Se alguém que não acompanha a fundo o futebol brasileiro assistisse aos jogos do Fluminense após a Copa do Mundo, teria dificuldade para imaginar que a equipe já foi considerada a melhor do país e terminou em quarto lugar no Brasileirão de 2025. Mas o derretimento do trabalho de quase um ano de Luis Zubeldía já dava sinais antes mesmo da pausa no calendário. A sensação é de que a diretoria foi empurrando com a barriga e prolongou uma demissão que já estava em aviso prévio. Agora, falta menos de uma semana para decidir a vida na Libertadores.
A cada atuação ruim do tricolor nos últimos oito jogos sem vencer — sete empates e uma derrota —, Zubeldía fazia esforço, nas coletivas de imprensa, para transparecer confiança. Essa última palavra, inclusive, foi a mais utilizada para encontrar explicações nos momentos de pressão. Mas a falta dela ficou escancarada nessa sequência negativa. Prova disso foi a postura acovardada do time na eliminação para o Vasco na Copa do Brasil.
A falta de solução nos jogos grandes foi, com razão, uma das maiores críticas ao trabalho de Zubeldía. Até mesmo quando a equipe estava voando coletivamente, o desempenho caía consideravelmente nos momentos decisivos. As duas eliminações para o Vasco na Copa do Brasil (2025 e 2026) e a final do Carioca deste ano contra o Flamengo fizeram com que o time saísse de protagonista para vítima fatal.
Outro fator que deixou claro o desespero à beira do campo foram mudanças na escalação diante do Independiente Rivadavia-ARG, pela Libertadores. O trio de ataque foi formado por Soteldo, Castillo e Hulk, que são, pelo menos até aqui, justamente os calcanhares de Aquiles da diretoria pelos altos investimentos e pelo pouco retorno. Além de Thiago Silva, a chegada do camisa 7 aumentou a pressão sobre Zubeldía, que ganhou mais uma opção de peso. Mas como encaixar a grande contratação no time titular?
Foi aí que Zubeldía passou a colocar os pés pelas mãos. Por mais que seja difícil dizer o que é certo ou errado no futebol, o tempo deu a entender que Hulk não deveria ser lançado aos leões logo de cara, já que John Kennedy segue como o artilheiro do Fluminense na temporada, com 14 gols. Enquanto o desempenho da equipe já vinha definhando, a condução, nesse caso, deixou a desejar. Para piorar a situação, o Moleque de Xerém ainda sofreu uma lesão grave no joelho direito. No fim das contas, os tricolores quase não viram os dois juntos em campo.
Diante da queda de rendimento do time, principalmente dos meias Lucho Acosta e Savarino, Zubeldía se via perdido para recuperar o bom futebol, mas o recado era claro em relação à base: faltava respaldo técnico para colocar os jovens em campo. Se isso revela uma decadência de Xerém, só o tempo dirá. Mas a ausência de um jogador recém-promovido entre os relacionados no último jogo da Libertadores é um sinal de que, para o treinador, a garotada definitivamente não estava nos planos. Agora, já não dá mais tempo.

