O pré-candidato à presidência pelo Missão, Renan Santos, defendeu que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) é “inviável” contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avalia que haverá uma migração de votos para ele, “terceiro colocado viável” no antipetismo. O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) disse ainda que a meta da candidatura é apostar em um desgaste do bolsonarismo e alcançar 10% das intenções de voto antes do início oficial da campanha eleitoral.
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Em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta-feira, Renan afirmou ainda que a campanha do Flávio é “morta e de defesa, não de ataque”. Segundo o empresário, a candidatura do PL não vai avançar sobre os outros eleitorados, uma vez que ela teria que “defender o que tem por conta do legado do pai” de Flávio. Esse tipo de campanha, de acordo com Renan, “costuma perder”.
Nesse cenário, para o pré-candidato, “haverá uma migração de votos para o terceiro colocado viável no campo antipetista”. Renan disse que abriu uma distância para os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO) e trabalha para demonstrar viabilidade e atingir os 10% das intenções antes de agosto.
Ao comentar sobre o empenho de jovens na campanha, o fundador do MBL afirma que não se preocupa com esse grupo pois eles já estariam engajados em sua pré-candidatura, e agora atua em um “processo de esperança”:
— As pessoas mais velhas à esquerda viram que o governo Lula foi fraco, essa é a real. Ninguém está motivado em fazer campanha para o Lula. E o bolsonarismo morreu, ainda mais com um candidato como o Flávio. Então é um fenômeno morto. Os mais jovens, entretanto, são otimistas — disse Renan na entrevista.
Segundo pelotão
A pesquisa da Genial/Quaest divulgada no início do mês mostra o presidenciável do Missão com 3% das intenções de voto. Flávio aparece com 29% no levantamento, liderado pelo presidente Lula, com 39%. Renan surge embolado num distante segundo pelotão, que conta ainda com os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.
A estratégia de Renan tem sido investir em conteúdo nas redes sociais e participar de debates e sabatinas para que o eleitor saiba quem ele é. O Datafolha de 22 de maio mostrou que 73% não o conhecem. Sem tempo de propaganda gratuita em rádio e TV, o Missão aposta no ambiente digital como principal meio para difundir ideias.
O pré-candidato se inspira em dois símbolos da ultradireita pelo mundo: os presidentes da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele. Do primeiro, admira o discurso de austeridade, os memes de motosserra e a adoção do “sincericídio” na pauta fiscal. Do segundo, que enfrenta denúncias de violação dos direitos humanos, com prisões arbitrárias e sem autorização judicial, destaca o combate a facções criminosas.

