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outubro 3, 2026
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Agressões, ameaças e nome falso: os registros contra a advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa

Por · outubro 3, 2026
Agressões, ameaças e nome falso: os registros contra a advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa


A advogada Jéssica Cabral Barradas — acusada de desviar dinheiro de uma idosa de 90 anos e presa em flagrante nesta sexta-feira por ocultação de bens da vítima — já tinha o nome registrado pela polícia em ocorrências nos últimos 11 anos. Ela é acusada de agressões, perseguição e intimidação de testemunha, além de uso de nome falso numa delegacia.
A vida pregressa da mulher, de 35 anos, foi levantada durante investigação da 37ª DP (Ilha do Governador). O primeiro registro contra ela foi feito em dezembro de 2015, quando uma mulher afirmou ter sido atacada por ela com spray de pimenta. Em fevereiro de 2020, foi uma confusão em uma creche que terminou com uma denúncia de lesão corporal e injúria. Segundo uma auxiliar da instituição, Jéssica teria agredido verbal e fisicamente uma funcionária. Ao tentar contê-la, a denunciante afirmou que teve os braços apertados e ficou machucada.
Ameaças de prisão e agressão
Cerca de um ano depois, em 2021, um homem relatou que uma negociação financeira com Jéssica terminou em cobranças insistentes, contatos com familiares e ofensas. Segundo ele, a advogada dizia que mandaria prendê-lo caso a dívida não fosse paga e sugeria que buscasse dinheiro com agiotas ou em uma “boca de fumo”.
A advogada também é acusada de ameaças a uma policial militar, que era sua vizinha. Segundo a PM, Jéssica era síndica do prédio e, após uma discussão sobre a reserva do espaço de festas, teria lhe enviado mensagens ofensivas e afirmado que recorreria a um coronel da Polícia Militar para mandar prendê-la.
Em novembro de 2025, uma família procurou a polícia depois de um engavetamento na Estrada do Galeão. De acordo com o relato, Jéssica tomou o celular de uma das condutoras sem autorização e disse que mandaria prendê-la, afirmando que era advogada e usaria sua influência. Quando os pais da motorista chegaram ao local, a advogada teria continuado com ofensas e ameaças, inclusive de agressão física à mãe. Os fatos foram registrados em vídeo apresentado à polícia e o caso foi registrado como ameaça e injúria.
Coação em processos
Os envolvimentos criminais de Jéssica não param por aí. Uma ocorrência de setembro de 2022, posteriormente classificada como coação no curso do processo, traz o relato de uma mulher que recebeu mensagens com ameaças dirigidas a sua mãe. A intimidação estava relacionada ao fato de a senhora ser testemunha em um processo judicial. O procedimento ainda está em andamento.
Há ainda outro inquérito por coação no curso do processo, vinculado a procedimento de 2025. A advogada teria coagido uma profissional de Estética após esta ter feito um registro contra ela. Segundo a vítima, Jéssica se despiu completamente e circulou nua dentro do consultório, proferindo palavras para constranger os presentes e expô-la perante seu chefe. Depois de pedir à advogada que cessasse o comportamento e bloquear seus contatos, a profissional conta ter recebido mensagens de outros números com ameaças de processos e de que Jéssica iria “acabar com a vida dela”.
Mariah: nome falso dentro da delegacia
Em dezembro de 2024, Jéssica teria comparecido à 37ª DP e se apresentado como “Dra. Mariah”, solicitando o cumprimento de uma ordem judicial de prisão civil por dívida de alimentos. Depois da execução do mandado, o preso informou que a mulher era, na verdade, sua ex-companheira, Jéssica Cabral Barradas, também advogada da causa.
Jéssica voltou a usar o nome “Mariah” em contato telefônico e desligou ao ser questionada. Posteriormente, foi localizada e identificada. O caso gerou registro por falsa identidade.
A ocorrência também relata que ela mencionou supostos vínculos com policiais, negados pelos servidores citados, e deixou três garrafas de vinho no balcão da unidade, devolvidas após conhecimento da autoridade policial.
Nas redes, Jéssica fazia defesa da advocacia
Nas redes sociais, Jéssica Cabral Barradas aparecia defendendo a valorização da advocacia, inclusive dos profissionais da terceira idade. O discurso público, no entanto, contrasta com as acusações que enfrenta: a advogada é ré por se apropriar de rendimentos de uma idosa de 90 anos cujo patrimônio deveria proteger como curadora nomeada pela Justiça.
Segundo a investigação, Jéssica transferiu recursos da pensionista para sua própria conta e realizou movimentações mesmo após a morte da mulher. Documentos originais da vítima, cobrados pelo filho havia sete anos, foram encontrados em seu apartamento durante a busca que terminou com sua prisão em flagrante. No mesmo imóvel, policiais apreenderam talheres e um relógio reconhecidos pelo herdeiro como pertencentes à mãe.
A apuração do caso pela Polícia Civil começou a partir de informações encaminhadas pelo Ministério Público, com suspeitas de maus-tratos, abandono material e abusos financeiros. No caso já levado à Justiça, Jéssica responde por dezenas de apropriações de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados e falsidades ideológicas.

Agressões, ameaças e nome falso: os registros contra a advogada suspeita de desviar dinheiro de idosa