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novembro 8, 2026
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Alimentos funcionais: por que são importantes na dieta

Por · novembro 8, 2026
Alimentos funcionais: por que são importantes na dieta


Comer de forma saudável é cada vez mais uma prioridade. Diferentes estudos demonstram que, atualmente, o consumidor define suas decisões de compra com base nos benefícios que determinados alimentos podem proporcionar à saúde, para além de seu valor nutricional.
Segundo a pesquisa “Hábitos de Consumo”, da consultoria Crowe Co, nove em cada dez famílias colombianas consomem alimentos saudáveis. Essa preocupação também foi avaliada individualmente em um levantamento realizado pela Ingredion e pela consultoria Opinaia, que revelou que 65% dos colombianos consideram importante alimentar-se bem para manter a saúde.
Em meio ao crescente interesse por uma alimentação melhor, os alimentos funcionais ganharam popularidade. O conceito surgiu no Japão, na década de 1980, quando o governo criou o programa FOSHU (Alimentos para Usos Específicos de Saúde, na sigla em inglês), com o objetivo de melhorar a saúde pública diante do envelhecimento da população e do avanço das doenças.
Definição
Um alimento funcional é aquele que proporciona benefícios à saúde para além de seu valor nutricional. Isso significa que, além dos nutrientes, ele contém outros componentes biologicamente ativos, cujos efeitos podem desempenhar uma função específica na promoção da saúde ou na redução do risco de desenvolver determinadas doenças.
— Imagine que o alimento seja um trabalhador que tem dois empregos: o primeiro é alimentar, uma função que todos os alimentos devem desempenhar; o segundo é beneficiar alguma função do organismo. Por exemplo, se um alimento, além de nutrir, ajuda o sistema cardiovascular, estamos falando de um alimento funcional — explica Juan Sebastián Ramírez-Navas, diretor do Departamento de Alimentação e Nutrição e codiretor do Centro Interdisciplinar de Estudos em Saúde da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali.
Segundo Alejandra Villamil, doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e coordenadora do grupo de iniciação científica em Alimentos Funcionais da Universidade Javeriana de Bogotá, há duas maneiras de destacar as propriedades de um alimento. A primeira consiste em ressaltar características nutricionais, como “reduzido em gorduras saturadas”, “livre de açúcares adicionados” e “baixo teor de sódio”, entre outras descrições. A segunda é destacar funções relacionadas a propriedades benéficas para a saúde — algo mais próximo do conceito de alimento funcional —, ou seja, características que ajudam a melhorar alguma condição do organismo.
— Se o rótulo de um alimento diz que ele pode melhorar a flora intestinal, isso seria uma declaração de propriedade relacionada à saúde — explica.
Quais alimentos são funcionais?
Há muitos alimentos funcionais que podem ser incluídos na dieta diária para melhorar a saúde. Alguns são de origem natural, como mirtilos, chá verde e tomate, que contêm antioxidantes associados à proteção das células, ou cúrcuma, relacionada à regulação metabólica e a efeitos anti-inflamatórios. Outros são enriquecidos ou fortificados, como leite acrescido de vitamina D e cálcio, sal iodado, cereais com ferro e ácido fólico ou sucos com vitamina C e zinco.
Nessa extensa lista, os laticínios se destacam por sua composição nutricional natural, que pode atingir seu potencial máximo quando os produtos são submetidos a processos como a fermentação.
— Trabalho com laticínios há muitos anos e, na literatura científica, encontrei evidências de que eles ocupam uma posição especialmente interessante, porque reúnem vários aspectos: nutrição básica, fermentação e componentes funcionais — diz Ramírez-Navas.
Embora nem todos os laticínios sejam alimentos funcionais, essa é uma das categorias que oferece maior diversidade de opções com essas características.
Entre os laticínios que proporcionam benefícios à saúde para além de suas propriedades nutricionais, destacam-se os fermentados, como iogurtes com probióticos e kefir de leite; os enriquecidos ou fortificados, como leite com ômega-3 e ácido oleico ou acrescido de vitamina D e cálcio; e os modificados, como leite e iogurte sem lactose.
— Está demonstrado que a proteína do leite, especialmente a proveniente do soro do leite, ajuda significativamente a prevenir, por exemplo, a sarcopenia em idosos. Esse problema se caracteriza pela perda de força e massa muscular. Estudos demonstraram que o consumo de duas porções diárias (de 200 gramas cada) desse tipo de bebida fermentada, como iogurte ou kefir de leite, contribui consideravelmente para a prevenção da condição — afirma Villamil.
A nutricionista ressaltou que as propriedades dos laticínios modificados podem trazer benefícios em qualquer fase da vida. No caso do iogurte, ela destacou especialmente os probióticos, que podem atuar em qualquer idade, ajudando a melhorar a disbiose intestinal — ou seja, favorecendo a flora bacteriana benéfica e reduzindo a presença de bactérias prejudiciais.
— No caso das crianças que já concluíram a alimentação complementar e podem consumir leite, esses produtos ajudam a prevenir uma das doenças mais frequentes na infância, a diarreia aguda. Da mesma forma, os laticínios modificados podem ajudar mulheres na menopausa e idosas a atenuar os efeitos da osteoporose, pois favorecem uma melhor assimilação do cálcio, sobretudo no caso das bebidas fermentadas — explica.
Os especialistas consultados concordaram em esclarecer que os efeitos dos laticínios com determinadas propriedades funcionais sobre a saúde não devem ser entendidos como uma forma de curar doenças, mas como um recurso de prevenção de algumas condições.
— É importante ressaltar que um nutricionista pode recomendar a inclusão desses produtos na alimentação diária justamente com finalidade preventiva, mas não como tratamento — afirma Villamil.
Ramírez-Navas acrescentou que é importante compreender que os benefícios de um alimento funcional dependem da quantidade consumida, da absorção do nutriente, de sua biodisponibilidade, da matriz alimentar, da frequência de consumo e das características de cada indivíduo.
— É importante esclarecer que o simples fato de um alimento conter determinado componente benéfico, seja ele natural ou adicionado, não significa que produzirá o efeito benéfico comprovado clinicamente. Muitos fatores influenciam esse processo, e nem todas as pessoas assimilam os nutrientes da mesma maneira — concluiu.

Alimentos funcionais: por que são importantes na dieta