A valorização das principais ações brasileiras é anda mais expressiva considerando o desempenho em dólares, supera 55% em 2025, o que aponta o apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil. Como o real tem se valorizado este ano — a taxa de câmbio está em queda. Ontem, o dólar recuou 0,33%, a R$ 5,31.
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Depois de muito tempo patinando, o mercado de ações está superando com folga neste ano os ganhos com tradicionais investimentos de renda fixa, mesmo com taxa básica de juros (Selic) no maior nível em duas décadas: 15% ao ano.
Quem comprou um ativo de renda fixa vinculado à Selic —como um CDB que rende 100% do CDI (taxa interbancária que se aproxima da Selic) ou um Título do Tesouro Nacional (também relacionado à Selic ou ao IPCA) no início do ano registrou, até agora, 13,11% de rendimento.
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Como na Bolsa, ganha mais quem compra na baixa e vende na alta, o atual patamar do Ibovespa deixa no ar uma pergunta para quem ainda pensa em entrar agora no mundo das ações: há ainda potencial de valorização dos papéis ou o bonde da oportunidade já passou? Analistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o principal índice da Bolsa deve continuar em ritmo de alta.
O banco americano Morgan Stanley, em relatório divulgado na última semana, prevê o Ibovespa alcançando os 200 mil pontos no fim de 2026. Se a estimativa for alcançada, o principal índice da Bolsa pode registrar uma valorização adicional de 24% até lá.
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Apesar da previsão otimista, quem acompanha de perto afirma que esse ritmo de alta não deve ser contínuo e constante, diante de eventos que podem promover volatilidade daqui para frente, como as eleições do ano que vem. E o mercado de renda variável, já diz o nome, é marcado por possíveis mudanças bruscas de clima.
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Na leitura de Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, ainda há espaço para valorizações e para quem deseja aproveitar o ímpeto:
— Mesmo que tenha subido 30%, a Bolsa ainda está descontada. Isso a torna atraente, com bastante oportunidade de valorização — afirma ele, fazendo referência aos chamados múltiplos descontados, quando o valor do preço das ações é visto pelos analistas como abaixo do que eles realmente deveriam valer, levando em consideração a geração de caixa desses empresas.
Apesar das previsões positivas e dos fatores que contribuem para o ímpeto de novos investidores, analistas afirmam que é preciso fazer uma autoavaliação para saber até onde se está disposto a correr riscos. isso porque, apesar dos ventos favoráveis de agora, fatos novos e imprevisíveis podem surgir, e fazer os investimentos desvalorizarem.
— É preciso ter muito mapeado os objetivos de médio e longo prazo. O investidor precisa aceitar que o caminho até a realização não vai ser uma linha reta. A Bolsa sobe caindo, e isso exige tolerância às oscilações, disciplina e compreensão que o preço muda todo dia, mas o valor se constrói no tempo — afirma a planejadora financeira Carol Stange.
Ela frisa a importância de se possuir uma reserva de emergência e não aportar na Bolsa recursos que podem ser necessários logo para o investidor:
— A renda variável não é para quem se sente desconfortável com as variações negativas temporárias. A Bolsa é um instrumento de construção de patrimônio, não um atalho.
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A planejadora financeira afirma que, dentre as empresas listadas, bancos e empresas de infraestrutura, como concessionárias de rodovias e aeroportos, podem ser boas opções diante de lucros robustos, resilientes, independentes de cenário macroeconômico.
— São papéis que carregam menores “chacoalhar”.
A previsão de que o ciclo de corte de juros comece no primeiro trimestre de 2026 no Brasil já promove uma valorização expressiva em empresas cíclicas. Se a Selic cair, aumenta a atratividade dos papéis na Bolsa e, consequentemente, sua valorização. Além disso, os resultados das empresas listadas tende a melhorar.
Dentro do Ibovespa, a Cogna Educação, por exemplo, já mais que triplicou o seu valor de mercado só em 2025, registrando valorização de 264%.
— Com os juros altos, a base de lucro das empresas está comprimida. Quando temos queda, a projeção dos lucros deve crescer. Então, devemos ter dois efeitos: lucros com maior crescimento e influência da queda de juros tanto no valor da companhia — diz Rodrigo Santoro, gerente de renda variável da Bradesco Asset, sobre a influência da migração do fluxo para renda variável, que também contribui para a melhora no valor das empresas.
Para ele, ainda há espaço para valorização de empresas que surfam melhor em um ciclo de redução dos juros:
— Elétricas e concessionárias, onde há baixo risco de demanda e que não captam desaceleração econômica, além de locadoras e construção civil.
Vento favorável para banco e varejistas
Alexandre Sant’Anna, analista de renda variável da ARX, adiciona à cesta de quem ainda pode seguir valorizando os bancos e varejistas.
Também lideram as valorizações no índice a C&A, com alta de 123%, as construtoras Cury e Direcional, com 137% e 130% de valorização, respectivamente, e a também construtora Cyrela, que mais que dobrou de valor (126%). O BTG Pactual também multiplicou por dois seu tamanho (106%), enquanto o Itaú Unibanco sobe 61% em 2025.
Para aqueles que não possuem familiaridade com a compra de ações de empresas, os fundos que perseguem índices, que são formados por papéis de diversas empresas, podem ser uma boa opção:
— Uma maneira interessante de exposição é através de ETFs (fundos listados em Bolsa) de dividendos, que são compostos por ações de empresas em patamar consolidado, menos voláteis, e que usa o caixa para pagar dividendos — explica Freller, do C6 Bank.

