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A heroína que impediu tragédia maior com Césio 137

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março 30, 2026
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Saco de estopa que Maria Gabriela usou para levar césio à Vigilância Sanitária — Foto: Divulgação/CNEN

Quando o Brasil conheceu Maria Gabriela Ferreira, ela já estava severamente afetada pelos efeitos do Césio 137. Uma das primeiras pessoas contaminadas na tragédia de 1987 que vem sendo resgatada pela série “Emergência Radioativa”, da Netflix, a mulher de 37 anos foi uma das quatro vítimas mortas, em outubro daquele ano, pela exposição ao material tóxico. Durante seu enterro, em Goiânia, houve um protesto de moradores da cidade que estavam com medo de o corpo dela contaminasse o solo. Hoje, porém, muita gente na capital de Goiás lembra de Maria Gabriela como uma heroína.

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A dona de casa era descrita como uma pessoa alegre e brincalhona, mas isso mudou quando seu marido, Devair Alves Ferreira, chegou em casa com algo que ninguém sabia o que era. Dono de um ferro-velho que ficava no mesmo lote da residência, Devair comprara uma cápsula de chumbo que dois catadores de sucata tinham furtado do prédio abandonado onde havia funcionado o Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Ao abrir a peça de 100kg para revender o chumbo, o comerciante se encantou com o brilho azulado do material que tinha lá dentro, sem saber que era altamente radioativo.

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“Quando apaguei as luzes do ferro-velho e vi que a pedra brilhava, me apaixonei e fui correndo mostrar para a Gabriela, que imediatamente fez cara feia e pediu que eu a levasse embora”, contou o homem de então 35 anos, segundo uma reportagem do Jornal O GLOBO em novembro de 1987, quando a mulher já tinha morrido. “Parecia que ela estava sabendo que isso tudo pudesse acontecer”.

Saco de estopa que Maria Gabriela usou para levar césio à Vigilância Sanitária — Foto: Divulgação/CNEN

De acordo com a reportagem, Devair contou que sua mulher pediu várias vezes para tirar a pedra de lá, mas que ele se apegou ao material, achando que poderia ser valioso. O comerciante disse que até brincava com o césio e chegou a colocar o veneno nos dentes. “Colocava meu copo de cerveja em cima da pedra e ficava me divertindo com aquele brilho azul. Usava uma chave de fenda pra tirar o pozinho da pedra e jogava por toda a casa. Era lindo. Tudo brilhava. Um dia, passei o pó nos dentes para assustar a Gabriela, e depois eles ficaram moles. Era estranho. Ela sempre brigava”.

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Irmão de Devair, Ivo Ferreira também ficou encantado com o brilho azulado do material e levou um pouco para sua casa, onde mostrou para a filha, Leide das Neves, de 6 anos. Segundo o dono do ferro-velho, a menina, que seria a primeira a morrer devido à contaminação por césio, passava o dia todo brincando com o pozinho em seu corpo. “Ela parecia uma índia, toda colorida”, disse o comerciante. De acordo com reportagens da época, a criança chegou a ingerir um pouco da substância, quando comeu um sanduíche com as mãos sujas depois de brincar com o pozinho azulado.

Devair Alves Ferreira: dono do ferro-velho onde cápsula com Césio 137 foi aberta — Foto: Arquivo/Agência O GLOBO
Devair Alves Ferreira: dono do ferro-velho onde cápsula com Césio 137 foi aberta — Foto: Arquivo/Agência O GLOBO

Depois que os membros da família começaram a ficar doentes, Gabriela deduziu que pedra trazida pelo marido era a origem do problema e decidiu se livrar daquela coisa. Com ajuda de um funcionário do ferro-velho, ela levou o material até a Vigilância Sanitária. Só então as autoridades souberam do acidente. Dias depois, um monitoramento do governo identificou mais de 240 pessoas contaminadas, mas, na época, técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) disseram que, se não fosse pela atitude de Maria Gabriela, esse número poderia ser muito maior.

Na série da Netflix, Maria Gabriela é representada pela personagem Antônia Quadrado, vivida por Ana Costa. O marido de Antônia se chama Evenildo (Bukassa Kabengele ). A produção remonta o calvário da mulher de 37 anos de idade, que começou a ser atendida em Goiânia e foi transferida para um hospital especializado no Rio, mas não resistiu aos efeitos da radiação. Ela morreu no dia 23 de outubro de 1987, horas depois de sua sobrinha Leide. No enterro das duas, em Goiânia, houve um protesto de dezenas de pessoas com medo de que os corpos delas contaminassem o solo.

“Maria Gabriela salvou Goiânia e foi apedrejada na hora de ser sepultada, quando deveria ser recebida com flores”, disse Devair, que precisou lidar com o ressentimento dos familiares que o culpavam por tudo que tinha acontecido (“Meus irmãos não querem mais sabe de mim”). Como o ferro-velho foi desativado, o comerciante ficou desempregado e convivendo com sequelas da radiação. Antes do acidente, as pessoas diziam que Devair estava sempre com um copo de cerveja na mão. Depois da tragédia, ele se entregou ao vício. Morreu em 1994 de cirrose hepática.


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