Uma adolescente de 17 anos identificada como Tunchanok Donhomla foi encontrada morta e nua dentro de uma mala nas proximidades de uma linha férrea em Pattaya, na Tailândia. Segundo a polícia, a jovem morreu por asfixia. O corpo foi localizado nas primeiras horas de 27 de junho, cerca de 15 minutos depois da prisão do australiano Simon Peter Carman, de 45 anos, que, segundo as autoridades, estava “se preparando para fugir do país”.
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O chefe da polícia de Pattaya, Anek Srathongyoo, informou à BBC que a autópsia confirmou a asfixia como causa da morte. Tunchanok também sofreu uma lesão cerebral, mas o ferimento não foi responsável pela morte, segundo o policial.
— Ela também sofreu uma lesão cerebral, mas essa não foi a causa da morte — afirmou Anek.
De acordo com ele, a lesão pode ter ocorrido depois da morte, durante o transporte do corpo.
— Isso pode ter acontecido depois que ela morreu, enquanto o acusado transportava seu corpo em uma mala antes de abandoná-lo.
A polícia também encontrou no corpo de Tunchanok DNA compatível com o de Carman. Anek afirmou que o material genético provavelmente foi transferido quando o corpo foi colocado na mala.
Australiano é alvo de quatro acusações
A polícia acusa Carman de homicídio, ocultação ou remoção do corpo, sequestro de uma criança com mais de 15 e menos de 18 anos e retirada de uma criança com mais de 15 e menos de 18 anos para a prática de ato indecente.
Segundo Anek, Carman inicialmente não negou completamente todas as acusações e admitiu ter levado Tunchanok para sair.
— [Carman] não negou completamente todas as acusações inicialmente. Ele admitiu tê-la levado para sair.
Anek afirmou que, mesmo que Carman posteriormente se declare inocente perante a Justiça, a polícia considera ter reunido provas suficientes para sustentar a acusação.
— Dito isso, mesmo que posteriormente se declare inocente no tribunal, acredito que reunimos todas as provas de forma minuciosa e fechamos todas as brechas no caso para provar ao tribunal que ele cometeu esses crimes.
A polícia pretende encaminhar o caso aos promotores até sexta-feira. O prazo para apresentar as acusações contra Carman termina em 18 de setembro.
Câmeras mostram homem carregando mala
Imagens de câmeras de segurança divulgadas anteriormente supostamente mostram Carman entrando em um condomínio acompanhado de Tunchanok às 3h34 do horário local de 25 de junho.
Mais tarde, segundo um comunicado da polícia, ele deixou o local sozinho, carregando uma mala grande. O homem colocou a bagagem em uma motocicleta e seguiu em direção a uma linha férrea.
Posteriormente, o corpo de Tunchanok foi encontrado dentro da mala nas proximidades da ferrovia.
A descoberta ocorreu cerca de 15 minutos depois da prisão de Carman. Segundo a polícia, ele estava “se preparando para fugir do país”.
Carman alega legítima defesa
Depois de ser preso, Carman negou as acusações e afirmou que havia agido em legítima defesa. Segundo relatos, ele disse à polícia que havia combinado pagar 1.000 baht, aproximadamente US$ 30 ou £ 23, a Tunchanok por serviços sexuais.
Ainda segundo o relato apresentado pelo acusado, os dois discutiram depois de voltar ao apartamento dele. Carman teria oferecido apenas 500 baht.
Enquanto estava sob custódia, o australiano gravou um vídeo com uma mensagem à família da adolescente. “Sinto muito pelo que aconteceu com sua filha. Isso estava fora do meu controle (…) Sei que vocês ficarão muito tristes, abalados… assim como eu. Por favor, digam às outras meninas… apenas para terem cuidado”, disse.
Quem era Tunchanok
Tunchanok era conhecida pelo apelido de Cake e era filha única. Ela morava com o pai, Thongchai Donhomla, e a madrasta, Oradee Bussarakum, na província de Kalasin, cerca de 480 quilômetros a nordeste de Pattaya.
Segundo a família, a adolescente havia contado aos pais que queria viajar de férias com uma amiga. Ela foi para Pattaya em 16 de junho.
O pai afirmou estar “profundamente entristecido” com a morte da filha e contou que ela costumava encontrar por conta própria maneiras de conseguir aquilo de que precisava.
— Minha filha não tinha mãe, então, sempre que queria alguma coisa, encontrava uma maneira de conseguir por conta própria, e também sempre me ajudava — disse Thongchai.
A madrasta afirmou que o desfecho confirmou os temores da família.
— Nós estávamos com medo. Só esperávamos que não acontecesse da maneira que temíamos. Agora nossos olhos estão inchados de tanto chorar.
Oradee também disse esperar a punição máxima para Carman.
— Eu só quero que [Carman] seja executado. Cheguei a perguntar à polícia se poderia bater nele, se poderia espancá-lo.
Se Simon Peter Carman for condenado por homicídio, poderá receber a pena de morte, segundo as informações apresentadas no caso.

