Após atravessar a Jamaica e Cuba, o furacão Melissa agora avança em direção às Bahamas, deixando um rastro de destruição por onde passa. Até o momento, foram contabilizadas ao menos 30 mortes em quatro países no Caribe, sendo a maioria delas no Haiti, embora esses números ainda possam aumentar conforme as buscas por desaparecidos continuam. O furacão Melissa atingiu a Jamaica na terça-feira como uma das tempestades de categoria 5 mais fortes já registradas. Depois, atingiu o leste de Cuba, após perder força e ser rebaixado para categoria 3. A tempestade, agora de categoria 2, ainda é ameaçadora, com ventos sustentados de 160 km/h e força suficiente para causar mais danos.
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Até o momento, o Haiti foi o país com mais mortes decorrentes da tempestade. Foram cerca de 20 pessoas, incluindo crianças, mortas na comunidade haitiana de Petit-Goâve. Os números ainda são incertos, com algumas fontes reportando 23 ou 25 mortos. Inundações repentinas alagaram mais de 160 casas, afirmou Ronald Louis, gerente técnico do Comitê Municipal de Proteção Civil. Outras 12 pessoas continuam desaparecidas.
Na Jamaica, três corpos foram encontrados em Black River, St. Elizabeth, após a passagem do furacão Melissa, elevando o total e mortes para seis — o país já javia reportado três mortes antes do furacão tocar o solo. Também foram reportadas três mortes no Panamá e uma na República Dominicana.
Segundo o americano Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês),a previsão é de que o furacão Melissa atravesse o sudeste ou o centro das Bahamas mais tarde durante o dia e passe perto ou a oeste de Bermudas entre a noite desta quinta-feira ou a madrugada de sexta.
Antes de seguir para as Bahamas, o furacão Melissa atingiu Cuba nesta quarta-feira, com ventos máximos sustentados de 195 km/h, de acordo com o NHC. O centro pediu aos moradores que “permanecessem abrigados” mesmo com a tempestade deixando a ilha em direção ao norte.
Segundo autoridades cubanas, 735 mil pessoas abandonaram suas residências, principalmente nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo, onde foi declarado “estado de emergência”.
“Foi uma manhã muito difícil”, disse o presidente cubano Miguel Díaz-Canel nas redes sociais, citando os “grandes danos” na ilha comunista que enfrenta sua pior crise econômica em décadas.
Moradores do leste de Cuba enfrentaram casas inundadas e desabadas, ruas alagadas, janelas quebradas, cabos de energia caídos e telhados e galhos de árvores arrancados em meio a ventos fortes. Alguns carregavam entes queridos que não conseguiam andar por conta própria e os braços cheios de pertences reunidos às pressas.
“Uma casa desabou em Mariana de la Torre. Deus meu, por favor”, relatou um morador de Santiago de Cuba em uma mensagem no Facebook. “Todos estamos inundando aqui”, alertou outra moradora na mesma rede social.
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Antes da chegada do furacão, a companhia cubana de eletricidade desligou o Sistema Elétrico Nacional nas províncias de Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo.
Em El Cobre, cidade de Santiago de Cuba, equipes da Defesa Civil tentavam resgatar 17 pessoas ilhadas após o transbordamento de um rio e um deslizamento de terra. Segundo o Cubadebate, na Serra Maestra, “as águas descem com força, arrastando tudo em seu caminho” devido ao transbordamento dos rios e afluentes.
A dimensão total dos danos causados pelo furacão ainda não está clara. Uma avaliação completa pode levar dias, visto que as redes de comunicação também estão gravemente afetadas em toda a região.
O furacão Melissa atingiu a Jamaica como uma tempestade poderosa e destrutiva, com ventos sustentados de 298 km/h que varreram o país com chuvas torrenciais e potencialmente fatais. Muitas casas foram destruídas e cerca de 25 mil pessoas buscaram refúgio em abrigos.
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Nesta quarta-feira, autoridades governamentais afirmaram que a prioridade é restabelecer os serviços de energia e telecomunicações em toda a ilha para avaliar melhor os danos. Estima-se que cerca de três quartos da ilha (aproximadamente 500 mil pessoas) ficaram sem energia elétrica e muitas partes da costa oeste foram submersas.
Imagens da região mostram árvores derrubadas, carros destruídos, postes de energia elétrica caídos e casas arruinadas, um retrato da destruição que só agora começa a se formar, já que a avaliação tem sido dificultada pela falta de energia e de comunicações em toda a ilha caribenha.
Um pouco mais acima na costa do Rio Negro, Andrew Houston Moncure refugiou-se com sua esposa e seu filho de 20 meses no térreo de um hotel de luxo de sua propriedade em Bluefields. Não é o primeiro furacão que ele enfrenta, mas “nunca foi tão ruim”, disse ele à AFP.
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— Foi a experiência mais aterradora, especialmente com meu filho. A pressão é tão baixa que é difícil respirar, e parece que um trem de carga está vindo em nossa direção — disse Houston Moncure, com a voz ainda trêmula de emoção.
O primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, declarou a ilha tropical, famosa pelo turismo, uma “área de desastre” depois que o furacão Melissa igualou o recorde de 1935 como a tempestade mais intensa a atingir a terra.
Os Estados Unidos enviarão equipes de resposta a desastres para os países caribenhos afetados pelo furacão Melissa, anunciou o Departamento de Estado nesta quarta-feira. O órgão também armazenou suprimentos em seis depósitos antes da tempestade, mas não ficou claro onde eles estavam localizados. Em anos anteriores, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) liderava os esforços de resposta a desastres relacionados a furacões no Caribe, mas o governo Trump fechou a agência no início deste ano.
De acordo com uma avaliação preliminar da Climate Central, o furacão foi potencializado pelas águas excepcionalmente quentes do Caribe — cerca de 1,4 °C acima da média. Esse aquecimento elevou a velocidade máxima dos ventos do Melissa em cerca de 16 km/h, aumentando em aproximadamente 50% o potencial de destruição.

