Música calma, inspiradora. Mensagens de tolerância, bem-estar e respeito nos cartazes, muitos com fotos e ilustrações com a figura da cantora. Uma vila inteira voltada para a cura e ao aprimoramento espiritual. Tudo isso deu tom do começo da tarde de sábado no Anittapalooza — ou melhor, no pequeno festival que a cantora Annita montou em Niterói (RJ), no Caminho Niemeyer, para apresentar o seu show especial, dos dois volumes do álbum “Equilibrivm”, lançados, com intervalo de meses, este ano.
Na hora em que a artista enfim subiu ao palco (do tamanho de um palco de grande festival, diga-se), porém, as coisas estavam mais agitadas; no meio da tarde, havia sido liberada a venda de álcool e a discotecagem de axé, funk e pop. Às 18h em ponto, com direito a toque de sino, os trabalhos foram iniciados com fala de Anitta em off, vídeo e batuques. Foi o início do Ato 1, que ela, toda de branco, abriu com beleza e lirismo ao cantar “Contemplação”, mudando a energia festeira do.momento. Músicos, cenário, balé, tudo contribuía para o deslumbre visual que “Equilibrivm” pedia.
Numa levada afro leve e espiritual, seguiram-se “Ternura”, “É d’Oxum” (do baiano Gerônimo) e “Ogum me rodeia” (com a recitação de Maria Bethânia). Num fim de tarde cinzento, mas sem chuva, o tempo emocional se abriu.
Em entrevistas rápidas, antes do show, a cantora festejou ter conseguido bancar a turnê de “Equilibrivm”, “um projeto muito difícil de se colocar em prática”, segundo ela, “num Brasil que não consome show de artista solo”. Ela prometeu para o ano que vem mais datas da tour, em razão do sucesso da empreitada (a apresentação em Niterói teve ingressos esgotados), enquanto se desviava das perguntas se ia ser rainha da bateria demais Grande Rio em 2027 ou se ia lançar um álbum de reggaeton.
Atividades antes do show ‘Equilibrivm’, de Anitta
Silvio Essinger
Quem chegou mais cedo aproveitou a Vila Equilibrivm, espaço onde o público pôde fazer uma higiene completa da alma com palestra sobre ioga, dança circular (também conhecida como ciranda), meditação, atendimento xamânico de cura nativa, roda das 12 cores, cafuné, abraço sitar indiana (tocada por Mario Moura, do Monobloco), mantas com percussão e alguma ativação de marcas.
