As mudanças climáticas acentuaram a necessidade de adotar medidas para assegurar o bem-estar dos animais de produção nas propriedades rurais. Uma nova geração de aplicativos de celular tem sido o trunfo de muitos produtores na gestão das fazendas.
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Além de ser uma questão ética, garantir que os animais não sofram com calor ou frio em excesso é também um instrumento de melhoria dos ganhos financeiros dos produtores, já que o estresse térmico afeta a produtividade da criação.
Uma dessas ferramentas é o CoolCare. Desenvolvido pela De Heus global, o aplicativo é uma plataforma multifuncional que ajuda produtores a prever riscos de estresse térmico em aves, ruminantes e suínos. O aplicativo usa dados climáticos para emitir alertas e fornecer recomendações personalizadas de manejo, incluindo ajustes na nutrição e melhorias nas instalações.
— A função do CoolCare é calcular o índice de temperatura e umidade na fazenda, auxiliando a mensurar o impacto do clima regional no conforto térmico e desempenho do animal — diz Waldonys Moreira Pinheiro, supervisor técnico e comercial da área de ruminantes da De Heus.
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Quando associado ao uso dos dataloggers (dispositivos eletrônicos colocados no animal), o aplicativo registra as oscilações de temperatura dos animais ao longo dos dias. Isso permite ao produtor fazer eventuais ajustes de manejo.
Outra novidade é o BovConfort, desenvolvido pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), do governo do Rio Grande do Sul. O público-alvo do aplicativo são os produtores de leite. Com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o app calcula o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que indica se os animais estão em uma faixa de conforto térmico ou em risco.
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A partir disso, o BovConfort estima as perdas potenciais na produção de leite e oferece recomendações técnicas para minimizar os impactos do estresse térmico. Depois de instalado, o aplicativo não precisa de internet para funcionar.
Adriana Tarouco, pesquisadora do DDPA, comenta que os produtores do noroeste do Rio Grande do Sul vêm sofrendo com verões cada vez mais quentes e estiagens prolongadas. Assim, avalia, o BovConfort pode ser uma das estratégias para combater esses efeitos.
Em São Paulo, o professor e pesquisador Fabiano Gregolin desenvolveu o GRT para sua tese de doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O aplicativo identifica e avalia riscos térmicos nas granjas e, a partir disso, oferece relatórios personalizados em PDF e vídeos que dão orientações sobre a adoção de melhorias.
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A plataforma segue padrões internacionais de gestão de risco, como a ISO 31000.
— Com ele (o GRT), produtores conseguem prevenir perdas, melhorar a qualidade da carne e garantir um ambiente mais saudável para os animais — diz Gregolin.
Para a publicação do estudo, a tecnologia passou por testes em granjas de diferentes portes. Hoje, no entanto, questões burocráticas impedem que o aplicativo esteja disponível nas lojas para download. Gregolin, autor intelectual do projeto, é favorável a liberar a oferta da ferramenta ao público. A Esalq é a proprietária da patente. Procurada, a USP não se manifestou até o fechamento desta edição.

