Em 2000, a atriz Glória Menezes, falecida nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro, surpreendeu a crítica e o público com sua atuação em “Jornada de um poema”, peça da americana Margaret Edson, vencedora do Prêmio Pulitzer. Aos 64 anos, ela cortou totalmente os cabelos e, em cena, ficava nua para viver uma rigorosa professora universitária que está com câncer em fase terminal.
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A atriz gostava de conversar com a plateia ao fim de cada apresentação:
— Tenho vários depoimentos do público gravados. Eu terminava a peça nua e morta. Raspei a cabeça por dois anos. Estava no palco com a cabeça raspada e nua. Poderiam ter metido o pau em mim, pela minha audácia. — disse ela ao GLOBO sobre o espetáculo, dirigido por Diogo Vilela e que marcou os 40 anos de carreira da atriz.
Glória Menezes interpretou mulher que descobre ter câncer terminal
Adriana Pittigliani
No fim das contas, a preocupação era infundada, tanto que Glória acabou ganhando um Prêmio Shell pela atuação, valendo nova reflexão dela a respeito, anos depois:
— Eu nunca me preocupei com o que vão pensar de mim. Vivo a minha vida. A imagem que o público faz é problema dele. Mas confesso que, quando raspei a cabeça e fiquei nua em pelo, pensei: agora ou vai ou racha.
Entre José Wilker e Fernanda Montenegro, Glória Menezes recebeu o Prêmio Governo do Estado do Rio de Janeiro de Teatro de 2000 pela peça
Camilla Maia/11-12-2000

