Morreu na madrugada desta terça-feira Terezinha Mendes da Silva, aos 98 anos. Primeira parceira do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, na luta contra a fome, foi quem disse há mais de três décadas a frase que guiaria o trabalho desenvolvido pela ONG Ação da Cidadania desde sua criação e resumiria a urgência de atuações: “Quem tem fome tem pressa”.
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Terezinha dedicou mais de 30 anos à organização, criada por Betinho em 1993 para combater a fome e a miséria no Brasil. O sociólogo morreu em agosto de 1997.
— Betinho era uma pessoa fantástica, lembro do dia em que a gente se conheceu. Meu primo trabalhava no escritório do Henfil (cartunista, irmão de Betinho) e eu estava lá quando ele chegou. A gente se identificou logo — contou ao GLOBO em 2023, quando a ONG celebrou 30 anos de criação. — Ele disse que queria organizar a Ação da Cidadania, e a gente conversou bastante. Ele me explicou qual era o projeto, e eu disse que estava dentro. No final, ele disse: “Então tá bom, amanhã a senhora volta”. Eu respondi: “Amanhã já morreu; quem tem fome tem pressa”.
Incansável, Terezinha comandava um dos cerca de três mil comitês da ONG, dos quais pelo menos 300 deles ficam no Estado do Rio de Janeiro. A idosa, saída de Minas Gerais, fundou um espaço no bairro Ponto Chic, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, próximo de sua casa.
“Desde a fundação da Ação, há 32 anos, ela esteve ao lado de Betinho, levando esperança e solidariedade a quem mais precisava. Na Baixada Fluminense, criou um comitê que virou referência nacional, com biblioteca, cooperativa, apoio a catadores e portas sempre abertas”, diz trecho da homenagem publicada pela ONG em seu perfil oficial no Instagram.
A idosa morreu horas depois do anúncio de que o Brasil deixou, após três anos, o Mapa da Fome, como apontou relatório da ONU. “Como se, só então, pudesse descansar com a certeza de que sua luta seguiu viva e em frente”, resume um trecho do texto em sua homenagem feita pela Ação da Cidadania.
— Eu tive dois professores para me ensinar a ser quem eu fui e quem eu sou: minha mãe primeiro e, depois, o Betinho. Andei muito com ele por aí, fizemos muitas coisas juntos e eu aprendi bastante com ele — contou a idosa, em entrevista à dois anos.
Terezinha completaria 99 anos no próximo dia 30 de agosto. A idosa estava internada com problemas renais e não podia fazer hemodiálise devido à idade. Ainda não há informações sobre o velório.