, a liga nacional passou a ter média de idade de aproximadamente 25 anos e menos de 30% dos atletas são estrangeiros, segundo a imprensa local.

