Irmão de Marcinho VP, uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), o ex-vereador de Belford Roxo Cristiano Santos Hermógenes (Avante), que postula um assento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições deste ano, é alvo de uma ação de impugnação de candidatura protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) por um adversário nesta quarta-feira. No documento, alega-se que o vínculo de Hermógenes com o CV vai além do laço familiar, sendo ele articulador da entrada de candidatos em comunidades controladas pela facção.
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A ação de impugnação foi feita pela campanha de Gabriel Gonçalves (Republicanos), que também pretende disputar um cargo de deputado estadual em outubro. Procurado, o Avante não se manifestou. O espaço segue aberto.
Citando notícias de jornais, a ação afirma que Hermógenes tem “vínculo próprio, funcional e politicamente relevante” com a facção e que sua atuação era “destinada a converter domínio territorial e influência de facção armada em acesso, apoio e vantagem no processo político-eleitoral”. Além de Marcinho VP, a ação cita o parentesco com o rapper Oruam, filho do líder do CV.
O adversário lembra que Cristiano Santos chegou a ser preso em 2006 em um baile funk no município de Belford Roxo, quando policiais teriam encontrado com ele anotações relacionadas ao tráfico de drogas no Complexo do Alemão. Em fevereiro de 2026, uma reportagem de revista Veja mostrou que Cristiano Santos exercia influência em São João de Meriti, indicando nomes para cargos públicos. O papel dele seria articular a entrada de candidatos em localidades controladas pelo CV.
“A convergência desses elementos supera o argumento baseado apenas no parentesco, o presente caso vai de encontro com a preocupação da Justiça Eleitoral de que organizações criminosas sejam afastadas nas instituições democráticas e dos pleitos eleitorais”, argumenta ação.
Não é a primeira vez que o ex-vereador é alvo de uma ação do tipo. Em 2022, quando Cristiano, então filiado ao PL, se candidato à deputado estadual, alegações semelhantes foram feitas em outra ação de impugnação. Elas sustentavam que o ex-vereador era “notoriamente associado à facção criminosa”. Na época, a defesa apresentou documentos para provar que o processo contra Cristiano no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) havia sido arquivado em 2008. A candidatura foi autorizada pela Justiça Eleitoral após um parecer do Ministério Publico, que reconheceu, no entanto, “a gravidade dos fatos noticiados”.
Em fevereiro deste ano, Cristiano Santos foi destituído do diretório do PSDB em Belford Roxo após o parentesco com Marcinho VP voltar à tona. Responsável pelo diretório estadual da sigla, o tucano Luciano Vieira alegou que não sabia da relação entre Cristiano e o líder da facção. O caso desgastou a imagem de Vieira, que aparecia em fotos nas redes sociais ao lado do líder da facção.
Cristiano Santos foi vereador em Belford Roxo entre 2016 e 2022 quando se elegeu pelo PTB. No cargo, ele fez oposição ao prefeito Waguinho (Republicanos). Candidato a deputado estadual, o autor da nova ação de impugnação, Gabriel Gonçalves, é do grupo político liderado por Waguinho.

