Madureira volta a ter um encontro mensal dedicado ao samba de raiz. Neste domingo, o Pagodão de Madureira estreia uma nova fase sob o Viaduto Prefeito Negrão de Lima, com rodas de samba no primeiro domingo de cada mês. A abertura reunirá Ailton Senzala, com cerca de 40 anos de trajetória, e o grupo Mapa da Mina, formado há um ano, em uma proposta que combina tradição e espaço para novos compositores. A roda será realizada das 15h à meia-noite, com entrada gratuita até as 18h. Depois desse horário, será cobrado ingresso colaborativo de R$ 10.
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Fundado em 11 de maio de 1990, o Pagodão nasceu como bloco carnavalesco com uma ideia diferente: levar o pagode para as ruas e desfilar pela Avenida Rio Branco, no Centro, cantando sucessos populares do gênero, em vez de se limitar ao repertório tradicional de samba-enredo. A iniciativa deu certo e conquistou foliões que acompanhavam o cortejo até a Cinelândia.
Ailton Senzala participará da estreia da nova fase do Pagodão
Divulgação
Na primeira fase, os encontros também aconteciam aos domingos, sob o viaduto, com o Grupo Senzala, que participou da fundação do projeto. Segundo Evandro Nascimento de Souza, conhecido como Leno Souza, fundador do Pagodão do Viaduto de Madureira e presidente do Baile Charme do Viaduto de Madureira, as rodas chegaram a reunir cerca de duas mil pessoas por edição. As atividades regulares foram interrompidas entre 2015 e 2018 por dificuldades financeiras, mas o bloco continuou desfilando no carnaval. Atualmente, sai pela Avenida Chile, também no Centro.
A retomada da roda foi uma iniciativa de Leno com Teresa Cristina Caldas, do Quintal da Cris, e outros três parceiros. A ideia surgiu da percepção de que Madureira precisava voltar a ter um encontro dedicado ao samba de raiz.
— Hoje tem roda em todos os bairros, mas Madureira estava carente de uma roda de samba autêntica. Vamos resgatar isso embaixo do viaduto, onde o samba e o charme foram morar — afirma Leno.
Na estreia, o Grupo Senzala entrará às 15h, seguido pelo Mapa da Mina, às 19h. A proposta é que o grupo mais jovem abra espaço para compositores apresentarem suas criações diretamente ao público, com letras distribuídas durante a roda para que todos possam aprender e cantar juntos. A inspiração, segundo Leno, é a tradição das rodas do Cacique de Ramos, onde novos sambistas encontravam espaço para mostrar suas músicas.
Leno conta que a proposta é reunir integrantes de blocos carnavalescos da Zona Norte e frequentadores do baile charme realizado há 36 anos sob o viaduto. Sem patrocinadores comerciais, o projeto será viabilizado com o apoio da rede de contatos construída ao longo da trajetória do bloco e da cena cultural de Madureira.
Para a estreia, já haviam sido distribuídos mais de dois mil convites físicos e registradas quase mil retiradas pelo aplicativo. A expectativa é atrair ainda mais público nas próximas edições e consolidar a roda de samba no calendário cultural do bairro.
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Após anos de pausa, Pagodão de Madureira volta com roda de samba gratuita sob o viaduto
