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Em entrevista por telefone à Fox News, Trump disse que França, Alemanha e Reino Unido, cujos líderes estavam em Washington ontem, “são aqueles” que querem enviar tropas para a força de paz, uma ideia que começou a circular em fevereiro, e que já foi duramente criticada por Moscou em mais de uma ocasião, a última delas na segunda-feira. Ao ser perguntado se poderia contribuir com tropas americanas, ele foi categórico ao dizer que não.
— Vocês têm a minha garantia e eu sou o presidente — disse Trump. — Só estou tentando impedir que pessoas sejam mortas.
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Por outro lado, ele deixou no ar a possibilidade de contribuir com recursos para garantir a defesa do espaço aéreo ucraniano. Desde a invasão russa, em fevereiro de 2022, Zelensky pede aos aliados ocidentais, sem sucesso, a criação de uma zona de exclusão aérea em seu país, para impedir a ação de aeronaves russas, tripuladas ou não. Além disso, Kiev quer obter novos sistemas de defesa, como os americanos Patriot, para amenizar os impactos dos recorrentes ataques aéreos da Rússia.
— Estamos dispostos a ajudá-los com algumas coisas, principalmente se você puder falar sobre isso por via aérea, porque ninguém tem o tipo de coisa que nós temos — disse Trump à Fox News.
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Na véspera, antes de um encontro om Zelensky, Trump foi perguntado pelos jornalistas se planejava integrar a força de paz na Ucrânia, e por três vezes não afastou a possibilidade. Horas depois, em uma reunião ampliada, com os demais líderes, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, elogiou a mudança de postura do presidente americano.
O avanço nas conversas sobre as garantias de segurança pós-guerra foi talvez o grande feito da reunião de segunda-feira, que de uma forma poucas vezes vistas na História recente reuniu tantos líderes de primeiro escalão na Casa Branca para discutir o futuro de um conflito que, hoje, não parece ter um caminho simples para o final. Ao mesmo tempo em que Trump pareceu enterrar as chances de Kiev integrar a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, ele soou receptivo à formulação de uma estratégia para garantir que Moscou decida, mais uma vez, invadir o país.
No encontro, a premier italiana, Giorgia Meloni, sugeriu a criação de um mecanismo similar ao Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, pilar da Otan e que estabelece que um ataque contra um dos membros será considerado um ataque contra todos. Os EUA não se pronunciaram sobre a hipótese, que conta com o apoio da Comissão Europeia.
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Outro ponto alardeado pelo americano é seu desejo de reunir Zelensky e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pela primeira vez desde o início do conflito. Trump pausou a reunião com os europeus para ligar ao líder russo e, dentre outros temas não revelados, disse ter dado os primeiros passos para a concretização do encontro, que poderia acontecer, segundo a agenda da Casa Branca, em até duas semanas. À Fox News, ele disse que “meio que combinou” com o Kremlin a realização da reunião, que também contaria com um encontro à parte, do qual Trump faria parte.
— Liguei para o presidente Putin e estamos tentando marcar uma reunião com o presidente Zelensky e veremos o que acontece lá e, se der certo, se der certo, então irei ao [encontro] trilateral e fecharei a negociação — disse o presidente americano, acrescentando que, em sua opinião, os líderes russo e ucraniano estão “se dando um pouco melhor do que eu pensava”. — Acho que, pelo fato de talvez eles estarem se dando um pouco melhor do que eu pensava, caso contrário, eu não teria marcado a reunião dos dois. Eu teria marcado uma trilateral, mas acho que eles estão se saindo um pouco melhor. Tem havido uma tremenda inimizade.
Zelensky afirmou que está disposto a se reunir com Putin de qualquer maneira, mas o mesmo não se pode dizer do Kremlin. Nesta segunda-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, não quis rejeitar ou se comprometer com um encontro. Nos bastidores, os russos são categóricos ao afirmar que não desejam que a cúpula ocorra na Europa, uma vez que Putin é alvo de uma ordem internacional de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional.
— Quaisquer contatos envolvendo altos funcionários devem ser preparados com o máximo cuidado — disse Lavrov a jornalistas.
Embora na entrevista à Fox News o presidente americano tenha dito que sua principal motivação para trabalhar pelo fim da guerra na Ucrânia seja o desejo de “ir para o céu”, a forma como ele pretende encaminhar um acordo de paz deixa clara sua opção por um dos lados : a Rússia. Aos jornalistas, ele afirmou que Zelensky, cujo país foi atacado em fevereiro de 2022, “precisa ser flexível” nas negociações, e mais uma vez sugeriu que ele era o culpado pela guerra.
— Não é uma guerra que deveria ter sido iniciada. Não se faz isso. Não se enfrenta, não se enfrenta uma nação dez vezes maior que você — disse Trump, dando a entender que apoia as demandas russas para anexar territórios invadidos e a totalidade da região de Donbass, no leste, onde há áreas ainda sob controle ucraniano. — Agora eles estão falando sobre o Donbass, mas o Donbass, como vocês sabem, agora são 79% de propriedade e controlados pela Rússia. Então eles entendem o que isso significa.

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Apesar de tentar falar duro diante das câmeras da Fox News — ele afirmou que o líder russo estará em uma “situação difícil” caso não concorde com a diplomacia —, Trump não escondeu a relação afetuosa que nutre com Putin. O republicano falou com nostalgia carinhosa sobre a reunião entre os dois no Alasca, na semana passada, um encontro marcado mais pelo que não foi dito do que pelo que (não) foi anunciado.
— Vocês viram que quando ele desceu do avião dele, eu desci do meu, há um afeto ali que você não consegue, sabe, há um sentimento decente… e é uma coisa boa, não uma coisa ruim — disse Trump, afirmando que não conversou por telefone com Putin diante de seus convidados na Casa Branca porque considerou que seria “desrespeitoso” com o russo. — Você sabe que eu não faria isso, porque eles não têm as melhores relações e, na verdade, o presidente Putin não conversa com pessoas da Europa. Quer dizer, isso foi parte do problema.