O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) criticou o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual ela se posiciona contrariamente à pré-candidatura dele ao Senado e à composição do PL com Ciro Gomes na corrida pelo Executivo do Ceará. Alcides, que é apoiado pelo senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro, também reclama da defesa de Michelle de que uma aliança com o tucano ocorra apenas em um eventual segundo turno.
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Segundo Alcides, o vídeo de Michelle é “infeliz” e traz “alegações infundadas”. Michelle deseja lançar uma aliada na vaga ao Senado que o pai do presidente estadual do partido, André Fernandes, deseja ocupar.
— O vídeo (de Michelle) só serviu para ser usado pelo PT para ecoar os seus discursos e interesses. E a gente sabe que se o PT está feliz, coisa boa que não é — disse Alcides em publicação nas redes sociais, que destaca problemas de segurança pública no estado. — Infelizmente, a direita sozinha não tem força para derrotar o PT (no Ceará) (…) Nós estamos em condição de brincar de roleta-russa com a vida do cearense? Esperando essa ou aquela circunstância?
No vídeo publicado em seu perfil na noite de sexta-feira, o deputado relembra uma fala de Jair Bolsonaro de 2024, na qual o ex-presidente se diz aberto a negociar com Ciro Gomes. Ele também afirma que Bolsonaro avalizou sua candidatura ao Senado e as negociações com a ala do tucano.
— Basta lembrar da reunião que aconteceu no dia 29 de maio de 2025, em Fortaleza, com toda a bancada do PL do Ceará. Cada parlamentar deu a sua visão. No fim, o presidente Bolsonaro deu o aval para apoiarmos o Ciro Gomes, saindo no primeiro turno.
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Segundo Alcides, dizer que a articulação ocorreu “pelas costas de Bolsonaro, no momento em que ele não pode opinar, é faltar com a verdade”.
— Não que eu acredite que a Michelle esteja mentindo propositalmente. Pode ser que ela realmente não tenha ficado sabendo disso. Ou que o presidente, por algum motivo, não tenha repassado o que ocorreu, mas essa é a realidade dos fatos.
Alcides afirma saber que o que está por trás do vídeo da ex-primeira-dama é impedir que ele seja candidato ao Senado do PL.
— Para isso, vale até usar um discurso raso. Dizendo que uma mulher está tendo que ceder o espaço para um homem. Olha o nível que o debate chegou. Essa construção partidária começou muito antes de outras candidaturas serem sequer cogitadas. E, com todo respeito, em um estado dominado pelo crime, a discussão não pode ser sobre gênero.
Por fim, Alcides aponta que Michelle disse, em reunião com lideranças do PL, que “toparia fazer a aliança com Ciro desde que fosse colocada sua indicada ao Senado na chapa”.
Disputa interna
Alcides é pastor, segmento que o partido foca nas eleições estaduais. Já Michelle defende Priscila Costa, também evangélica, vice-presidente do PL Mulher e uma de suas principais aliadas como o nome do PL ao Senado.
Em vídeo publicado na quarta-feira, Michelle disse que Costa teve papel central na campanha de André Fernandes à prefeitura de Fortaleza, mas “o que recebeu em troca é revoltante”. Um dia antes da publicação do vídeo, o presidente estadual do PL disse à mídia local que a ex-primeira-dama poderia “fazer o que ela quiser”, mas não mudaria o apoio da sigla a Ciro Gomes.
— O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair (Bolsonaro), começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com Ciro Gomes. Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil? — disse Michelle.
O PL do Ceará espera a participação de Flávio e Michelle em evento no mês que vem, quando lançarão as candidaturas ao Senado.

