Os Estados Unidos iniciaram, nesta segunda-feira, em Houston, uma série de reuniões do G20 sobre “abundância energética”, tendo a Venezuela, sua nova parceira, como convidada, em meio à guerra iniciada por Donald Trump contra o Irã, que afetou o mercado global de combustíveis. Os debates, que se estendem até quarta-feira na cidade do estado do Texas, rico em petróleo, contam com a presença de delegações das maiores economias do mundo — incluindo China, Índia, Japão e Alemanha — e espera-se que incluam a participação de grandes produtores de petróleo, como Canadá e Arábia Saudita.
Quer morar fora? Veja guia interativo com informações sobre 36 países
Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
— Temos aqui todos os países do G20, além da Venezuela. A ideia é que o centro geopolítico do petróleo se desloque do Oriente Médio, com todas essas preocupações sobre a instabilidade na região, para o Hemisfério Ocidental — disse o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, em entrevista à Fox Business na segunda-feira.
Embora a delegação venezuelana não participe de reuniões ministeriais formais a portas fechadas, seus representantes participarão de diversas sessões bilaterais, eventos paralelos e conversas com a indústria.
A inclusão da Venezuela nas negociações do G20 — mesmo que o país não esteja entre as 20 maiores economias do mundo — é uma medida politicamente significativa que concede a Caracas maior visibilidade, acesso e relevância diplomática em um dos principais fóruns de energia do mundo. Reflete também os esforços do governo Trump para normalizar as relações com a Venezuela e aproveitar seus vastos recursos energéticos, que poderiam impulsionar a produção de petróleo bruto enquanto os conflitos no Oriente Médio interrompem o fluxo global de petróleo.
Inteligência Artificial: Líderes de tecnologia pressionam G20 por ‘data centers’, mas divergem sobre risco da IA
Trump instou as companhias petrolíferas a aumentarem a produção na Venezuela após a captura do ex-líder Nicolás Maduro pelas forças americanas em janeiro. Seu governo também promoveu um maior desenvolvimento dos recursos minerais sob a Presidência interina de Delcy Rodríguez.
O presidente americano anunciou recentemente um acordo petrolífero com a Venezuela que inclui uma participação de 35% dos EUA na North American Blue Energy Partners, bem como o direito dos Estados Unidos de comprar 20% da produção de petróleo bruto dos campos venezuelanos envolvidos, ao preço de custo.
A ministra dos Hidrocarbonetos da Venezuela, Paula Henao, deverá comparecer juntamente com Jovanny Martínez, vice-presidente executivo da estatal Petróleos de Venezuela SA, ou PDVSA, disse uma fonte oficial à Bloomberg.
Especialistas: Acordo EUA-Venezuela é imposição imperialista e acende alerta na América Latina
De acordo com um funcionário da Casa Branca, a participação da Venezuela esta semana em Houston reflete a visão do governo Trump de que o país deve fazer parte das negociações globais sobre abundância e segurança energética. E, considerando que Houston é amplamente considerada a capital mundial da energia — sede de empresas de petróleo e mineração que mantêm conversas sobre possíveis negócios na Venezuela —, a presença do país na reunião ministerial poderia facilitar novos acordos.
A reunião ministerial terá como foco a segurança energética, a abundância e o acesso à energia. Todas essas questões estão alinhadas com a ênfase dada por Trump à expansão da exploração de petróleo e gás.
Como presidente do G20 deste ano, os EUA têm a liberdade de convidar países não membros para participar como convidados nas reuniões, um poder que já utilizaram para ampliar a participação. Por exemplo, a Polônia participou das recentes Reuniões Ministeriais de Finanças e Inovação do G20 na Carolina do Norte, apesar de não ser membro permanente do fórum. O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, também participou da reunião, apesar da oposição de autoridades europeias.
Uma delegação russa também deverá participar da reunião ministerial de energia, disse Marat Berdyev, embaixador encarregado dos assuntos do G20, no Telegram. Um funcionário da Casa Branca confirmou a presença da Rússia.
Petróleo: Acordo de Trump gera alertas de que Venezuela pode se tornar colônia de recursos naturais
Os aliados europeus da Ucrânia, por sua vez, expressaram decepção com a decisão dos EUA de convidar a Rússia, o que contraria os esforços para excluir Moscou devido à guerra contra seu vizinho.
As reuniões estão ocorrendo em um momento em que os preços do gás e do petróleo estão subindo devido à guerra aberta no Oriente Médio, o que complica o abastecimento na Europa.
Uma das prioridades de Washington como anfitriã do G20 é expandir o acesso a energia acessível, confiável e segura, mas o fornecimento foi drasticamente afetado desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em fevereiro.
Os preços dispararam nos Estados Unidos, onde um galão de diesel (3,78 litros) atingiu um recorde histórico e está atualmente custando em média US$ 6,20, de acordo com a Associação Automobilística Americana.
Com AFP e Bloomberg.
A convite de Trump, Venezuela ganha visibilidade e espaço diplomático em cúpula do G20
Os Estados Unidos iniciaram, nesta segunda-feira, em Houston, uma série de reuniões do G20 sobre “abundância energética”, tendo a Venezuela, sua nova parceira, como convidada, em meio à guerra iniciada por Donald Trump contra o Irã, que afetou o mercado global de combustíveis. Os debates, que se estendem até quarta-feira na cidade do estado do […]