As três partidas do Marrocos na fase de grupos, incluindo a estreia contra o Brasil, tiveram uma certeza: Ismael Saibari encontrou as redes. Já o Canadá protagonizou o 6 a 0 contra o Catar, uma das grandes goleadas desta Copa do Mundo, com a trinca de gols de Jonathan David. Os atacantes estão entre os destaques das seleções que abrem as oitavas de final, às 14h de hoje (horário de Brasília), em Houston, e ajudam a explicar um torneio que vem sendo atribuído à “diáspora”: nenhum deles nasceu no país que defende.
Saibari é um dos destaques da Copa e foi anunciado há três dias como reforço do Bayern de Munique, que pagou 55 milhões de euros (cerca de R$ 325 milhões) ao PSV, segundo a imprensa alemã. Filho de marroquinos, o jogador de 25 anos nasceu na Espanha e depois se mudou para a Bélgica, onde começou sua formação no futebol. Porém, optou por defender a seleção do país de origem da família.
A equipe do Marrocos fez história ao enfrentar o Brasil, por ter sido a primeira em Copas a escalar 11 titulares que nasceram fora do país. Outros exemplos são o lateral-direito Achraf Hakimi, estrela do time também nascida na Espanha, e o goleiro Yassine Bounou, nascido no Canadá, adversário de hoje. Três jogadores nasceram na Holanda e ajudaram a eliminá-la na segunda fase.
Por sinal, a equipe africana é a que mais teve gols da diáspora: seis, assim como a Noruega — beneficiada por Erling Haaland (cinco gols nesta Copa), que nasceu na Inglaterra porque o pai, Alf-Inge, jogava no Leeds United à época de seu nascimento, mas se mudou para o país da família com três anos
Dos 256 gols feitos na Copa até aqui (desconsiderando o último jogo da segunda fase, entre Colômbia e Gana), os jogadores nascidos fora dos países que defendem foram responsáveis por 54 (21,1%), segundo levantou o GLOBO. A maior parte (22) saiu na última rodada da fase de grupos, que também teve o jogo que mais contribuiu para o levantamento: foram quatro na vitória do Marrocos sobre o Haiti por 4 a 2.
A estatística não se distancia da proporção de jogadores totais neste Mundial. Números do GLOBO mostram que 292 dos 1.248 atletas convocados para o Mundial (ou 23,4%) não nasceram nos países que defendem — média de um a cada quatro.
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Jonathan David traz outro tipo de história, que atravessa quatro países. O jogador de 26 anos é filho de haitianos e nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, mas a família voltou para Porto Príncipe, capital do país caribenho, quando ele tinha três meses. Só que, aos seis anos, eles se mudaram para Ottawa, capital do Canadá, para ficar em definitivo. Foi lá que o atacante da Juventus deu os primeiros passos no futebol.
Maior artilheiro da história da seleção canadense, David chegou a 42 gols pelo país após protagonizar a principal atuação identificada pelo levantamento.
Entre os jogadores que atuam em seleções ainda vivas na Copa, Julián Quiñones é outro dos que exemplificam a diáspora. O atacante do México, que tem três gols e marcou o primeiro desta edição da Copa, na vitória sobre a África do Sul, é colombiano.
O jogador de 29 anos iniciou a carreira em um clube amador de Cali, mas a primeira oportunidade como profissional veio no Tigres, do México. Apesar de ter sido convocado pela Colômbia, em 2023, Quiñones já estava decidido a defender o futebol mexicano, “cansado de ser ignorado”, segundo dizia a imprensa local à época.
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Ontem, Cabo Verde se despediu heroicamente após perder por 3 a 2 para a atual campeã Argentina, na prorrogação. Uma seleção com 14 de 26 jogadores frutos da diáspora marcou com dois deles, ambos nascidos na Holanda: o meia Deroy Duarte e o lateral Sidny Lopes Cabral.

