BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Absorvemos melhor as informações no papel do que em telas? Veja o que diz a psicologia

BRCOM by BRCOM
maio 11, 2026
in News
0
Você sabe qual é o hábito que as pessoas mais inteligentes praticam?


O governo da Suécia anunciou recentemente que está deixando de usar dispositivos digitais em sala de aula para retomar o uso de livros físicos. A decisão foi motivada por preocupações com a queda no desempenho em testes e o aumento do tempo de exposição às telas.
Hantavírus: existe a possibilidade de uma pandemia?
Luto: 6 frases que não devem ser ditas para quem está passando por uma perda
Mas essas preocupações têm fundamento? E o que a ciência da leitura diz sobre as possíveis consequências da leitura em dispositivos digitais em comparação aos livros?
Para responder a essas questões, vale lembrar que, embora ler possa parecer uma tarefa simples, essa impressão é enganosa. Ler é, possivelmente, uma das atividades mais difíceis que precisamos aprender — algo que exige anos de educação formal e prática para ser dominado. Diferentemente da linguagem falada, a leitura não é uma habilidade para a qual somos biologicamente predispostos.
Por que ler é tão difícil?
Para entender por que a leitura é complexa, primeiro é preciso compreender sua fisiologia.
Enquanto você lê esta frase, seus olhos realizam uma série de movimentos rápidos, chamados sacadas, de uma palavra para outra. Durante esses movimentos, o processamento das informações visuais é temporariamente interrompido e só volta a ocorrer em breves intervalos chamados fixações, quando os olhos permanecem parados.
Experimentos que medem os movimentos oculares dos leitores mostram que fixamos o olhar na maioria das palavras porque nossa capacidade de extrair informações visuais durante cada fixação é extremamente limitada.
Em idiomas como o inglês, lido da esquerda para a direita, nossa capacidade de perceber as características que diferenciam as letras está restrita a uma pequena região do campo visual chamada “amplitude perceptiva”. Essa área se estende de 2 a 3 espaços de letras à esquerda da fixação até 8 a 12 espaços à direita.
A assimetria dessa amplitude reflete o movimento da atenção ao longo do texto. Em línguas como o árabe, lidas da direita para a esquerda, ela se estende na direção oposta. Já em sistemas de escrita mais densos, como o chinês, essa amplitude é menor.
Também sabemos, por meio de experimentos de rastreamento ocular e de neuroimagem, que as palavras levam tempo para serem identificadas. As melhores estimativas indicam que as informações visuais levam cerca de 60 milissegundos para ir dos olhos ao cérebro, e as palavras exigem mais 100 a 300 milissegundos para serem reconhecidas. (Um milissegundo corresponde a um milésimo de segundo.)
Essas limitações fazem com que a velocidade máxima de leitura fique entre 300 e 400 palavras por minuto, dependendo da dificuldade do texto e do nível de compreensão do leitor.
Defensores da chamada “leitura dinâmica”, que prometem velocidades muito maiores, geralmente ensinam técnicas de leitura superficial. Porém, a compreensão diminui em uma proporção inversa ao aumento da velocidade.
É importante destacar que atingir o limite máximo de velocidade de leitura exige anos de prática, pois depende de uma coordenação altamente eficiente entre os sistemas cerebrais responsáveis pela visão, atenção, identificação de palavras, processamento da linguagem e movimentos oculares. Qualquer fator que prejudique essa coordenação tende a reduzir a compreensão.
Consequências da leitura digital
Então, quais são as possíveis consequências da leitura digital?
Em alguns dispositivos, como leitores digitais (e-readers), há poucos motivos para acreditar que a leitura digital seja diferente da leitura em livros físicos, já que ambos os formatos favorecem os processos mentais necessários para uma leitura eficiente.
Os dispositivos mais problemáticos são aqueles que introduzem distrações — como sites de notícias repletos de anúncios — ou que apresentam formatações inadequadas, como textos centralizados com espaços grandes ou irregulares entre as palavras. Esse tipo de formatação raramente aparece em textos impressos.
Embora as consequências desses fatores ainda sejam pouco estudadas, já sabemos o suficiente sobre a cognição humana para fazer previsões fundamentadas.
Por exemplo, imagens e áudios sem relação com o texto, como anúncios pop-up, podem capturar a atenção do leitor. Embora a maioria dos adultos tenha desenvolvido um nível de controle executivo suficiente para ignorar essas distrações, crianças pequenas ainda não possuem essa capacidade plenamente desenvolvida.
As implicações para uma criança que já enfrenta dificuldades para compreender um texto são evidentes. A compreensão será prejudicada na medida em que ela precisar fazer um esforço extra para ignorar distrações — ou caso ainda não tenha desenvolvido a coordenação mental necessária para manter o foco no texto.
Também há evidências, obtidas em experimentos de rastreamento ocular, de que muitos ambientes digitais, como páginas da internet, estimulam estratégias específicas de leitura, como ler rapidamente para captar apenas a ideia geral ou buscar informações pontuais.
Embora essas estratégias possam ser úteis em alguns contextos, elas reduzem a compreensão global do texto. Essa possibilidade é especialmente preocupante para crianças, já que são necessários anos de prática para desenvolver a coordenação dos sistemas mentais que sustentam a leitura madura.
Essas preocupações ganharam ainda mais atenção recentemente, porque a pandemia de COVID-19 provocou uma migração para a educação online e um aumento significativo da leitura digital. Embora essas mudanças tenham sido motivadas por necessidade prática, suas consequências de longo prazo ainda não estão claras.
Até agora, as pesquisas de rastreamento ocular foram realizadas principalmente em telas de computador. Novas tecnologias estão surgindo e permitirão comparar diretamente os movimentos oculares e a compreensão em dispositivos digitais e no papel. Isso deve trazer mais clareza sobre os benefícios e os custos do uso de dispositivos digitais.
Considerando que a capacidade de leitura está relacionada ao nível educacional, à condição socioeconômica e ao bem-estar das pessoas, é impossível exagerar a importância de avaliar as consequências de longo prazo da leitura digital.
* Erik D. Reichle e Lili Yu são professores de psicologia cognitiva na Universidade Macquarie.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

Absorvemos melhor as informações no papel do que em telas? Veja o que diz a psicologia

Previous Post

Evolução urbana redefine segurança em condomínios

Next Post

Funcionário relata ofensa xenofóbica durante confusão com Ed Motta em restaurante no Rio: 'Paraíba, nunca mais volto aqui'

Next Post
Funcionário relata ofensa xenofóbica durante confusão com Ed Motta em restaurante no Rio: 'Paraíba, nunca mais volto aqui'

Funcionário relata ofensa xenofóbica durante confusão com Ed Motta em restaurante no Rio: 'Paraíba, nunca mais volto aqui'

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.