A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo e abolição violenta ao Estado Democrático de Direito. No relatório final, a PF divulgou trocas de mensagens dos políticos com aliados que, conforme a corporação, indicam a participação deles na articulação das sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. Dentre o conteúdo, estão diálogos com ofensas e xingamentos.
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Em uma das conversas, Eduardo chega a xingar o pai ao reclamar do apoio do ex-presidente ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em entrevista concedida ao portal Poder360, Bolsonaro chamou o filho de “imaturo” após as críticas feitas por ele ao governante paulista, o que motivou a irritação do deputado.
“Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas graça aos elogios que você fez a mim no Poder360, estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se você aprende. VTNC, SEU INGRATO DO CARALHO! Me fudendo aqui (nos EUA)! Você ainda te ajuda e se fuder daí!”, escreveu Eduardo no dia 15 de julho.
Em alusão às críticas do pai, ele completou: “se o imaturo do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, porque você me joga para baixo, quem vai se fuder é você e vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui. Tenha responsabilidade!”.
Após os xingamentos, Bolsonaro respondeu que iria resolver a situação em outra entrevista, ao que Eduardo retrucou afirmando que “ou não fale nada”, “me deixa de lado”. O ex-presidente chegou a enviar uma reportagem do GLOBO sobre a situação entre o embate envolvendo Tarcísio e Eduardo.
O relatório também divulgou uma conversa entre o ex-presidente e um de maiores apoiadores, o pastor Silas Malafaia. Apesar de não indiciá-lo, a PF afirma que o líder religioso “vem atuando de forma livre e consciente” na “na definição de estratégias de coação e difusão de narrativas inverídicas” e no “direcionamento de ações coordenadas” a fim de coagir membros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em mensagens trocadas no dia 11 de julho, o pastor criticou os “discursos nacionalistas” de Eduardo. Ele também ressaltou a postura do outro filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como sendo a mais adequada para tratar o tarifaço e buscar uma anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“DESCULPA PRESIDENTE! Esse seu filho Eduardo é um babaca, inexperiente que está dando a Lula e a esquerda o discurso nacionalista e ao mesmo tempo te ferrando. Um estúpido de marca maior”, escreveu. “A faca e o queijo estão na tua mão, cacete, e nós não podemos perder isso, pô. E vem o teu filho babaca falar merda, dando discurso nacionalista, que eu sei que você não é a favor isso. Dei um esporro, cara, mandei um áudio para ele de arrombar. E disse para ele: ‘a próxima que você fizer, eu gravo um vídeo e te arrebento'”.
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Jair e Eduardo Bolsonaro foram indiciados pela PF, nesta quarta-feira, por suspeita de articularem sanções do governo de Donald Trump contra ministros da Corte em meio ao julgamento do ex-presidente na ação penal que apura a trama golpista. O inquérito foi aberto em maio pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR),
A PGR apontou indícios de crimes como obstrução de Justiça e tentativa de abolição do Estado democrático de direito. Com o indiciamento da PF, a PGR vai analisar se há elementos suficientes para apresentar uma denúncia contra eles. Somando os dois tipos penais, a pena pode chegar a 12 anos.
Eduardo está morando nos EUA e tem se articulado junto ao governo norte-americano com o objetivo de apontar que o ex-presidente é alvo de uma perseguição política e pressionar as autoridades brasileiras. Além do “tarifaço” contra produtos brasileiros, usando dentre as justificativas o processo que tramita no Supremo contra Bolsonaro, Trump aplicou sanções contra ministros da Corte, incluindo a sanção de Moraes pela lei Magnitsky.