João Henrique Caldas, o JHC, vai concorrer ao governo em Alagoas. O ex-prefeito de Maceió registrou sua candidatura faltando poucas horas para o fim do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu principal concorrente deve ser Renan Filho (MDB), apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também deixou para fazer apenas na última hora.
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A chapa de JHC vai ter a mulher dele, Marina Candia, e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), como candidatos ao Senado. A mãe do ex-prefeito, a senadora Eudócia Caldas, ficou como primeira suplemente de Marina. O primeiro suplemente de Lira é Luiz Romero (PL), irmão de PC Farias.
Já Renan Filho deve ter Renan Calheiros (MDB) e o deputado estadual José Wanderley Neto (MDB), conhecido como Dr. Wanderley, como concorrentes ao Senado. Faltando uma hora para o fechamento da Justiça Eleitora, a chapa concorrente ainda não foi oficializada, assim como a candidatura de Marina Candia.
Faltando uma hora para o sistema da Justiça Eleitoral fechar, apenas Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata) estavam registrados para concorrer ao governo do estado e Alexandre Fleming (UP), Davi Davino Filho (Republicanos) e Mariedson (Democrata) para o Senado. O prazo se encerra às 19h.
De acordo com o colunista do GLOBO Lauro Jardim, JHC havia dito na última quinta-feira que seria candidato ao Senado numa reunião fora da agenda. Agora, o ex-prefeito vai enfrentar a família Calheiros, apoiada por Lula, mas evita entrar em rota de colisão com o seu aliado Arthur Lira.
Na avaliação de diferentes forças políticas de Alagoas, JHC poderia ter mais chances de vitória em uma disputa pelo Senado do que pelo governo. Para o Senado, o estado elegerá dois representantes em 2026, enquanto apenas um candidato será eleito governador. No entanto, ele é competitivo nos dois cenários.
Indefinição
No ano passado, quando ainda estava filiado ao PL , o ex-prefeito se reuniu com o presidente Lula para viabilizar a indicação da sua tia, Marluce Caldas, como ministra do STJ. Relatos de pessoas envolvidas nas tratativas, à época, apontaram que naquele momento ele fechou um acordo com Lula para disputar uma das duas vagas ao Senado neste ano. Com isso, Renan Filho seria o franco favorito para voltar a ser governador do estado.
JHC saiu do PL no final de março, quando foi destituído do comando estadual do partido pelo presidente nacional, Valdemar Costa Neto. O ex-prefeito ficou insatisfeito por não ter autonomia para formar sua chapa, uma vez que o partido já tinha uma vaga reservada justamente a Lira, e passou a presidir o diretório local do PSDB disposto a organizar seu próprio arranjo.
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro fez um aceno a JHC, sugerindo que sua mulher, Marina Candia (PSDB), concorra ao Senado ao lado de Lira. A sugestão de Flávio agradava a JHC e acabou se confirmando, mas é vista por Lira como prejudicial a seus planos, por acentuar a concorrência.
Interlocutores de Lira e de Lula mostravam nos bastidores irritação com o ex-prefeito, que também é pressionado pelo avanço de uma investigação da Polícia Federal sobre aportes da capital alagoana no Banco Master durante sua gestão.
Na segunda-feira, a PF deflagrou operação para apurar o que levou o instituto de previdência de Maceió a comprar R$ 97 milhões em papéis do Master, posteriormente liquidado por gestão fraudulenta. No mesmo dia, JHC foi ao encontro de Lula em Brasília, segundo interlocutores do presidente e do ex-prefeito.
Dois dias depois, o Senado aprovou uma mensagem presidencial enviada por Lula que autoriza a prefeitura de Maceió a contrair um empréstimo de US$ 150 milhões com o Banco dos Brics, dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff. A mensagem foi relatada por Eudócia Caldas, que associou a liberação dos recursos à implantação de um corredor BRT com 450 novos ônibus, projeto apresentado como uma das vitrines da gestão de JHC em Maceió.

