Uma das propriedades mais emblemáticas — e controversas — da política italiana mudou de dono. A Villa Certosa, luxuosa residência na Sardenha que pertenceu ao ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, foi comprada por Hamad bin Jassim bin Jabr Al Thani, ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores do Catar, por 350 milhões de euros, cerca de R$ 2 bilhões, segundo o jornal italiano La Repubblica.
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A venda ocorre cerca de um ano depois de a família de Berlusconi colocar a propriedade no mercado e encerra um capítulo simbólico do legado político, empresarial e pessoal de uma das figuras mais influentes e polêmicas da Itália contemporânea.
Localizada na Costa Esmeralda, com vista para o Golfo de Marinella, a Villa Certosa funcionou por anos como uma espécie de corte de verão informal de Berlusconi enquanto ele esteve no poder. A propriedade recebeu líderes mundiais, empresários e convidados de destaque, entre eles o então presidente americano George W. Bush e o presidente russo Vladimir Putin.
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O complexo também chamava atenção pela estrutura. Em 2024, quando foi colocado à venda, era oferecido de forma privada por cerca de US$ 538 milhões . A propriedade tem 68 quartos, uma lagoa, um anfiteatro em estilo grego e ocupa uma área de 271 acres. Um dos elementos mais conhecidos da villa é um túnel secreto, acessível apenas por barco, que levava os visitantes a uma caverna antes da subida por elevador até a casa no alto da colina.
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Apesar do luxo e do histórico de encontros diplomáticos, a residência ficou associada na imprensa internacional ao universo de escândalos que cercou Berlusconi, incluindo as chamadas festas “bunga-bunga”. Esses eventos privados estiveram no centro de um processo judicial relacionado a acusações de prostituição de menor, corrupção e abuso de poder.
Berlusconi acabou absolvido das acusações. O mesmo não ocorreu com Nicole Minetti, ex-higienista dentária e personalidade televisiva, condenada por seu envolvimento no recrutamento de mulheres para os eventos. O caso voltou a ganhar destaque recentemente por causa de repercussões no Ministério da Justiça do atual governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
A Villa Certosa também foi alvo de constrangimento público quando surgiram fotografias do então primeiro-ministro tcheco Mirek Topolanek em uma situação comprometedora durante uma visita à propriedade.
Segundo as informações divulgadas, a compra foi feita por meio de um veículo de investimento sediado em Luxemburgo e ligado à família Al Thani, dinastia que governa o Catar há mais de 150 anos. A aquisição amplia a presença da família real catariana na Sardenha, onde já há investimentos em turismo de luxo e no hospital Mater Olbia, uma das principais unidades privadas de saúde da região.
A venda também ajuda a reorganizar a herança deixada por Berlusconi, morto em junho de 2023. Desde então, seus cinco filhos têm administrado o vasto patrimônio do ex-primeiro-ministro e magnata da mídia. Entre os principais beneficiários do testamento estão Marta Fascina, ex-companheira de Berlusconi, e Paolo Berlusconi, irmão do ex-premiê, que receberam 100 milhões de euros cada.
Com a transação, a Villa Certosa deixa de pertencer à família Berlusconi, embora permaneça ligada à memória de um período em que poder político, fortuna, televisão, diplomacia e escândalos se misturaram no centro da vida pública italiana.

