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setembro 23, 2026
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Aliados tentam convencer Lula a ir a debate no primeiro turno diante do crescimento de Flávio, mas presidente resiste

Por · setembro 23, 2026
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Diante do cenário de indefinição apontado pelas pesquisas eleitorais, aliados têm feito uma ofensiva para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a comparecer ao debate da TV Globo no dia 1º de outubro. O petista não compareceu ao debate da Bandeirantes em agosto, assim como Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário.
Mas, apesar dos apelos de integrantes da cúpula da campanha e do governo, Lula ainda resiste, de acordo com dois interlocutores. Os defensores da participação no encontro argumentam que essa seria uma boa oportunidade para atacar Flávio e expor a visão de que ele não está preparado para ocupar a Presidência. Se o candidato do PL não comparecer, o presidente teria a chance de pregar no rival a pecha de “fujão”.
O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirma que é um dos defensores da participação do petista no debate por enxergar uma oportunidade para “destruir a imagem” do adversário.
—Se depender de mim, ele vai, tem que nocautear ele (Flávio) no debate. Claro que todos vão falar do Lula, mas nosso objetivo é destruir a imagem de um candidato que está passando a imagem de bom moço e não tem nada de bom moço. É um homem perverso que vai só destruir os direitos— diz Guimarães.
A avaliação de aliados de Lula é que seria importante usar a visibilidade que o debate em televisão aberta tem para fazer a comparação do presidente com o adversário, adotando linha de que um tem experiência, e o outro, não, além de fazer esse confronto direto com Flávio —o que não ocorreu até agora. Pesquisa Quaest publicada na segunda-feira mostra Lula com 37% no primeiro turno, mesmo patamar que tinha na primeira pesquisa da série, em 1º de setembro. A situação é de empate técnico com Flávio, que aparece com 33%, quatro pontos percentuais a mais do que no início do mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, enquanto Lula tem 41%.
Um receio de Lula em participar desses debates é se tornar o alvo central dos demais participantes por ser o único nome do campo da esquerda na disputa presidencial deste ano. O comportamento agressivo do candidato do Missão, Renan Santos, também preocupa.
Pela lei eleitoral, têm direito a participar do debate Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). A emissora, com base nos resultados da pesquisa, pode decidir convidar Renan e Romeu Zema (Novo). O presidente já se queixou publicamente do nível dos debates. Em julho, disse:
— Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. Eu quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou responder sacanagem? Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?
Também pesa na decisão o fato de que para participar de um debate, Lula reserva um dia para a preparação que poderia ser usado para realizar atividades eleitorais, como comícios. Na reta final da campanha, o petista deverá viajar por estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Amazonas e Pará, de acordo com agenda preliminar do petista.
Além disso, há um receio entre aliados do presidente que, qualquer deslize na fala de Lula às vésperas do primeiro turno pode trazer problemas nas urnas, diante da avaliação que a eleição será apertada e decidida por uma pequena margem de votos.
No primeiro turno de 2022, Lula participou de dois debates na televisão: da Bandeirantes e da Rede Globo. O debate da Rede Globo deste ano seria o primeiro encontro de Flávio e Lula desde o início da campanha eleitoral. O presidente já participou de sabatinas, como a do Jornal Nacional, e de entrevistas nas emissoras SBT e Record. Ele também intensificou as falas em rádios locais quando viaja para participar de atos de campanha e em podcasts.

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