Um rompimento em um cabo de segurança foi a causa do acidente no Elevador da Glória, em Lisboa, Portugal, que deixou 15 mortos e 18 feridos nesta quarta-feira, segundo informações apuradas pelo jornal português Público.
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Especialistas ouvidos pelo jornal explicam que o sistema do tradicional ascensor, que liga o Largo dos Restauradores ao Bairro Alto, combina tração elétrica e um cabo responsável pelo contrapeso entre as duas cabines.
Testemunhas relataram ainda que, instantes antes da colisão, uma das cabines teria descido cerca de um metro, até que a outra, em alta velocidade, atingiu um prédio em uma curva da Calçada da Glória. Ainda não há confirmação se houve falha nos freios.
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Segundo o Público, a manutenção do elevador é realizada pela empresa privada MAIN – Maintenance Engineering, contratada pela empresa de transporte público Carris em agosto de 2022, após licitação. O contrato, de quase € 1 milhão (o equivalente a R$ 6,3 milhões), previa assistência permanente e substituição periódica do cabo a cada 1.500 dias de uso ou durante reparações intermediárias.
Trabalhadores da Carris já haviam denunciado deficiências no serviço terceirizado. O sindicato da categoria acusa a administração da empresa pública de ter desmontado deliberadamente a oficina própria e alerta que “a Carris sempre teve meios para realizar a manutenção de forma interna”.
Procurada pelo jornal português, a Carris afirmou, em nota, que todos os protocolos de manutenção foram cumpridos, incluindo inspeções diárias, revisões semanais e manutenções gerais a cada quatro anos, a última realizada em 2022.
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Histórico de problemas e investigação
Não é a primeira vez que o Elevador da Glória apresenta falhas. Em 2018, de acordo com o Público, o desgaste quase total de uma roda provocou o descarrilamento parcial do equipamento, sem deixar vítimas.
O acidente será investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), órgão português responsável por relatórios técnicos sobre desastres.
Segundo uma fonte ouvida pelo Público, a coleta de evidências no local só começará nesta quinta-feira devido à escassez de pessoal, um problema que vem sendo relatado pelo próprio gabinete em balanços recentes.
Cartão-postal da capital portuguesa, o Elevador da Glória é um dos pontos turísticos mais visitados de Lisboa, transportando diariamente milhares de pessoas entre a Baixa e o Bairro Alto.