A Renault afirma que a União Europeia alcançou um “marco importante” inicial com o acordo firmado para conter o avanço dos carros híbridos chineses, o que ajudará a criar perspectivas para o futuro da indústria automobilística europeia.
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A apesar dos laços de Milei com Trump após uma reunião entre o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e seu homólogo chinês. As vendas de carros híbridos de marcas chinesas, como a BYD, em toda a Europa dispararam neste ano, chegando a representar até um quarto das entregas mensais e intensificando as tensões comerciais.
— Eu havia pedido a ele que buscasse um acordo rapidamente — afirmou o presidente-executivo da Renault, François Provost, em entrevista no domingo. — Sem um acordo, estaríamos diante de uma guerra comercial com a China, o que seria uma situação em que todos sairiam perdendo.
Provost estava entre os líderes empresariais que se reuniram com Šefčovič antes de sua viagem, durante a qual a União Europeia buscou enfrentar os desequilíbrios comerciais cada vez mais acentuados.
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Antes das reuniões com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, França e Alemanha pediram à UE que ampliasse significativamente seus instrumentos de retaliação econômica e investigasse se as importações subsidiadas estão prejudicando setores como os de produtos químicos e plásticos.
As montadoras europeias vêm sofrendo pressão de empresas como a Chery, ao mesmo tempo que perdem participação de mercado na China, onde concorrentes ágeis desenvolvem novos modelos com maior eficiência.
Na Europa, marcas chinesas oferecem linhas atraentes de veículos, como o hatchback Dolphin, da BYD, que combina tecnologia sólida de veículos elétricos com preços acessíveis. Essa transformação está obrigando montadoras como a Volkswagen a reduzir seus quadros de funcionários, em meio a um amplo programa de cortes de custos.
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Provost tem defendido publicamente que a União Europeia busque um novo acordo com a China que possa limitar o fluxo de importações e, ao mesmo tempo, incentive fabricantes e fornecedores chineses a investir na Europa.
Na França, a própria Renault já depende de alguns fornecedores chineses. A Envision monta baterias para veículos elétricos destinados aos modelos R5, o carro urbano mais vendido da marca, R4 e Alpine A290, em uma unidade próxima à fábrica de montagem de automóveis da Renault em Douai, no norte da França.
— Precisamos que as empresas chinesas invistam pesadamente na cadeia de valor europeia, em vez de simplesmente instalar fábricas de montagem —afirmou Provost.
Ele também pediu que a UE tome medidas rápidas em relação às chamadas regras Made in Europe (Fabricado na Europa), que podem estabelecer as condições para a atuação de empresas chinesas na região.
— Existe o risco de que a indústria automobilística europeia continue entrando em colapso se a Europa não tomar decisões rápidas agora — afirmou. — Pelo menos na frente chinesa, houve algum avanço graças ao comissário Šefčovič.
Até agora, a Renault tem enfrentado a concorrência acirrada das montadoras chinesas melhor do que suas pares europeias. O grupo acelerou o desenvolvimento de novos modelos com a ajuda de engenheiros na China e na França, levando apenas 16 meses para lançar a segunda geração do Dacia Spring, movido a bateria. O carro tem preço inicial inferior a €18.000 (US$ 20.160).
No mês passado, a agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito de longo prazo da Renault, citando a melhora “sustentada” da qualidade de crédito do grupo nos últimos anos e uma estrutura de balanço patrimonial “substancialmente mais sólida”.
“Até agora, neste ano, a administração da Renault claramente apresentou um desempenho muito superior ao esperado pelos investidores em termos de planejamento orçamentário e execução”, escreveu o analista do Citi Harald Hendrikse em um relatório divulgado neste mês.
A empresa também manteve seus planos de lançamento de veículos elétricos, enquanto a demanda volátil obrigou empresas como Volkswagen e Stellantis a realizar mudanças estratégicas dispendiosas. Ao evitar essas rupturas e concentrar suas operações principalmente no mercado europeu, a Renault se beneficiou do aumento da demanda por veículos elétricos, em meio à alta dos preços da gasolina e do diesel.
— Não temos motivo para nos envergonhar da tecnologia presente nos nossos carros e estamos garantindo que esses veículos sejam competitivos em relação aos rivais chineses que irão fabricá-los na Europa — afirmou Provost. —Também apostamos fortemente nos veículos elétricos e agora podemos ver que essa escolha estratégica foi acertada.
Provost afirmou que planeja investir mais € 10 bilhões (US$ 11,2 bilhões) França nos próximos cinco anos, caso haja apoio político e social.
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