Interromper as multitarefas cotidianas e conceder uma entrevista presencial de duas horas exigiu de Giovanna Ewbank um malabarismo extra, comum a mães de crianças e pré-adolescentes. A conversa teria de ser na parte da manhã por causa do fechamento desta edição, horário em que a apresentadora se vê às voltas com a ida para o colégio de Títi, de 13 anos, Bless, de 11, e Zyan, de 6, seus filhos com o ator Bruno Gagliasso. “É sempre meio confuso”, explica a atriz, que se refugiou na casa da mãe, no mesmo condomínio, no Itanhangá, para poder falar sem ser demandada.
Gio Ewbank
Henrique Gendre
A chegada aos 40 anos (em setembro) e intensas sessões de terapia acenderam novas faíscas dentro dela. Entre os questionamentos, discutidos dentro e fora da análise, estão temas femininos, como sobrecarga mental e física, “vergonha” de admitir que gosta de ganhar bem, sexo e jornada dupla. “Também passei a debater meu papel dentro de casa. A responsabilidade de gerir o lar, as crianças, essa logística fica sempre com a mulher, por mais que tenhamos um parceiro legal ao lado. Mas estou conseguindo mudar essa dinâmica na minha relação com o Bruno”, comemora.
São essas reflexões que deságuam no novo podcast “40 perguntas” no seu canal no YouTube, Gioh. A primeira temporada, com 12 episódios, estreia no mês que vem e tem como convidadas nomes como Grazi Massafera, Paolla Oliveira e Fernanda Lima.
Ao mergulhar em tantas perguntas, Giovanna também se viu cara a cara com os próprios desejos. “Sempre me preocupei com o olhar do outro, em ser uma pessoa agradável. Agora, quero ser mais rebelde”, avalia a apresentadora, que aos 15 anos iniciou na profissão de modelo, aos 21 ingressou na TV e aos 30 abriu o canal no YouTube. “Inventei minha carreira porque não tive espaço como atriz. Mas tentei muito. Demorei a admitir a vontade de atuar novamente. Mas fui atrás e estou de volta”, diz. Ela integra o elenco da série “Delegacia de homicídios”, que estreia na Disney+ no ano que vem: “Interpreto uma delegada da inteligência, é diferente de tudo que já fiz”.
Além dos projetos profissionais, em duas horas de entrevista com direito a bolo de chocolate e café coado, Giovanna falou sobre casamento, sexo, maternidade e feminismo. A seguir, os melhores trechos:
Como estão sendo as entrevistas para o “40 perguntas”?
Desde o começo, frisei que não seria um esquema de perguntas e respostas. Ao fazer o convite, falo que desejo uma troca. As entrevistadas também intervêm e, inclusive, me questionam. O que está sendo muito legal é que Grazi, Paolla e Fernanda não tiveram medo de mostrar vulnerabilidades e medos. Isso foi muito importante.
Você afirmou ter criado o programa pensando em você. Pode explicar melhor?
Geralmente, crio pensando no que o público vai gostar de consumir. E, normalmente, dá muito certo. Alcanço números imensos, são programas midiáticos. Para mim, sempre foi difícil sair desse lugar. Mas quis investigar exatamente qual conversa iria me representar nesse momento. Sucesso é fazer o que acredito. Tenho orgulho do que construí até aqui, mas hoje sou outra pessoa.
Em um de seus vídeos antigos, ao ser questionada sobre o que você sabe fazer bem, respondeu “dinheiro”. Provocou reações?
Engraçado que mulheres, algumas ligadas a mim, me criticaram por ter respondido isso. Falaram que deveria mencionar a maternidade, por exemplo. Gosto de fazer dinheiro, que, para mim, significa liberdade. É a partir dele que se torna possível decidir onde se deseja estar e em que lugar não se quer continuar. Antigamente, não abordava o tema com naturalidade, tinha um pouco de vergonha e sofria de Síndrome de Impostora. Há um padrão nisso: minha mãe sempre ganhou dinheiro e trabalhou, mas ela dava mais importância ao trabalho do meu pai.
Reproduziu esse esquema com o Bruno?
Posso ter me colocado num lugar menor em relação a ele em algum momento das nossas vidas. Tivemos vários na nossa relação. Quando o conheci, em 2009, ele era o famoso, e eu era a sua namorada. Mas sempre tive minha independência financeira. Ao longo dos anos, escutei absurdos como o de que o Bruno me colocou na Globo e que era ele quem sustentava meu canal. Quando uma mulher está em ascensão, o comentário é: “Ah, mas ela deu para quem?”. Infelizmente, a gente escuta isso até hoje.
São 16 anos de casamento e três filhos. Como fica o sexo?
Às vezes, escasso. Não temos muito tempo e ficamos cansados. Mas, ao mesmo tempo, é um sexo com qualidade. Ocasionalmente, damos uma fugida e driblamos a rotina, vamos jantar e dormir em São Paulo, conversamos por horas. Funciona muito. A gente sabe que, mesmo na loucura da rotina, precisa nutrir o sentimento de casal.
Estamos conversando um dia após o resultado das eleições. Em São Paulo, a bandeira da deputada estadual mais votada é ser “contra o feminismo”. Qual é a sua opinião?
Se não fosse o feminismo ela nem poderia estar ali. Como uma mulher pode pensar assim? A distorção do feminismo é muito louca. Não é sobre ser contra os homens e sim lutar por igualdade. O clima está tão tenso e este é e um momento importante para o Brasil. Por isso, em vez de estrear na semana que vem, como havíamos planejado, adiamos o podcast para novembro.
'Às vezes, escasso, mas com qualidade', revela Giovanna Ewbank sobre sexo com Bruno Gagliasso
