É durante o carnaval, no sobe e desce das ladeiras de Olinda, que o designer e ilustrador Guilherme Lira, de 33 anos, se inspira para desenhar e moldar as máscaras e os vasos divertidos da Ceramiquinho, marca que lançou há dois anos, em um formato caseiro, mas que cresceu rápido. “Comecei despretensiosamente, e as primeiras peças logo esgotaram. Gosto de dizer que faço ilustração em cerâmica. É no desenho em que tudo inicia. Depois, parto para a argila”, conta ele, que ainda hoje pinta cada peça. “É artesanal, então, apesar de bem parecidas, nenhuma é idêntica.”
- Inteligência artificial em debate: famosos se posicionam e especialista comenta os efeitos da tecnologia
- O que dizem os famosos sobre dinheiro e finanças? Especialista explica por que a educação financeira é essencial
É nessa pegada do “feito à mão” que ele criou a coleção batizada de Bibelô Tropical, que nasceu com a máscara de onça e seguiu com as de tigre, bicho-preguiça, galinha, e vasos de tucano, boto, capivara, tamanduá e jacaré.
“São animais que pegam a gente pela memória afetiva. Me inspiro muito na arte popular nordestina e nos grandes mestres daqui, como Vitalino, Manuel Eudócio, Francisco Brennand”, conta ele, que mora em Recife e está sempre com seu caderno de rascunho a tiracolo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/W/c/Q0umsSSAG86R43zoluSA/5anosceramiquinho-web-21.jpg)
As peças saem do ateliê no bairro do Poço da Panela, famosa por seus casarões, e ganham o Brasil. Primeiro em feiras, como Fenearte, Rosenbaum e Carandaí 25, onde o estande é daqueles que sempre reúnem montinhos de gente ao redor.
“A Ceramiquinho traz um Brasilzão inteiro dentro da arte. Pelas cores, da alegria de um país tão tropical”, define Tati Accioli, fundadora da Carandaí.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/c/f/2ubVABQ3GsXyQAypNZSQ/whatsapp-image-2025-06-01-at-13.08.07-1-.jpeg)
Encantamento compartilhado também com marcas da mesma geração, como acontece com a designer Valentina Saldanha, da Voador Tecelagem. “Foi um match instantâneo! Nos conectamos com a forma lúdica que Guilherme pensa a cerâmica. Gostamos muito de como ele consegue retratar a diversidade dos animais brasileiros em produtos decorativos com tanta personalidade. São objetos que deixam os ambientes mais chiques e coloridos”, destaca.
O designer deu passos ainda maiores este ano, quando foi convidado pela Riachuelo para fazer uma collab, em cartaz nas lojas. “Me procuraram e pediram cinco temas (de pássaros a festejos). A partir das ilustrações, a marca criou uma coleção de roupas e utilitários”, conta. “Acredito que o trunfo da Ceramiquinho é essa sensação de alegria que a coleção passa. Essa vibração tão brasileira e nordestina que anda comigo para onde quer que eu vá.”
São os bichos saindo de Recife e ganhando o mundo.