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novembro 7, 2026
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A funda de Golias

Por · novembro 7, 2026
A funda de Golias


James Talarico, eleito senador pelo estado do Texas, fez um notável discurso de vitória, no qual se comparou a Davi lutando contra Golias. O gigante, na metáfora de Talarico, seriam os grandes oligarcas, como Elon Musk, que gastaram largos milhões de dólares tentando influenciar o resultado das eleições. O diferencial, na metáfora já tão gasta, foi comparar a funda com que Davi derrubou Golias ao povo que o elegeu.
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Mas será que os oligarcas foram mesmo derrubados?
Longe disso.
Nestas mesmas eleições, e no momento em que escrevo esta coluna, tudo indica que os eleitores da Califórnia terão rejeitado uma proposta para a criação de um imposto extraordinário de 5% sobre o patrimônio dos residentes com fortunas superiores a US$ 1 bilhão. A receita seria destinada à saúde pública.
Convém acrescentar que a campanha contra o imposto sobre as fortunas angariou mais de US$ 330 milhões, contra cerca de 33 milhões dos seus defensores. Só Sergey Brin, um dos fundadores da Google, contribuiu com mais de US$ 100 milhões para o esforço de propaganda contra a proposta. Ou seja, Golias ganhou, servindo-se exatamente da mesma funda que usou James Talarico — o povo.
Os grandes oligarcas, ligados a uma meia dúzia de gigantescas empresas tecnológicas, constituem hoje a maior ameaça aos regimes democráticos. A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato abriu uma pequena janela de esperança. Talvez ainda seja possível impedir os bilionários de “comprar” as democracias. Não me parece, contudo, um desafio fácil.
Poucas horas após a esmagadora derrota republicana, a Casa Branca publicou uma mensagem nas redes sociais, acompanhada por uma fotografia de Donald Trump, com expressão ameaçadora: “Aviso de interesse público: Trump continua a ser o vosso presidente. Agradecemos a atenção dispensada a este assunto.”
É curioso que a Casa Branca tenha sentido a necessidade de informar os cidadãos de algo tão óbvio. Seguindo a mesma lógica, podiam ter escrito, por exemplo: “Aviso de interesse público: Trump continua a ser um sujeito grosseiro e cor de laranja. Agradecemos a atenção dispensada a este assunto.”
O aviso da Casa Branca sugere uma enorme insegurança. Donald Trump continua a ser presidente, sim, mas não muito. Nas próximas semanas saberemos se os republicanos ainda são capazes de se insurgir contra ele.
As primeiras pedras foram atiradas pela mais famosa dissidente do movimento MAGA, Marjorie Taylor Greene: “A culpa é de Donald Trump. Ele disse aos eleitores que votassem como se o nome dele estivesse no boletim. Pois bem, foi exatamente isso que fizeram. (…) Se o Partido Republicano quiser ter alguma hipótese de futuro, terá de expulsar Donald Trump. Ele destruiu completamente o partido.”
Para alguns democratas as palavras de Greene talvez soem como uma doce profecia. Eventualmente, nem se esforçarão por destituir Donald Trump. Hão de preferir vê-lo sangrar durante dois longos anos, assistindo, com agrado, ao lento apodrecimento do partido rival.
JD Vance, pelo contrário, seria o principal beneficiário constitucional de um eventual afastamento de Trump. Provavelmente está procurando uma funda. Receio que essa funda sejam os oligarcas.

A funda de Golias