“Rumi, Rumi, Rumi! Podemos tirar uma foto com você? Por favor?” “Zoey! Mira! Aqui! Aqui!” Essas eram as crianças na porta do Paris Theater, em Manhattan, em 23 de agosto, gritando antes da exibição especial da animação musical “Guerreiras do K-Pop”, enorme sucesso da temporada de verão da Netflix.
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Elas estavam chamando as atrizes que encarnam as três integrantes do Huntrix, grupo fictício de garotas do K-pop que canta músicas chiclete e protege o mundo dos demônios. “Acho que vou desmaiar”, disse uma fã enquanto posava para uma selfie com a representação de Rumi.
O evento combinou a sessão cinematográfica com karaokê, e foi apenas uma entre milhares realizadas no fim de semana nos EUA e no Canadá. No Paris, cinema independente de propriedade da Netflix, os fãs se gabavam de quantas vezes já tinham visto o filme. “Eu vi um milhão de vezes”, disse Adelina Yan, de nove anos. “E eu, dez milhões”, não deixou por menos a amiga Victoria Benavides, de dez. Já sua mãe, Gloria Contreras, de 56 anos, parecia um tanto esgotada. “Ela não faz outra coisa a não ser ver esse filme. “Estou ficando um pouco cansada. Tudo tem limite, não?”
No saguão, os fãs e os pais compravam bonés e broches com a imagem de Huntrix e seu principal rival no filme, a banda demoníaca Saja Boys. “Sou coreana e adoro esse filme. Eu me vejo na Zoe, ela tem minha personalidade”, afirmou Piet Chang, de nove anos. A tia da garota, Connie Kang, de 49 anos, a segurava pela mão. “Sou de família coreana, e para mim é bem emocionante ver o sucesso do filme. Fui criada em uma pequena cidade da Califórnia chamada Bakersfield; vivia sofrendo bullying, todo mundo achava que Bruce Lee era meu tio. É incrível ver essa popularização da cultura coreana.”
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Cathy Clark, de 40 anos, estava com a filha de quatro, Jasmine. “Sou filipina, então sinto meio que um orgulho asiático pelo filme, e acho que ela percebe isso também. Quando eu era pequena só havia boy bands, tipo Backstreet Boys e ‘N Sync, e eu era forçada a escolher uma que me atraísse. Agora ela tem a opção de admirar a banda feminina de que realmente gosta.”
Maggie Kang e Chris Appelhans, que dirigiram o longa, apresentaram o filme ao lado de parte do elenco e alguns cantores. Ela provocou gritos e aplausos quando perguntou: “Todo mundo pronto para fortalecer o Honmoon?”, referindo-se ao escudo alimentado por música que separa o mundo cotidiano do reino dos demônios.
Durante a exibição, enquanto a criançada se entregava a sucessos como “Soda Pop” e “Golden”, os integrantes do elenco fizeram uma pausa no saguão, durante a qual falaram sobre o fenômeno que transformou “As Guerreiras do K-pop” na animação mais vista do serviço de streaming e, de quebra, emplacou várias músicas no Top 10 da Billboard.
“Muita gente tem nos comparado a clássicos infantis como ‘Frozen’, e é uma honra incrível, mas para mim também é histórico porque é o primeiro filme do gênero baseado em uma narrativa coreana. A menina dentro de mim está chorando e vibrando ao mesmo tempo”, declarou Arden Cho, que dá voz a Rumi.
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May Hong, que encarna Mira, falou sobre a intensidade dos fãs em relação aos dois grupos que aparecem no filme. “É inevitável pensar que eu sentia a mesma coisa pelas Spice Girls quando era menina. E muito louco lembrar que agora estou do outro lado. Tem também uma parte de mim aliviada por ser o Huntrix, e não eu de verdade, porque não sei se conseguiria lidar com esse nível de adoração.”
Sessão encerrada, um ônibus de dois andares coberto com publicidade da Netflix parou em frente ao cinema e uma multidão se formou enquanto as pessoas embarcavam para um passeio pela cidade cantando junto com os membros do elenco e dois vocalistas, Rei Ami e Kevin Woo.
Quando o veículo passou pela Bergdorf Goodman, seguindo pela Quinta Avenida, alguns pedestres no centro até pararam para observar. Por que todas aquelas crianças estavam cantando? E por que todas pareciam tão felizes?
Kyle Green, de sete anos, sem um dente da frente, nem prestou atenção. Sentou-se no andar superior, bem lá na frente, e saiu cantando com toda a força o refrão bilíngue de “Golden”: “Ah, nossas vozes subindo, subindo, subindo / Yeongwonhi kkaejil su eomneun / Vai ser, vai ser dourado!”