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outubro 17, 2026
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Após protestos estudantis, franceses vão às ruas contra o custo de vida em atos que podem marcar retorno dos coletes amarelos a meses da eleição

Por · outubro 17, 2026


A França vive neste sábado um dia de protestos contra o aumento do custo de vida que deve servir de termômetro para o mal-estar social na reta final do governo de Emmanuel Macron. A mobilização pode marcar o retorno dos coletes amarelos, movimento que abalou o país entre 2018 e 2019, e ganhou a adesão dos estudantes do ensino médio, que protestam desde o fim de setembro por melhores condições na educação. A seis meses da eleição presidencial que vai escolher o sucessor de Macron, os atos reúnem dezenas de milhares de pessoas em todo o país, marcados por confrontos com a polícia em várias cidades, e já deixaram, até agora, mais de 160 presos.
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Sob o lema “Amarelos e Jovens”, a convocatória chama às ruas os coletes amarelos, a geração Z, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados. SMobilização expõe desgaste social na reta final do governo Macron e termina com confrontos, gás lacrimogêneo e mais de 160 detidosegundo o site 17octobregiletjaune.net, cerca de 1,5 mil ações estão previstas ao longo do dia. Além de passeatas nos centros urbanos e concentrações em rotatórias, símbolo do movimento, há bloqueios planejados em estações, pontes, pedágios e postos de combustível.
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Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar pessoas encapuzadas e mascaradas que atiravam fogos de artifício e outros objetos contra os agentes na Praça da República, onde se concentrou o principal ato, segundo a agência Associated Press. Grande parte das estações de metrô ao redor da Champs-Élysées, do Palácio do Eliseu e do Parlamento foi fechada a pedido da polícia.
Manifestante segura cartaz em meio à fumaça do gás lacrimogêneo, enquanto ocorrem confrontos antes de uma manifestação contra na Place de la République
MATTHIEU RONDEL/AFP
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 33 mil pessoas participaram de 140 ações fora da região de Paris, e ao menos 166 foram presas em todo o país. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, convocou a célula de crise do governo para acompanhar a situação.
O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou violência praticada por mascarados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de saque, ataques a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ações contra prédios públicos e veículos de imprensa. As autoridades atribuíram os distúrbios ao que chamaram de “ultraesquerda”, segundo a agência Reuters. Em Marselha, lojas e uma delegacia municipal foram danificadas, e manifestantes chegaram a invadir brevemente o saguão da prefeitura. O prefeito, Benoît Payan, falou em “danos limitados” à TV BFM.
Nuñez, inclusive, autorizou o uso de granadas atordoantes neste sábado. Essas armas haviam sido suspensas durante os protestos estudantis depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma mão.
Os estudantes do ensino médio, que protestam desde o fim de setembro por melhores condições, aderiram à mobilização. Jovens que participavam do ato na capital disseram à rede britânica BBC que são “pacifistas” e que “apenas estão tentando promover mudanças”.
— Estamos lutando porque o custo de vida está duro demais, porque o preço do combustível está alto demais, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país só por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino — disse à Reuters Lola, manifestante de 19 anos, em Paris.
Na sexta-feira, Macron fez um apelo “à calma” e disse que o “direito de se manifestar” deve vir acompanhado de “respeito”, sem “insultar” nem “quebrar” nada.
Pressão sobre o governo
O alcance dos protestos ainda é incerto, porque as convocações circulam pelas redes sociais e, em sua maioria, não foram comunicadas às autoridades. A mobilização também coincide com o primeiro dia de duas semanas de férias escolares.
Dois terços dos franceses apoiariam a volta dos coletes amarelos, segundo uma pesquisa do instituto Elabe de meados de setembro. Os protestos dos coletes amarelos em 2018 e 2019, contra o aumento previsto de um imposto sobre combustíveis, chocaram o país tanto pela destruição no Arco do Triunfo e pelos saques a lojas quanto pela ação policial. O movimento perdeu força depois que Macron anunciou bilhões de euros em cortes de impostos
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O levantamento aponta a líder da extrema direita, Marine Le Pen, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial, como a candidata mais bem avaliada para aumentar o poder de compra.
Nos últimos dias, Lecornu tentou responder a parte das reivindicações. Anunciou novos recursos para o setor agrícola em 2027, a liberação de 10 milhões de barris de diesel para tentar baixar os preços e ajuda às cidades rurais, entre outras medidas. Os sindicatos, porém, cobram mais.
— O governo tem que dar respostas políticas sobre o seu orçamento, sobre a questão dos salários, sobre o congelamento dos preços dos combustíveis — disse à rádio RMC Agathe Le Berder, do sindicato CGT.
A mobilização ocorre enquanto o governo tenta aprovar no Parlamento o orçamento de 2027, que prevê um forte ajuste fiscal de € 54 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões, na cotação atual) para sanear as contas públicas. De olho na eleição presidencial, governistas e a extrema direita acusam o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), do presidenciável Jean-Luc Mélenchon, de se aproveitar da tensão social.
Com AFP

Após protestos estudantis, franceses vão às ruas contra o custo de vida em atos que podem marcar retorno dos coletes amarelos a meses da eleição