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setembro 23, 2026
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Presidente interina da Venezuela comemora reunião com Trump antes de participação na ONU: 'histórico'

Por · setembro 23, 2026
Presidente interina da Venezuela comemora reunião com Trump antes de participação na ONU: 'histórico'


A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, comemorou na madrugada desta quarta-feira um encontro de cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York — na primeira reunião pessoal entre líderes dos dois países desde um encontro entre Bill Clinton e Hugo Chávez, em 1999, após a ascensão do chavismo ao poder. Em um momento em que as relações entre Caracas e Washington ainda seguem à sombra da intervenção americana que capturou o presidente Nicolás Maduro, em janeiro, Delcy classificou o momento com Trump como “histórico”.
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O encontro entre os presidentes ocorreu nas últimas horas da terça-feira, no hotel Lotte New York Palace, durante uma recepção oferecida por Trump a alguns líderes estrangeiros que estão no país para a Assembleia Geral. Os dois governos anunciaram o encontro, com a Casa Branca detalhando que também acompanharam a reunião o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o conselheiro Stephen Miller.
A poucas horas de sua subida no púlpito da Assembleia Geral da ONU, na primeira participação de uma líder chavista no fórum desde 2018, Delcy publicou uma série de mensagens nas redes sociais, afirmando que o diálogo com Trump incluiu tópicos como “fortalecimento da relação bilateral” entre Caracas e Washington e o avanço de uma “agenda de cooperação em áreas estratégicas como energia, mineração, segurança”.
“Expressamos nosso agradecimento ao presidente Trump e ao seu governo pelo decidido apoio prestado durante a emergência causada pelos terremotos de 24 de junho passado, assim como pelo seu respaldo ao processo de reinserção de nosso país nos espaços multilaterais”, escreveu Delcy. “A Venezuela e os Estados Unidos compartilham uma relação histórica que, nesta nova etapa, estamos chamados a canalizar através do diálogo. Continuaremos impulsionando uma diplomacia a serviço do interesse nacional, orientada a alcançar resultados concretos e benefícios coletivos para o povo venezuelano”.
A líder chavista — cuja interinidade no cargo foi justificada por Caracas devido a uma demanda sobre a ilegalidade da prisão de Maduro, enquanto chefe de Estado — vem governando a Venezuela sob tutela americana desde janeiro. Horas antes das publicações em tom ameno nas redes sociais, a presidente estava a poucas cadeiras do púlpito de onde Trump defendeu a intervenção realizada contra o país no começo do ano, e oficializou a ideia de que a operação foi movida por razões econômicas.
— Quando você soma os Estados Unidos e a Venezuela, nós temos mais de 60% do petróleo do mundo. Ao vencedor, os espólios — declarou, antes de puxar a carta militar. — Nossas ações na Venezuela são a prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses nacionais vitais dos EUA.
Relação com Trump
Fontes americanas afirmaram que antes mesmo da operação para captura de Maduro, o governo tinha chegado à conclusão que a liderança de Delcy poderia ser positiva para os interesses em Caracas. Em uma abordagem pragmática, a líder chavista iniciou um amplo processo diplomático, que tem agradado a Casa Branca — e colocado dúvida sobre objetivos políticos mais profundos.
Em agosto que os EUA assumiriam o controle de reservas com potencial de produção estimado em 65 bilhões de barris, em um acordo com Caracas. Oficialmente, o Departamento de Estado americano diz que a intervenção americana no setor econômico tem objetivo de estabilização e abertura ao mercado — antes de uma transição política que resulte em eleições livres. Trump afirmou recentemente que a Venezuela ainda “não está pronta” para as eleições exigidas pela oposição, e rejeitou apoiar a líder María Corina Machado em sua pretensão de ser conduzida à presidência do país.
Em uma manifestação na terça-feira, um grupo de cerca de 50 venezuelanos protestou contra a participação de Delcy na Assembleia Geral da ONU, em frente à sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Eles acusavam a organização internacional de “legitimar” Rodríguez e rejeitam a “tutela” dos EUA, que, segundo eles, marginaliza a prometida transição democrática.
— Não queremos mais essa tutela. Ela está nos prejudicando — disse Nuris Medina, uma advogada de 65 anos, entre os manifestantes que exibiam faixas com críticas a Rodríguez e a Washington, com mensagens como “Delcy se ajoelha diante do império” e “A Venezuela tem voz e não é a de Delcy”. (Com AFP)

Presidente interina da Venezuela comemora reunião com Trump antes de participação na ONU: 'histórico'