
Em um novo episódio de tensão em uma relação conturbada desde o início, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que “é hora da Ucrânia ter um novo presidente”, em resposta a críticas feitas pelo líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, a um acordo anunciado pelo republicano para comprar centenas de milhares de toneladas de diesel da Rússia, quatro anos e meio após o início da guerra.
— Sabe o que eu sugiro? Sugiro que eles arranjem um novo líder que consiga fechar acordos, porque ele poderia ter fechado muitos acordos e, por algum motivo, nunca o faz — disse Trump a jornalistas na Casa Branca, criticando ainda os ataques lançados por Kiev contra refinarias na Rússia. — Nós dissemos: “vocês podem fazer o que quiserem com a Rússia, mas não ataquem as refinarias”, porque isso gera um problema mundial.
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Na sexta-feira, Trump anunciou em sua rede social, o Truth Social, que havia firmado com o presidente russo, Vladimir Putin, um acordo para disponibilizar imediatamente 300 mil toneladas de diesel, acrescidas de mais 500 mil em novembro, além de entregas posteriores nos meses seguintes, de forma a amenizar o impacto da alta global nos preços dos combustíveis. Contudo, analistas apontam que o volume total contratado, 6 milhões de barris, seria suficiente para atender a apenas um dia e meio da demanda do mercado americano por diesel.
Há dúvidas ainda se os russos teriam essa quantidade de combustíveis em seus estoques: com as refinarias sob ataque dos drones ucranianos, a produção interna despencou, provocando filas nos postos de gasolina, racionamentos e forçando a importação de gasolina de outros países. No final de setembro, o governo russo estendeu até o fim do mês o veto às exportações de diesel, e o próprio Trump ressaltou que as entregas dependem “do estado de suas refinarias”.
Russos fazem fila para abastecer num posto de gasolina em Moscou. País enfrenta escassez de combustível por causa de ataques ucranianos à infraestrutura de petróleo russa
Igor Ivanko/AFP
Para Zelensky, o acordo, que na prática suspende as sanções sobre as exportações russas de diesel, foi um presente para Putin, em meio a mais uma noite de pesados bombardeios contra a Ucrânia, que deixaram ao menos 12 mortos no país.
“Hoje, a Rússia expressou seu agradecimento pelo levantamento das sanções sobre as exportações de diesel ao lançar cinco bombas planadoras sobre edifícios residenciais em Zaporíjia”, escreveu na rede social X. “Na noite passada, confirmou-se mais uma vez que, na Rússia, eles interpretam qualquer aliviamento de pressão como um sinal de que podem continuar lutando, de que podem continuar lançando bombas sobre cidades.”
Para os europeus, a decisão americana de suspender as sanções sobre o diesel veio na hora errada.
“Ataques russos mataram mais de 80 civis ucranianos em dois dias. Além disso, intensificou seus ataques híbridos contra a Europa, tanto Estados membros da UE quanto aliados da Otan. Suspender sanções sobre o diesel russo fornece a Moscou mais receitas para travar a guerra. Não é hora de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará”, disse a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, no X, anunciando ainda a iminente aprovação de “do maior conjunto de listagens de sanções visando a máquina de guerra da Rússia desde o início da guerra”.