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Nova análise mostra como os substitutos do açúcar podem afetar a saúde intestinal e o metabolismo; entenda

BRCOM by BRCOM
julho 1, 2026
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Nova análise mostra como os substitutos do açúcar podem afetar a saúde intestinal e o metabolismo; entenda


Os adoçantes artificiais são frequentemente comercializados como opções mais saudáveis ao açúcar. No entanto, um crescente número de evidências científicas aponta para riscos associados ao consumo destes compostos. O estudo mais recente, publicado na revista científica Current Atherosclerosis Reports, indica que essas substâncias podem estar interferindo em nosso metabolismo.
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Uma nova revisão e meta-análise realizada por pesquisadores do Food is Medicine Institute da Escola Friedman de Ciência e Política Nutricional da Universidade Tufts, reúne as melhores evidências disponíveis sobre como esses compostos afetam a saúde. Ao analisar 21 ensaios clínicos randomizados com adultos, os pesquisadores observaram que adoçantes artificiais e outros de baixa caloria elevaram os níveis de insulina em jejum e de hemoglobina glicada (HbA1c) – um marcador do controle glicêmico a longo prazo -, e demonstraram uma tendência de piora na sensibilidade à insulina. O uso de adoçante foi comparado com com água ou um placebo não calórico.
“O que torna nossa análise notável é que, ao focar em comparadores não calóricos, conseguimos isolar melhor os efeitos fisiológicos diretos dos próprios adoçantes, e não das calorias que eles substituem”, afirma a autora principal, Meng Wang, professora assistente de pesquisa na Escola Friedman de Ciência e Política Nutricional. “Ao agregar os resultados de estudos individuais, observamos indícios de que esses compostos podem causar prejuízos metabólicos.”
Uma explicação baseada nas evidências atuais, segundo os pesquisadores, envolve o microbioma intestinal. Os adoçantes geralmente passam pelo trato intestinal e entram em contato direto com esses microrganismos. Em um dos estudos analisados ​​— que utilizou um perfil detalhado do microbioma combinado com experimentos de transferência de microrganismos de humanos para camundongos —, constatou-se que certos adoçantes de baixa caloria alteravam tanto a composição quanto a função da microbiota intestinal.
Além dos ensaios randomizados, os pesquisadores analisaram grandes estudos observacionais, que geralmente apontaram uma associação entre o consumo de adoçantes e um risco maior de doenças cardiometabólicas. A equipe ressalta que esses estudos apresentam limitações, uma vez que pessoas que já apresentam risco para essas condições podem ser mais propensas a escolher tais produtos.
Diferentes adoçantes também podem ter efeitos distintos na saúde; portanto, agrupá-los pode ocultar o cenário completo. No entanto, ao considerar esses dados com os resultados dos ensaios clínicos, os pesquisadores afirmam que o conjunto geral de evidências suscita preocupação.
“O uso crescente desses adoçantes superou nossa compreensão sobre seus efeitos na saúde a longo prazo”, afirma o autor sênior do estudo, Dariush Mozaffarian, cardiologista e diretor do Food is Medicine Institute. “É preciso cautela até que saibamos mais. Se você estiver substituindo grandes quantidades de açúcar adicionado na dieta — como o consumo de várias porções de refrigerante —, esses adoçantes de baixa caloria podem ser uma alternativa melhor. No entanto, não podemos simplesmente presumir que sejam seguros e inócuos; evitá-los sempre que possível parece ser uma escolha prudente.”
Por fim, os pesquisadores destacam uma lacuna na política de rotulagem dos EUA que dificulta as pesquisas. As regulamentações atuais exigem que os fabricantes listem os adoçantes não nutritivos na relação de ingredientes, mas não a quantidade utilizada. Isso dificulta a avaliação precisa do consumo desses adoçantes e a obtenção de evidências mais conclusivas sobre os riscos à saúde em grandes estudos populacionais ou comunitários.
A revisão ressalta a necessidade de novos ensaios clínicos randomizados e bem delineados, que abordem tanto os fatores de risco cardiometabólicos quanto os mecanismos biológicos subjacentes.
Adoçantes e cognição
Outro trabalho recente, publicado na revista científica Neurology e realizado por pesquisadores brasileiros, mostrou que alguns adoçantes estão associados a um declínio cognitivo mais rápido. Os resultados mostraram que pessoas que consumiram as maiores quantidades diárias de adoçante apresentaram declínios um declínio 62% mais rápido, em comparação com aquelas que consumiram as menores quantidades. Isso equivale a cerca de 1,6 ano de envelhecimento.
Aqueles no grupo intermediário apresentaram um declínio 35% mais rápido do que o grupo mais baixo, equivalente a cerca de 1,3 ano de envelhecimento. Em relação ao declínio da fluência verbal, os participantes nos dois grupos de mais alto consumo apresentaram taxas 110% e 173% maiores, respectivamente. Os maiores consumidores também tiveram uma taxa de declínio de memória 32% mais alta que os demais.
Ao analisar adoçantes individualmente, o consumo de aspartame, sacarina, acessulfame-k, eritritol, sorbitol e xilitol foi associado a um declínio mais rápido na cognição geral, particularmente na memória. Por outro lado, não foi encontrada nenhuma relação entre o consumo de tagatose e o declínio cognitivo. No entanto, isso não significa que seu consumo esteja liberado e ela seja totalmente segura.
Em relação às formas como o adoçante poderia prejudicar a saúde cerebral, existem algumas hipóteses, como neurotoxicidade e neuroinflamação provocados por produtos resultantes da degradação dos adoçantes artificiais.
Outra possível explicação seria o potencial dos adoçantes artificiais de alterar a microbiota intestinal, o que pode impactar a tolerância à glicose e afetar a integridade da barreira hematoencefálica, uma estrutura que envolve e protege o sistema nervoso central de agressores, sejam moléculas ou microrganismos.

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