Ao contrário das últimas duas janelas marcadas por contratações de valores recordes, o Flamengo não terá o mesmo fôlego para investimentos em jogadores no meio deste ano. O orçamento mais enxuto para buscar os reforços pedidos pelo torcedor e pelo treinador Leonardo Jardim não significa uma quebra nos cofres rubro-negros, mas apenas uma limitação imposta pelo fluxo de caixa.
Em 2025, o clube teve diversas fontes de renda especiais, como a premiação da participação na Copa do Mundo de Clubes e as vendas de Gerson e Wesley para o futebol europeu. Com dinheiro sobrando, a diretoria bateu o recorde de contratação com os 25 milhões de euros (cerca de R$ 163 milhões à época) pagos por Samuel Lino. No início deste ano, após uma temporada vitoriosa, o Flamengo redobrou a aposta e pagou 42 milhões de euros (cerca de R$ 260 milhões) por Lucas Paquetá.
Agora, porém, a situação é diferente, e o rubro-negro prioriza segurar as pontas para arcar com as parcelas dos compromissos já firmados. De um ano para cá, Carrascal, Emerson Royal, Andrew e Vitão foram outros nomes que a diretoria investiu alguns milhões de euros para adicionar ao elenco.
Lucas Paquetá fechou o placar na vitória do Flamengo sobre o Cusco pela Libertadores no Maracanã
Alexandre Cassiano
Internamente, o Flamengo admite que algum fôlego extra no mercado precisará estar necessariamente atrelado a vendas que forem feitas no meio do ano. Jogadores como Everton Cebolinha, Luiz Araújo, Erick Pulgar e Ayrton Lucas convivem com chances de saída, mas não há nada concretizado.
O rubro-negro estima um faturamento de R$ 1,8 bilhão para o orçamento de 2026, valor superior ao R$ 1,6 bilhão projetado em 2025. Porém, é menor em relação ao que o clube efetivamente faturou no último ano: um recorde histórico de pouco mais de R$ 2 bilhões. Ou seja, são expectativas que vão mudando à medida que novas receitas aparecem, entre elas as premiações por títulos.
De olho em oportunidades de mercado
Dentro desse contexto, entra principalmente a necessidade de o departamento de futebol saber garimpar o mercado em busca de opções mais baratas, e que se encaixem no modelo de jogo da equipe. Esta foi uma das principais atribuições que levou o presidente Luiz Eduardo Baptista a contratar o diretor José Boto há um ano e meio, por ser um especialista em scouting.
Porém, Juninho foi a única contratação que se encaixou neste perfil na atual gestão, e acabou se mostrando um erro. Inclusive, o atacante foi a única venda do Flamengo neste ano, indo para o Pumas (México) pelo mesmo valor que foi comprado: cinco milhões de euros (R$ 32 milhões).
Evidentemente, a diretoria também trabalha com a possibilidade de encontrar oportunidades de mercado. Foi o caso de Paquetá, que manifestou o desejo de voltar ao clube que o revelou, e agiu nos bastidores para viabilizar a transferência.
Leonardo Jardim após goleada do Flamengo sobre o Medellín
Gilvan de Souza/Flamengo
Hoje, as prioridades do Flamengo são contratar um centroavante e um meia de criação reservas, para oferecerem alternativas a Pedro e Arrascaeta. Posições como volante e ponta também podem virar prioridades em caso de eventuais saídas. Mas, para além dos setores, o clube também foca no perfil de jogador. O departamento de futebol quer contratar nomes que atendam a três características: técnica, saúde física e velocidade.
— O Flamengo é uma equipe que, em todos os mercados, busca aumentar o leque dos seus jogadores para melhor. Características que são importantes para jogar no Flamengo: técnica, porque temos o controle do jogo, e saúde física. Sabemos o desgaste do campeonato, sabemos a importância de ter jogadores com intensidade. Sabemos a importância de ter jogadores técnicos porque temos muito a bola e execuções rápidas, atletas com alguma velocidade. Isso é muito importante — afirmou Leonardo Jardim.

