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outubro 11, 2026
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Arábia Saudita mantém aeroporto fechado e suspende aulas presenciais em Riad após ataque matar 12 e ferir mais de 300

Por · outubro 11, 2026
Arábia Saudita diz ter feito ataque "de grande escala" contra mais de 100 alvos houthis


Um dia após um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixar 12 mortos e 309 feridos, a Arábia Saudita manteve neste domingo seu principal terminal aéreo fechado e determinou a suspensão das aulas presenciais na capital, em meio a ameaças de novas ofensivas dos rebeldes houthis do Iêmen. O grupo, apoiado pelo Irã, alertou companhias aéreas para que não utilizem aeroportos e o espaço aéreo sauditas, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia participar dos ataques.
Contexto: Ataque em aeroporto de Riad deixa 12 mortos e mais de 300 feridos; milícia houthi assumiu autoria
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Autoridades sauditas anunciaram que as escolas de Riad deverão manter as atividades online até o fim da semana. O fechamento do Aeroporto Internacional Rei Khalid, que já estava em vigor, foi prolongado até pelo menos as 21h deste domingo, segundo o Flightradar24. Centenas de voos foram cancelados ou sofreram atrasos, enquanto as ameaças dos rebeldes aumentaram a preocupação de companhias aéreas, passageiros e seguradoras com a segurança das operações no país.
Em comunicado divulgado neste domingo, o porta-voz militar dos houthis, general de brigada Yahya Saree, reiterou o alerta contra a utilização de aeroportos e do espaço aéreo sauditas, afirmando que as instalações são “alvos potenciais e locais de operações de nossas forças”. O representante do grupo disse que as cidades de Meca e Medina estão excluídas das ameaças e pediu que “todos levem os alertas a sério”.
Embora os houthis não tenham reivindicado imediatamente a responsabilidade pelo ataque de sábado, o grupo reconheceu ter realizado ofensivas contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas nos últimos dias. A ofensiva contra o Aeroporto Rei Khalid foi a mais letal registrada no reino desde maio de 2015 e o ataque isolado com maior número de vítimas em um país árabe do Golfo desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em fevereiro.
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Entre os mortos estão quatro cidadãos sauditas, dois de Bangladesh, um americano, um palestino, um egípcio, um jordaniano, um sírio e um sudanês. Alguns dos 309 feridos permaneciam em estado crítico. O ataque atingiu um complexo que abriga os terminais 3 e 4, destinados a voos domésticos, provocando danos generalizados. A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita classificou a ofensiva como um “crime de guerra” e prometeu responder aos rebeldes.
Intervenção americana
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, condenou as ofensivas contra o reino e confirmou a morte de um cidadão dos EUA, enquanto Trump disse, pouco depois do ataque, que os Estados Unidos poderiam se juntar à Arábia Saudita em operações militares contra os houthis. O republicano destacou que pretende conversar com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sobre a situação.
— Talvez. Vamos analisar isso. Acabamos de saber do ataque recente, então tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente — afirmou Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de participação americana nas ofensivas.
Uma eventual intervenção aprofundaria o envolvimento dos EUA em uma guerra regional impopular, em um momento de preocupação do Partido Republicano com as eleições legislativas de meio de mandato. A escalada também ocorre em meio à paralisação das negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, enquanto crescem os temores de que americanos e israelenses retomem os ataques contra o território iraniano.
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Os houthis, que até recentemente haviam permanecido, em grande parte, à margem da guerra com o Irã, agora ajudam Teerã a pressionar a Arábia Saudita, um importante aliado de Washington. Além dos ataques contra instalações sauditas, o controle do grupo sobre áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb ameaça provocar novas interrupções no transporte marítimo de petróleo. A passagem é uma alternativa estratégica ao Estreito de Ormuz, onde o Irã vem atacando embarcações.
A intensificação das ofensivas ocorre após a coalizão liderada pela Arábia Saudita lançar uma grande operação militar contra os houthis, com apoio aéreo às forças do governo iemenita. O objetivo é reverter os recentes avanços territoriais dos rebeldes ao longo do Mar Vermelho, que ampliaram sua capacidade de monitorar a navegação em Bab el-Mandeb. Neste domingo, os houthis também relataram dois ataques aéreos contra Sanaa, capital do Iêmen, atribuídos à Arábia Saudita.
O Ministério da Saúde administrado pelos houthis afirma que 91 iemenitas morreram e 168 ficaram feridos em ataques da coalizão saudita nas últimas cinco semanas, sendo mulheres e crianças a maior parte.
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Os confrontos entre o reino e os rebeldes remontam a 2015, quando Riad interveio na guerra civil iemenita em apoio ao governo reconhecido internacionalmente. A relativa calmaria estabelecida após um cessar-fogo em 2022 terminou em julho, quando os houthis retomaram os ataques após acusarem os sauditas de disparar contra o aeroporto de Sanaa durante a tentativa de pouso de um avião vindo do Irã.
Reação internacional
O ataque ao aeroporto saudita provocou condenações de governos e organismos internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar “profundamente chocado” e classificou a ofensiva como uma “violação do direito internacional”, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o episódio representa uma “escalada perigosa” e alertou que os ataques estão desestabilizando importantes redes globais de transporte e energia.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, classificou a ofensiva como uma “grave ameaça à paz e à estabilidade regionais”. Egito, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Líbano e Síria também condenaram o ataque, com o Catar afirmando que a segurança saudita é parte integrante da segurança do país e do sistema coletivo de proteção do Conselho de Cooperação do Golfo. Já o Iraque reiterou sua oposição à escalada militar e defendeu o diálogo como alternativa à violência.
(Com AFP)

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