A Copa do Mundo é um lugar repleto de histórias memoráveis. E certamente o torneio de 2026 terá um capítulo para Eloy Room, de Curaçao. Na estreia, o goleiro sofreu sete gols da Alemanha. Seis dias depois, defendeu os 15 chutes que foram em sua direção contra o Equador e foi fundamental na conquista do primeiro ponto da história do país em Copas do Mundo.
O número fez com que Room quebrasse o recorde de defesas em um único jogo de Copa, considerando as partidas decididas em 90 minutos, além de manter Curaçao vivo no torneio. Agora, quer repetir a dose e ajudar seu país a conquistar a primeira vitória na competição, hoje, contra a Costa do Marfim, às 17h (de Brasília), na Filadélfia, e uma inesperada classificação para a segunda fase.
Aos 37 anos, Room virou um dos personagens mais improváveis desta Copa. É o jogador mais velho da sua seleção, atua na segunda divisão dos EUA e chegou ao torneio longe dos holofotes. Apesar disso, bastaram 90 minutos contra o Equador para que ele passasse a ser reconhecido e, inclusive, exigisse, em tom de brincadeira, uma estátua na ilha.
— Acho que agora preciso de uma estátua em Curaçao. Fico um pouco irritado por não ter batido o recorde do Tim Howard. Vi aquele jogo dele contra a Bélgica. Ele devia estar em casa, suando, assistindo — disse o goleiro depois da partida, lembrando o recorde do goleiro dos EUA, que fez 16 defesas contra a Bélgica nas oitavas de final da Copa de 2014.
A atuação histórica veio após a derrota de Curaçao por 7 a 1 para a Alemanha na primeira partida da seleção em Mundiais. Room não teve culpa nos gols alemães e, ainda por cima, fez duas defesas importantes que evitaram um placar ainda mais elástico. Mesmo assim, seguiu trabalhando para colocar seu nome em destaque.
E mais do que isso, Room mostrou todo o seu lado humano na Copa. Mesmo recebendo agradecimentos e parabéns após a partida contra o Equador, o goleiro fez questão de aproveitar o ponto mais alto de sua carreira para homenagear um ex-companheiro de profissão: Jairzinho Pieter, que esteve ao seu lado na seleção até 2019, quando morreu aos 31 anos, em decorrência de um ataque cardíaco em Porto Príncipe, no Haiti, enquanto estava concentrado com a delegação para uma partida pela Liga das Nações da Concacaf.
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Nascido na Holanda, Room defendeu as seleções de base do país antes de optar por representar a terra de seu pai. Ele aceitou o desafio e, desde 2015, defende a seleção de Curaçao. Em pouco mais de dez anos, são 74 jogos pelo país, com 135 gols sofridos, uma campanha até as quartas de final da Copa Ouro e a classificação histórica para a Copa do Mundo.
Room cresceu admirando o holandês Edwin van der Sar, mas tem um brasileiro como sua principal referência na posição: Dida.
— É uma história engraçada. Claro que eu admirava Van der Sar porque cresci na Holanda, e ele foi um dos maiores goleiros da história. Mas eu era muito fã do Dida, goleiro do Brasil que jogava pelo Milan. Eu sempre gostei do estilo de jogo dele, era um exemplo para mim. Ele não é holandês, mas um brasileiro excelente. Mas Van der Sar foi um dos primeiros que fizeram meus olhos brilharem — contou Eloy ao site 365scores.
Com pouco mais de 150 mil habitantes, Curaçao já entrou para a história como o país de menor população a disputar um Mundial. Agora, sonha alcançar um feito ainda maior: classificar-se pela primeira vez para o mata-mata da competição. Boa parte dessa esperança está nas mãos de Room, que tem tudo para virar um herói nacional.

