Líderes do Vale do Silício, do CEO da Anthropic, Dario Amodei, ao da Nvidia, Jensen Huang, alertaram contra uma eventual repressão dos Estados Unidos aos sistemas de inteligência artificial de pesos abertos (open-weight), aprofundando o debate sobre como Washington deve responder ao avanço inesperado da startup chinesa Moonshot.
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Em uma publicação em seu blog divulgada na segunda-feira, Amodei procurou rebater as alegações de que a Anthropic defende a proibição dos modelos de pesos abertos, que permitem aos usuários baixar, modificar e personalizar a tecnologia.
Ao mesmo tempo, pediu que os Estados Unidos adotem medidas para desacelerar o desenvolvimento da IA na China e defendeu que todos os modelos — tanto os de pesos abertos quanto os fechados — passem por testes obrigatórios de segurança antes de serem lançados.
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“Deixem-me afirmar isso de forma clara, para não haver dúvidas: a Anthropic nunca defendeu a proibição de modelos de pesos abertos”, escreveu Amodei. Ele ponderou, no entanto, que esses modelos apresentam riscos porque é “difícil aplicar mecanismos de proteção” (guardrails) ou “monitorar seu uso”.
Enquanto o governo Trump e o Congresso discutem como responder ao novo modelo de pesos abertos da startup chinesa Moonshot AI, o Kimi K3, que rivaliza com as ofertas da Anthropic e da OpenAI, líderes da indústria de tecnologia vêm deixando claras suas posições sobre o tema.
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Dezenas de empresas de tecnologia — incluindo a principal concorrente da Anthropic, a OpenAI — uniram-se para pedir que Washington evite impor restrições aos modelos de código aberto (open source). Em uma carta assinada na sexta-feira, executivos do setor, entre eles o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmaram que sistemas abertos ajudam a “tornar a inteligência artificial avançada mais acessível, adaptável e amplamente disponível”.
Uma proibição “representaria uma ameaça existencial para centenas de empresas que utilizam diferentes modelos de código aberto, não apenas os vindos da China, mas de todo o mundo”, afirmou Harry Godfrey, diretor-executivo da Little Tech Association, em entrevista à Bloomberg Television. A entidade representa quase 200 startups do Vale do Silício.
A Anthropic não assinou a carta, decisão que levou alguns críticos — entre eles o ex-“czar” de inteligência artificial da Casa Branca, David Sacks — a afirmar que a empresa estaria fazendo lobby para enfraquecer concorrentes chineses que desafiam o modelo de negócios das companhias que desenvolvem modelos de pesos fechados (closed-weight).
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No texto publicado na segunda-feira, Amodei negou essa acusação e justificou a decisão da Anthropic de não aderir à carta da coalizão. Segundo ele, a empresa discorda da afirmação de que modelos de pesos abertos facilitam o desenvolvimento de mecanismos de segurança.
Em vez disso, Amodei reiterou sua posição, defendida há anos, de que modelos de pesos abertos oferecem maior risco de facilitar ataques cibernéticos ou biológicos. Para reduzir esses riscos, ele propõe controles rigorosos sobre a exportação de chips, medidas governamentais para coibir o suposto uso indevido de modelos americanos por concorrentes chineses e a realização de testes obrigatórios em todos os modelos de IA, tanto os de pesos abertos quanto os fechados.
Huang, que lidera a defesa dos modelos de código aberto, tem um encontro marcado nesta terça-feira, em Washington, com o senador Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado, segundo um porta-voz do parlamentar.
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Na semana passada, Warner defendeu a realização de testes obrigatórios de segurança para os modelos de IA mais avançados como parte de um marco regulatório para a inteligência artificial, a mais recente de uma série de propostas de regulamentação apresentadas no Congresso americano neste ano. O site Politico havia informado anteriormente sobre as reuniões de Huang com parlamentares.
Na semana passada, o diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, despertou preocupações sobre uma possível proibição, pelos Estados Unidos, dos modelos de pesos abertos ao afirmar, em uma publicação nas redes sociais, que o governo americano possui evidências de que a Moonshot acessou de forma indevida modelos de IA dos EUA para desenvolver seu mais recente sistema, por meio de um processo conhecido como destilação (distillation).
Na mesma semana, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, levantou a possibilidade de impor sanções a empresas chinesas que forem flagradas utilizando essa prática, que consiste em empregar as respostas geradas por um modelo mais avançado como dados de treinamento para um modelo menor, chamado de “modelo aluno”.
A Anthropic e a OpenAI acusaram empresas chinesas de inteligência artificial — da DeepSeek à Alibaba — de recorrer à destilação. O governo americano concordou em compartilhar informações para ajudar a combater esses supostos casos, que violam os termos de uso das empresas.
A China rejeitou as alegações de que seus desenvolvedores de IA tenham utilizado a destilação de forma indevida e, na segunda-feira, autoridades em Pequim advertiram que responderão com medidas de retaliação a qualquer sanção imposta pelo governo dos Estados Unidos contra empresas chinesas do setor de inteligência artificial.

