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a festa e a cidade evoluem juntas

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julho 30, 2025
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"A instalação da Flip gera uma percepção na cidade de como deve ser sua evolução física ao longo do tempo", diz Munhoz — Foto: Alexandre Cassiano

Desde 2003, o principal palco da Festa Literária de Paraty (Flip) passeou por alguns pontos da cidade: começou na Casa da Cultura, evoluiu para grandes tendas à margem do Rio Perequê-Açu, foi para a Igreja Matriz e, mais recentemente, ocupou a quadra de basquete da praça principal. Em 2025, o Auditório da Matriz vai estrear nova localização, com estrutura erguida no lugar do espaço do telão instalado nos anos anteriores: o estacionamento à direita do rio.

Enquanto operários corriam para deixar tudo pronto na véspera da abertura, o diretor artístico da Flip, Mauro Munhoz, explicou ontem que um dos papéis do evento é indicar as possibilidades de ocupação do Centro Histórico. Para ele, as mudanças refletem tanto a flexibilidade da Casa Azul, realizadora da festa, quanto a versatilidade de Paraty.

— A Flip funciona como esse laboratório de formas de urbanidade. Indica como ativar uma cidade tão singular, tão interessante como Paraty com atividades que mostram, para quem mora e para quem visita, o potencial de uma cidade quando cultura, arte e educação ocupam os espaços públicos — diz ele.

“A instalação da Flip gera uma percepção na cidade de como deve ser sua evolução física ao longo do tempo”, diz Munhoz — Foto: Alexandre Cassiano

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Munhoz ressalta que discutir a evolução urbana da cidade é tema caro à Casa Azul. Ao longo dos anos, junto com a prefeitura local, a associação contribuiu com o projeto de reforma da Praça da Matriz e com planos para as ciclovias que hoje existem à beira do rio.

— Este ano, experimentamos com estruturas temporárias o mesmo conceito de rampas, dando acessibilidade plena até o outro lado da praça. As pessoas de Paraty estão super envolvidas com isso. A instalação da Flip gera uma percepção na cidade de como deve ser sua evolução física ao longo do tempo.

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O Auditório da Praça, o popular telão, foi remanejado para a quadra de basquete — em uma das esquinas mais movimentadas da festa. Munhoz observa que o espaço aberto e gratuito vai combinar perfeitamente com o clima das ruas adjacentes:

— O Auditório da Praça tem uma relação muito legal com a própria rua. Os cafés, mesas e bares da rua ao lado irão criar uma conexão ainda maior com a vida cotidiana de Paraty. Desde o ano passado a gente tinha a intenção de colocar esse auditório sem parede, sem ingresso, gratuito, na quadra. No ano passado não foi possível porque ainda não conseguíamos trazer a Flip para julho, e o segundo semestre em Paraty estava coalhado de eventos. Como o auditório principal precisa de mais tempo de montagem, o espaço não estava disponível —lembra.

Além dos auditórios e das quase 40 casas parceiras, a programação oficial se espraia por outros endereços, como a Casa da Cultura e o Cinema da Praça. Este ano, uma das novidades será o Palco Caprichos & Relaxos, dedicado à leitura de poesia, onde autores como Joca Reiners Terron, Natasha Felix e Estrela Leminski, filha de Paulo Leminski, poeta homenageado pela Flip, vão se apresentar. A Casa Flip+ Motiva, parceria com a principal patrocinadora, também traz mesas e discussões literárias.

Visão aérea da Praça da Matriz, onde estão o auditório e a tenda da Flipinha — Foto: Márcia Foletto
Visão aérea da Praça da Matriz, onde estão o auditório e a tenda da Flipinha — Foto: Márcia Foletto

Criado para receber pequenas casas editoriais, o Auditório do Areal, do outro lado da ponte, no bairro Pontal, ganhou programação robusta e se consolida como nova arena de debates.

— No começo, achavam que o Auditório do Areal ia flopar — comenta Munhoz. — Era um lugar para editoras independentes lançarem livros, fazerem mesas. Mas ficou tão bacana que hoje as grandes editoras disputam espaço ali. A programação poderia facilmente ser a de uma festa literária por si só.

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