O senador Carlos Viana (PSD-MG), ex-presidente da CPI do INSS, foi oficializado como candidato à reeleição na chapa do governador Mateus Simões (PSD) durante a convenção partidária neste domingo. A indicação do parlamentar para a composição foi usada como justificativa para o rompimento entre Simões e o ex-secretário estadual da Casa Civil Marcelo Aro (PP), cotado agora para concorrer ao Executivo de Minas e para o palanque da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
— Fui convidado no projeto nacional acertado pelo presidente [Gilberto] Kassab com o [presidente do diretório estadual] Cássio Soares e com o governador Mateus. O PSD não é um partido que impõe nada, e sim dialoga. Agora, nós temos que olhar para a frente — disse durante a convenção estadual do PSD. — Não houve em momento algum qualquer possibilidade que minha candidatura não fosse efetivada.
Desde a filiação de Viana ao PSD, em abril, Aro se manifestava contrário à hipótese de dividir espaço na composição com o parlamentar. O ex-secretário tinha espaço reservado por Simões em sua chapa para concorrer ao Senado, mas, no final do mês passado, passou a declarar que a federação União-Progressista tenderia a não estar coligada com o governador se Viana fosse lançado para a reeleição.
No mesmo período, Aro passou a ter a candidatura ventilada internamente para substituição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que anunciou nesta segunda-feira a desistência da candidatura ao governo de Minas. Há a previsão de que o ex-secretário seja anunciado candidato durante a convenção estadual da federação também nesta segunda, na Assembleia Legislativa.
Em meio às articulações de Aro, Simões disse ter se “decepcionado” com o ex-aliado após uma reunião com ele na última quinta-feira. Já durante a sua convenção partidária no final de semana, o governador subiu o tom e buscou associar o ex-secretário a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e próximo a Aro no período em que ele era deputado federal.
— A polarização levou ao retardamento das decisões e os oportunistas de plantão viram aí uma possibilidade de ressuscitar cadáveres como o de Eduardo Cunha. Afinal de contas, eu continuo me perguntando como é que um presidiário cassado do Rio de Janeiro veio parar em Minas Gerais para ser candidato a deputado estadual — disse Simões.
Em resposta a Simões, Cunha, que escolheu se candidatar por Minas neste ano, foi às redes sociais reclamar que foi agredido “de forma baixa” e criticou o chefe do Executivo por assumir o governo, após a renúncia de Zema, “sem ter tido qualquer voto”. O ex-deputado disse que o governador agiu “talvez no desespero do seu isolamento político e da acachapante derrota que vai sofrer”.

