Com o acidente que matou o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas, o número de mortes em acidentes de helicóptero no Brasil na última década chegou a 129, segundo o painel Sipaer, que reúne registros de ocorrências aeronáuticas na aviação civil brasileira. Em 2026, já são 21 óbitos, o maior número para um ano desde 2019 e o segundo maior de toda a série histórica, atrás apenas de 2018, quando foram registradas 24 mortes.
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Além de Rick, estavam na aeronave o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Nenhum deles sobreviveu ao acidente.
Os registros mostram que o número de mortes em acidentes de helicóptero varia de um ano para outro. Em 2016, foram 16 óbitos. No ano seguinte, o número caiu para três, mas voltou a subir para 24 em 2018, o maior patamar da série. Depois, foram 11 mortes em 2019, seis em 2020 e apenas duas em 2021, o menor número registrado no período.
A partir de 2022, os dados voltaram a ficar acima de dez mortes por ano: foram 10 em 2022, 14 em 2023 e 15 em 2024. Em 2025, houve uma nova queda, para sete óbitos. Já em 2026, ainda antes do fim do ano, o painel contabiliza 21 mortes.
O número de acidentes envolvendo helicópteros também não apresenta uma tendência contínua de alta ao longo da série histórica. Foram 20 ocorrências em 2016, seguidas por 11 em 2017 e 21 em 2018. Nos anos seguintes, foram 19 em 2020, 14 em 2021, 20 em 2022, 15 em 2023, 21 em 2024, 14 em 2025 e 15 em 2026.
Quando considerados apenas os acidentes com mortes, a variação também é significativa. Foram cinco acidentes fatais em 2016, três em 2017, sete em 2018, cinco em 2019 e cinco em 2020. O menor número da série ocorreu em 2021, com apenas um acidente fatal. Depois, foram seis em 2022, seis em 2023, sete em 2024, três em 2025 e seis em 2026.
Para Raul Marinho, diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), a alta no número de mortes em 2026 não significa, necessariamente, que tenha havido um aumento proporcional na quantidade de acidentes com helicópteros. Segundo ele, como o número de ocorrências é relativamente baixo, acidentes com várias vítimas podem ter um impacto significativo no total de mortes registrado em um determinado ano.
O diretor técnico cita como exemplo a colisão entre dois helicópteros ocorrida em junho, no Recreio dos Bandeirantes, que matou o cantor Oliver Tree e outras cinco pessoas, e o acidente envolvendo um voo panorâmico, em agosto, que deixou quatro mortos.
Para o especialista, a concentração de várias vítimas acaba elevando o número anual e pode dar a impressão de uma mudança no cenário de segurança da aviação de helicópteros, sem que os dados, isoladamente, permitam chegar a essa conclusão.
— Essas duas ocorrências distorcem a média. Isso não significa que está acontecendo um problema com o voo de helicóptero. A gente teve dois acidentes que distorcem a média, porque tiveram muitas mortes nesses dois. É isso que está acontecendo esse ano — afirmou.
O acidente
O helicóptero, um Bell 430, desapareceu na segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, e São Joaquim, na Serra. A aeronave transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto da aeronave, Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
As buscas começaram ainda na tarde de segunda-feira e avançaram durante a noite, apesar da chuva e da baixa visibilidade. Os destroços foram localizados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) na manhã de terça-feira (22), em uma área de mata de difícil acesso em Urubici. As cinco pessoas que estavam a bordo morreram.
Os corpos foram retirados do local por equipes de resgate, encaminhados para exames e liberados. A queda é investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Civil de Santa Catarina.
Quem são as vítimas da queda do helicóptero em Santa Catarina?
Rick Sollo. Formou com Renner uma das duplas sertanejas mais famosas do Brasil. Juntos, fizeram sucesso com músicas como “Nos bares da cidade”, “Filha”, “Só pensando em você”, “Eu mereço”, “Só dá você na minha vida”, “Muleca” e “Nóis tropica, mas não cai”.
Bruno Avelar. Era empresário, investidor, palestrante e fundador do Poder do Network, projeto dedicado à criação de conexões entre empresários e negócios. O empresário também atuava como conselheiro da campanha de Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, e mantinha uma relação profissional com o escritor.
Paulo Soares. Trabalhava para Bruno Avelar como videomaker e chegou a fazer um vídeo da viagem, publicado em seus stories antes da tragédia.
Antônio Roberto Nóbrega de Araújo. Conhecido como Seu Antônio, era o piloto do aeronave. Ainda há poucas informações divulgadas sobre o profissional. Assim como o copiloto, ele teve seu primeiro nome divulgado pela empresa JTA, responsável pelo helicóptero, e os sobrenomes confirmados pelo site da NSC.
Leopoldo Barros Teixeira. Era o copiloto do helicóptero. Também há poucas informações divulgadas sobre ele até.
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