A palavra “diáspora” aparece com frequência nas transmissões e reportagens sobre o Haiti nesta Copa do Mundo. Embora pareça complicada, ela descreve uma situação relativamente simples: a existência de uma população que vive espalhada por diferentes países, mas continua ligada à sua terra de origem pela família, pela cultura, pelo idioma ou pelo sentimento de pertencimento. No caso haitiano, o termo pode se referir tanto aos torcedores que moram fora do país quanto aos jogadores que nasceram no exterior, mas são filhos ou netos de haitianos.
A origem da palavra ajuda a entender seu significado. “Diáspora” vem do grego e transmite a ideia de dispersar ou espalhar, como sementes lançadas em diferentes lugares. Inicialmente muito associada à história do povo judeu, passou a ser usada para definir outras comunidades que deixaram seu território e se estabeleceram ao redor do mundo. É possível imaginar, portanto, a diáspora como uma parte de um país que passou a existir fora de suas fronteiras.
Diáspora e imigração, porém, não são exatamente sinônimos. Imigrante é a pessoa que saiu de um país para viver em outro. A diáspora também pode incluir seus filhos, netos e gerações seguintes, mesmo quando eles já nasceram no novo país.
Um jogador nascido na França, por exemplo, pode nunca ter morado no Haiti e, ainda assim, crescer falando crioulo com a família, acompanhando a seleção e reconhecendo-se como haitiano. A ligação, nesse caso, não depende apenas do endereço ou do local registrado na certidão de nascimento.
No futebol, a palavra se tornou mais comum porque muitas seleções recorrem a atletas formados fora de seus territórios. Pelas regras da Fifa, um jogador pode defender um país quando possui a nacionalidade exigida e atende aos critérios de vínculo estabelecidos, que podem envolver o próprio nascimento ou a origem de pais e avós.
Isso explica por que um atleta criado no futebol francês pode vestir a camisa do Haiti, assim como ocorre com descendentes de africanos e caribenhos nascidos em grandes centros europeus. Eles não são estrangeiros contratados pela seleção: são cidadãos que poderiam, em muitos casos, representar mais de um país e fizeram uma escolha esportiva e afetiva.
O Haiti é um exemplo especialmente claro. Apenas dez dos 26 jogadores convocados para esta Copa nasceram no país; os demais vieram principalmente da França, além de Estados Unidos, Canadá e Suíça. O meia Jean-Ricner Bellegarde, nascido na França e com passagem pelas seleções francesas de base, escolheu representar a origem de sua família.
Nas arquibancadas, o fenômeno se repete com haitianos e descendentes que vivem em cidades como Miami, Nova York, Boston, Montreal e Paris. Por isso, quando se fala na diáspora haitiana durante a Copa, fala-se de uma população espalhada pelo mundo que encontra na seleção um ponto de reunião: mora em diferentes países, mas torce sob a mesma bandeira.

