Ana Cristina Gomes aproveitava a tarde ensolarada do último domingo (03) para caminhar pela orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio, quando o passeio agradável virou um trauma. Por volta das 14h30, ela foi atropelada por um patinete elétrico na ciclovia, altura da rua Constante Ramos, no posto quatro. Na queda, sofreu um profundo corte na perna esquerda, foi socorrida por testemunhas e levado ao hospital Copa D’or, onde levou seis pontos. No dia seguinte, usou as redes sociais para relatar o episódio e cobrar mais fiscalização. O caso reacende a discussão sobre a falta de regulamentação desses veículos.
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Segundo a pedestre, ela caminhava pela ciclovia quando foi atingida por trás e derrubada no chão. “Felizmente, não bati a cabeça”, disse em sua postagem. Antes mesmo de entender o que havia acontecido, testemunhas já estavam próximas para auxiliar no seu socorro.
Uma delas foi Eduarda Castilho. Socorrista de formação, a moradora de Magé passeava na Praia de Copacabana com amigos e estava a poucos metros do atropelamento. Ela afirma que a situação ocorreu rapidamente e sem culpa da pedestre.
— Um adolescente estava passando de patinete e seguiu direto na direção da moça que caminhava na ciclovia. Ele a atingiu, se levantou rapidamente e saiu do local às pressas. Quando me aproximei já vi um grande sangramento na perna dela, busquei acalmá-la e tentei fazer um curativo com a camisa de um homem que também se exercitava na hora — contou Eduarda.
Apesar de haver regras, elas são frequentemente desrespeitadas. Apenas maiores de 18 anos podem conduzir patinetes, que devem transportar somente um usuário e, preferencialmente, com capacete. Mas basta observar a ciclovia para notar o descumprimento dessas normas.
Segundo a Prefeitura do Rio, os patinetes elétricos circulam de forma experimental, dentro do programa Sandbox, com licença temporária concedida à empresa Whoosh. A companhia é obrigada a compartilhar dados, promover campanhas educativas e orientar usuários.
Desde junho do ano passado, mais de dois milhões de corridas foram realizadas. Nesse período, mais de 10 mil usuários foram bloqueados por mau uso — punição aplicada após ultrapassagem de duas notificações.
Para Vivi Zampieri, gestora de Mobilidade Ativa da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio, acidentes como o de Ana Cristina poderiam ser evitados com maior fiscalização, mas isso depende de uma regulamentação clara.
— Poderia dizer que precisamos melhorar a fiscalização, mas, para isso, ela precisa existir. A verdade é que só será possível quando tivermos regulamentação. Hoje não há possibilidade de aplicação de penalidades no Rio — afirmou.
No dia 31 de maio, entrou em vigor o decreto de ordenamento da orla, publicado pelo prefeito Eduardo Paes, que proíbe a circulação e o estacionamento de veículos elétricos no calçadão. Porém, o texto não define onde e como esses veículos podem circular.
Foi o único avanço normativo após a Resolução 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em julho de 2023, que estabeleceu critérios para ciclomotores, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos — categoria na qual se enquadram os patinetes. Sem regras claras, eles continuam circulando em ciclovias, faixas de trânsito, calçadões, furando sinais e trafegando na contramão.
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Em entrevista ao GLOBO, Raphael Pazos, fundador da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio, destacou que, além da falta de regulamentação, a educação no trânsito precisa ser fortalecida.
— As pessoas estão deixando os automóveis em casa e adotando novos meios de mobilidade. Os vilões não são os patinetes, ciclomotores ou bicicletas elétricas, mas o próprio ser humano e seu comportamento no trânsito, que inclui calçadas e ciclovias. Muitos desconhecem o significado do compartilhamento saudável do espaço público — disse, defendendo campanhas de conscientização em instituições de ensino.