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Vamos para mais uma Assembleia Geral da ONU. Como sempre, há uma expectativa grande no Brasil sobre como será o discurso do nosso presidente. Há ainda uma expectativa grande em cada um dos países sobre o que seu chefe de Estado, chefe de governo, chanceler ou embaixador irá discursar. Mas, aqui pela 17ª vez, acho importante falar algumas verdades sobre estes discursos.
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Primeiro – Ninguém presta muita atenção ao que o presidente brasileiro fala, além de nós brasileiros e alguns diplomatas e analistas estrangeiros com um interesse no Brasil. Você pode até ler depois um texto ou outro em jornais norte-americanos. Mas poucos leem, e raramente um artigo sobre o que diz o presidente do Brasil repercutirá ou terá destaque.
Segundo – O que se aplica ao Brasil pode ser aplicado à maior parte dos países. Pego como exemplo dois chefes de Estado de nações geopoliticamente importantes: Turquia e França. Tanto Recep Tayyip Erdogan quanto Emmanuel Macron discursarão amanhã na ONU. Qual a expectativa no Brasil? Praticamente nenhuma, convenhamos. Quase ninguém sabe que eles irão discursar ou que o líder turco está empolgadíssimo com a COP31 em Antalya, assim como Lula estava com a COP30 de Belém.
Terceiro – Quando os discursos são proferidos, não são os chefes de Estado que ocupam o plenário da Assembleia. Na verdade, são diplomatas das representações junto à ONU. A maior parte, inclusive, leva seus computadores para dar uma adiantada no trabalho e ignora quem está no palanque. Os líderes brasileiros ainda levam vantagem porque o presidente do Brasil é o terceiro a falar, depois do presidente da Assembleia e do secretário-geral e antes do presidente norte-americano. Nos dias seguintes, nos discursos mais tarde, o plenário costuma ficar praticamente vazio.
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Quarto – Há algumas exceções. Todos realmente acompanham o discurso do presidente dos EUA, independentemente de ser Donald Trump, como agora, ou Joe Biden, no passado. O que diz um líder norte-americano realmente tem impacto global. O mesmo, naturalmente, não pode ser aplicado a governantes da Bélgica, de Honduras, da Botsuana ou do Turcomenistão, com todo o respeito a esses países — inclusive, uso exemplos de nações de diferentes continentes e graus de desenvolvimento para não me acusarem de preconceituoso.
Quinto – Além do presidente dos EUA, chefes de Estado ou de governo de nações em conflito costumam chamar a atenção na ONU. Os exemplos óbvios são os do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e, se vier, o do Irã, Massoud Pezeshkian — o líder supremo Mojtaba Khamenei segue sem aparecer publicamente. Mahmoud Abbas, da Palestina, não recebeu autorização dos EUA para vir a Nova York, como escrevi na minha última newsletter, e discursará por vídeo.
Sexto – Por último, líderes “exóticos” costumam chamar a atenção na ONU. Os exemplos clássicos são Hugo Chávez, Muammar Kadafi e Mahmoud Ahmadinejad. Na sua primeira participação, Jair Bolsonaro quase se encaixou nessa categoria, assim como Javier Milei. No fim, porém, não conseguiram tanta audiência. Neste ano? Não há nenhum grande nome exótico discursando que possa gerar tanta polêmica. Mas vamos ver.
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